escrita, tipografia & colagem

Entrevista: juliana lima

siga os balões

Daniel Duarte descobriu o seu gosto e talento pela escrita desde bem cedo. Com a sua timidez de menino, habituou-se a escrever e com isso encontrou a sua forma de relaxar e de se sentir menos sozinho. Sorte a nossa! Hoje ele é o responsável por “Siga os Balões” um projeto inspirador, que une fotografia e palavras que encantam. Não perca esta entrevista em que Daniel partilha connosco o seu percurso e sucesso nas redes sociais (com quase 300 mil seguidores), o lançamento do seu livro e um bocadinho da magia dos seus dias.

1) MELANCIA: Quem é o Daniel Duarte?
DANIEL: 
Começamos já com uma pergunta difícil. (risos). Acho que essa pergunta precisa sempre de uma resposta social e de uma pessoal, então vou dar as duas para vocês ficarem à vontade para escolher. O Daniel para o mundo é um barrense de 22 anos, que fez metade do curso de Cinema, na faculdade. É ilustrador, escritor e lançou um livro recentemente. Na vida, sou aquela pessoa que se vai sentar numa sala e ter “um bom papo” até amanhecer, até que os dois caem no sono. O amigo que se dá demais e, às vezes, acaba por esquecer-se até dele próprio. É esse rapaz que vos fala. Que sonha muito, que se esforça ao máximo e que está a aprender a compreender o tempo das coisas. É quem acha que tudo fica melhor com animais, comida e amigos - exatamente nessa ordem.

2) M: Quando percebeste o teu gosto e aptidão pela escrita?
D: Desde bem cedinho. Pode parecer clichê, mas eu era o típico adolescente só falava “oi” para “tia da cantina”. Então desde a escola eu já escrevia algumas coisas quando me sentia muito sozinho. Acabou por se tornar um hábito recorrente, pois escrever deixava-me mais leve. Sentia-me muito melhor, era como um desabafo. Mas nunca foi com a intenção de escrever para ser algo, era para deixar de ser... Menos sozinho, menos stressado, não sei. Mas, de longe, foi para me tornar algo diferente do “carinha” que só tinha conhecidos no refeitório da escola.

3) M: Queremos saber mais sobre o teu projeto que reúne textos autorais e ilustrações sobrepostas. Como surgiu o “Siga os Balões”? 

D: Foi num dia bem difícil para mim. Era o meu aniversário, tudo estava dando absolutamente errado e eu estava muito desanimado em muitos âmbitos. Eu tinha deixado uns bilhetinhos motivacionais para mim mesmo, todos os dias, nas semanas anteriores, acredito seriamente na questão da saúde mental, e eu estava esgotado. Nesse dia, estava a rabiscar alguns prédios numa folha no balcão da loja onde trabalhava (primeira capa da página do Facebook) e uma das clientes que estava por lá disse-me que deveria postar na internet. Ela foi insistente no pedido, e eu fi-lo. Então tudo começou. Tudo é pensado, desde o local onde tiro a foto, as cores que vou utilizar, os elementos que preciso para a foto e até mesmo a roupa que vou usar, para que tudo que faz parte da fotografia tenha uma ligação, fazendo com que a foto conte da melhor forma a “história” que os meus seguidores vão ver. Também há sempre um cuidado para que todas as fotos sigam a mesma linguagem estética, para que haja uma coerência quando vimos a galeria como um todo. Depois de ter tudo definido, começo a fotografar até ter a imagem que mais se aproxima do que idealizei (que por vezes tem alterações). Depois de ter as fotos, passo ao processo de edição, que faço normalmente em Photoshop, quando necessário, pois, por vezes, as fotos apenas sofrem alterações na parte da edição das cores. Depois chega a fase final, que é partilhar com os meus seguidores o quadradinho com a minha “história”.

4) M: E por que colocaste este nome? 

D: Uma questão recorrente. (risos). Mas assim como a página, não foi nada pensado ou estudado. Foi um clique, quando decidi que iria fazer algo, o nome veio num clique. Lembro-me de estar a observar alguns balões na decoração da livraria em que trabalhava, acho que deve ter sido isso.

5) M: Como crias as tuas frases? Fala-nos do teu processo criativo. 

D: Estou sempre a pensar em algo. Em alguns momentos, eu tenho reflexões mais profundas no meio da rua, de verdade. Anoto sempre no bloco de notas ou num papel algo sobre o qual tenha refletido, que faça sentido e tenha a necessidade de ser trabalhado. Pego a ideia e jogo o sentimento em cima, mas levo num tom mais positivo, não irreal, mas otimista. Firmo que tudo sempre é um aprendizado, porque sempre é. Acredito que falar sobre tristeza e pesares seja necessário ao ser humano, mas não acredito que precisemos de enaltecer um conteúdo tão denso nas redes socias. A vida já fica pesada por si só, às vezes.

6) M: Quais as tuas inspirações e referências? 

D: No início da página, tudo foi inconscientemente inspirado em livros infantis. Como trabalhei como ilustrador, por um longo tempo, sempre gostei das ilustrações mais fofinhas. Hoje, eu acabei por abandonar o estilo e o traço, mas ainda tenho um apreço muito grande por isso. Acho que na internet se comunica e muda muito rápido, eu como sou nascido nesse meio e também gosto da maneira como as coisas fluem e ao mesmo tempo marcam, levo para o “Siga” algo que seja breve, que tenha profundidade e que se encoste no coração do leitor.

7) M: Quando começaste com o teu projeto, imaginavas tanto sucesso? Como te sentes a pensar em toda a boa repercussão com este teu trabalho? 

D: Nem de longe. O “Siga” começou sem pretensão alguma. Não comecei para mostrar o meu trabalho ou nada do estilo. Eu só gostava de rabiscar e escrever, então aconteceu. Sei que tem uma “galera” acompanhando, mas ainda não consigo dar-me conta de quão grande isso se tornou. As mensagens diretas nas redes sociais são a melhor parte. É uma troca de energia maravilhosa, e as pessoas emanam muito amor em cada palavrinha escrita. Esse projeto rendeu-me amigos incríveis e histórias lindas que são um enorme presentão e terei orgulho de levar para o resto da vida.

8) M: Como te sentiste ao lançar o teu primeiro livro? 

D: Acho que se consigo traduzir tudo que tenho sentido numa palavra: “mágico”. Tudo é muito mágico, muito irreal - mesmo sendo realidade. Esse livro teve tudo para dar errado, o pessoal da editora confirma meu isto (risos), mas não deu. Ele aconteceu, e aconteceu da maneira mais bonita nesse mundo. No lançamento do livro, eu parei para pensar em cada pessoa que tirou um tempo para ir me ver e comprar o meu livro por gostar do que faço, foi algo que me deixou encantado e anestesiado por esses dias. Outra é que ainda não consigo explicar a sensação de ver meu pai a carregar o meu livro debaixo do braço pela casa - e pela cidade inteira. É literalmente mágico.

9) M: Qual o teu lema? 

D: “Tudo isso é temporário.” Isso engloba várias teorias de vida na minha opinião. Para quando a gente se maag, quando algo dá errado ou quando a vida parece não andar. E para as coisas que criamos - o meu projeto, por exemplo. Isso faz-me aproveitar e entregar-me de todo o coração enquanto o faço, até mudar a minha rota para outras direções.

10) M: Tens outros projetos em vista? Quais os próximos passos? 

D: Sim, eu já pensei em algumas coisas e já estou a rabiscar ideias, mas nada em concreto. Realizei muitas coisas profissionalmente em 2016, e foi realmente incrível para mim, mas agora eu quero focar-me em projetos pessoais fora da página.

11) M: Deixa um recado para a melancia mag e os seus leitores. 

D: Continuem com fé nos vossos sonhos, mesmo se ninguém fizer o fizer convosco, e bebam água - é sério.

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