fotografia

Entrevista: MAFALDA JESUS

um

estranho

por dia

Se, de repente, te abordarem na rua e te pedirem para tirar uma foto, não te asssustes! Pode, simplesmente, ser um dos fotojornalistas do projeto “Um Estranho por Dia”, em busca do seu clique diário, apontando a objectiva a um perfeito desconhecido. A MELANCIA mag ajuda-te a descobrir um pouco mais sobre esta iniciativa que pretende mostrar “que todos nós temos uma história”.

1) MELANCIA: Descrevam as personalidades por detrás deste projeto.
MIGUEL: 
Somos quatro fotojornalistas, Miguel A. Lopes, Rui Soares, Rui Miguel Pedrosa e João Porfírio. Já conhecia o Rui Soares aqui de Lisboa, cruzávamo-nos em alguns serviços. Da mesma maneira conheci o Rui Miguel Pedrosa, mas penso que em campanhas eleitorais onde andei pelo país, pois o Pedrosa é de Leiria. O João, como disse, foi estagiário na Lusa, onde o fiquei a conhecer melhor.

2) M: Como surgiu a ideia de criar “um estranho por dia”?
M: No dia 29 de novembro fotografei o Benjamim. Coloquei um post com a foto no meu Facebook a dizer que iria começar a fotografar uma pessoa estranha por dia. Nos comentários à foto o Rui Soares e o Rui Miguel Pedrosa acharam muita piada e que gostariam de fazer o mesmo. Perguntei-lhes o que achavam de criarmos um projeto, e o nome “Um Estranho Por Dia” surgiu-me logo na cabeça. Eles concordaram e eu convidei o João Porfírio também a participar. O João foi estagiário na Lusa onde trabalho e achei que ele iria gostar e todos concordámos que sim e criámos nessa noite o projeto.

3) M: Qual é o processo? Como é feita a abordagem? 

M: Não há nenhuma “fórmula” na forma como abordamos os nossos “estranhos”. Depende do ambiente, da situação, do espaço e cada pessoa reage de maneira diferente ao nosso primeiro contacto. No meu caso em particular, por norma, começo sempre porque fazer uma abordagem a explicar o projecto, mostro na maior parte das vezes o Facebook ou o instagram do projecto a partir do meu smartphone e pergunto se posso contar com a colaboração da pessoa. Há pessoas bastantes curiosas como nós e perguntam-me como é que surgiu a ideia, quem são os outros elementos, para que finalidade é a sua fotografia ou até “porque é que me escolheu a mim?”. Nestes casos respondo sempre com sinceridade e explico o porquê que de ter escolhido aquela pessoa. Tentar o equilibro entre uma boa foto e uma boa história é o nosso objectivo diário mas que nem sempre se consegue concretizar. No que diz respeito à organização interna do nosso grupo, discutimos as fotos de cada um, damos opinião sobre qual a melhor foto a ser publicada e é aí também que tomamos as principais decisões do projecto. É uma maneira funcional e rápida de estarmos todos em contacto.

4) M: As pessoas são receptivas a este tipo de exposição? 

M: Depende muito. Há vários dias em que levamos bastantes “negas”, explicamos o projecto e as pessoas não querem se expôr dessa maneira mas na maior parte das vezes a recepção é bastante positiva.

5) M: Há algum critério na escolha? 

M: Não temos estereótipos de pessoas que abordamos, tanto pode ser uma mulher, homem, novo, velho, rico , pobre etc mas notamos que quando as histórias são ditas normais não tocam tantas pessoas mas quando são histórias reais de dor, de desemprego, de fatalidades na vida dos nossos estranhos há uma preocupação do nosso público em dar força a essas pessoas.

6) M: Já fotografaram e falaram com imensas pessoas. Destaquem uma personalidade ou um episódio marcante (por mais difícil que seja).

M: Acho que nunca senti, nem ouvi, nenhuma história estranha. Nem mesmo aquelas que as pessoas pedem para não falar delas. São histórias do dia-a-dia, a vivência de cada um. Algumas histórias são tristes. Outras são tristes, mas de alguma forma foram ultrapassadas. E outras são mesmo felizes. Eu gosto de ter a sorte de encontrar uma história feliz. E depois aliar isso a uma boa fotografia é o verdadeiro desafio. Por vezes, não conseguimos nem uma coisa nem a outra. Recentemente, aconteceu uma coisa que só dei conta em casa ao tentar escrever o texto. Fiquei tão absorvido pela conversa que acabei por falar muito pouco sobre a “estranha” em questão. Fiquei aborrecido, mas a conversa valeu a pena. Naquele dia ponderei fotografar outro estranho, mas depois pensei que não fazia sentido. Aquela pessoa era a “minha estranha” do dia.

7) M: Na vossa opinião, o que é mais fascinante no ser humano? 

M: O mais fascinante no ser humano é o facto de nos habituarmos às diversas situações e problemas com relativa facilidade.

8) M: Que objectivos pretendem cumprir? 

M: Neste momento estamos a organizar uma exposição em Lisboa e estamos em negociações para um possível livro, a ser lançado no final do ano.

9) M: Qual é o vosso lema? 

M: Não temos nenhum lema em especial, só queremos mostrar a nossa fotografia e mostrar que todos nós temos uma história.

10) M: Deixem um recado à MELANCIA mag e a todos os nossos leitores.

M: Nunca desistam dos vossos sonhos e quando ouvirem um “não” façam todos os possíveis para da próxima ouvir um “sim”.

www.umestranhopordia.pt

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