Entrevista: RITA ALVAREZ

fotografias: vários

SEÑORITA

UGLY

A arte corre-lhe nas veias, assim como a inspiradora cultura grega. Londrina, de pai inglês e mãe natural do Chipre, Alexandra Turner é a Señorita Ugly pelo seu “sentido de humor”, como nos conta. Porém, não há nada de feio na sua arte, antes uma alusão incontornável ao universo feminino e ao mundo fantástico dos sonhos. Imaginação sem fim, que começou a trabalhar aos cinco  anos de idade no muro do jardim de sua casa.

1) MELANCIA: Quem é Alexandra? 
SEÑORITA UGLY: 
A Alexandra sou eu! Tenho 26 anos e sou nascida e criada em Londres, por uma mãe GrecoCipriota e um pai Inglês. Sou mãe de uma linda gata chamada “Rita” e não tenho a certeza de que exista alguma coisa que goste mais de fazer do que de comer. 

2) M: Por que “Señorita Ugly”?
S: Bem, na verdade, é uma referência a uma piada do Simpsons, quando o Bart faz um passaporte falso para a Lisa. Eu vivi em Espanha e falo as bases do Espanhol, portanto acabou tudo por se encaixar e fazer sentido para mim. Acho que a ideia do nome “MISS UGLY” se adequa muito a mim, ao meu sentido de humor e ao meu trabalho artístico de um modo geral.

3) M: Sempre desenhaste e tiveste interesse pelas Artes? Como tudo começou e quando?

S: Sempre! Desde que me consigo lembrar, estava sempre a pintar, a desenhar e a criar. Quando era criança (mais ou menos com 5 anos), a minha mãe fazia com que participasse em vários projectos criativos. No Outono, costumávamos apanhar as folhas que tinham as melhores cores e

colávamo-las numa folha, para fazermos papéis com textura. No Verão, ela desenhava murais enormes em tons pastel na parede branca, ao fundo do nosso quintal. Sempre gostei de criar coisas coloridas e complexas. Acredito que, desde muito nova, sempre fui alguém que reage à vida de uma forma muito visual, em oposição à palavra falada. Por isso à medida que fui crescendo e cheguei ao secundário, a decisão de seguir artes foi tomada muito naturalmente… primeiro na escola e, depois, na faculdade.

4) M: Quais são as tuas maiores inspirações e referências?

S: As minhas inspirações variam ao longo de um vasto espectro. Tal como mencionei antes, a família da minha mãe é Greco-Cipriota e eu acabei por perceber que isso é uma grande inspiração para mim e que acaba por me pôr em contacto com uma cultura da qual eu não sou a primeira geração.

A mitologia Grega é muito interessante e divertida e algumas das personagens e histórias são demasiado incríveis para que eu não queira criar a minha própria versão delas. Também procuro inspirações e referências na cultura pop, ficção científca, plantas e  e, acima de tudo, na figura feminina, tanto figurativa como conceptualmente falando. 

5) M: Tudo no teu trabalho, desde as linhas suaves às escolhas de cor, é pura e simplesmente hipnotizante. Como é que descreverias o teu estilo?

S: Uuuuuh, esta é sempre complicada. Na verdade não sei bem como descrever o meu estilo porque não estou inteiramente segura de qual é o meu estilo... Diria definitivamente que tem elementos de “Fantasia”, no sentido em que a maioria do meu trabalho não representa a vida real da forma que a conhecemos. Tudo nos parece familiar mas vive num mundo de cor e de cenários que só veríamos realmente em filmes ou em fábulas. Às vezes a vida real pode ser aborrecida, por isso eu dou por mim muitas vezes a criar trabalhos que são quase um sonho, quer seja só através das cores (por exemplo) ou com um alien bebé e badass, que arranja a própria nave espacial despenhada. Vocês percebem, o normal!

6) M: A figura feminina tem uma presença muito forte no teu trabalho. Qual é o motivo por trás disto? É sequer uma escolha? 

S: Sim e não. É uma escolha porque eu escolho desenhar o que eu acredito ser o mais misterioso e belo. No entanto, não estou certa que seja uma escolha assim tão consciente porque não é que eu escolha não desenhar outras coisas... simplesmente dou por mim a gravitar na direção da fgura feminina na maioria das vezes. Eu cresci numa família com MUITAS mulheres (2 avós, 5 tias, muitos primas em primeiro e segundo grão, etc) e sempre encontrei consolo na força que irradia do cuidado e do apoio das mulheres. Se isto subconscientemente direcciona os motivos do meu trabalho? Não tenho a certeza, mas é definitivamente uma possibilidade.

7) M: Fala-nos do teu processo criativo.

S: Boa! Assim que tenho uma ideia ou um briefing a cumprir, começo com um esboço muito primário. Depois, para servirem como referência, acabo por tirar várias fotografias de mim própria, da minha mão a agarrar em alguma coisa, etc. Começo então a trabalhar num desenho mais limpo e tenho duas hipóteses: ou uso a minha mesa de luz para desenhar à mão por cima; ou então digitalizo o esboço e crio esse desenho mais limpo no photoshop com o meu tablet. Se tiver optado por fazer tudo com tinta, acabo sempre por digitalizar para poder editar o desenho, finalizando com algumas adições de cor ou detalhes.

8) M: As pessoas abordam-te para fazeres comissões? É algo que fazes?

S: Sim e sim! Eu estou disponível para comissões e isto é algo que eu espero vir a a envolver-me cada vez mais. Estou neste momento a trabalhar numa peça para uma discográfca e eu quero fazer muitos mais trabalhos assim! Adoro o formato quadrado e a música, para mim, sempre esteve tão intrinsecamente ligada à arte.

9) M: O que podemos esperar que estejas a fazer quando não estás a desenhar?

S: Podem esperar que esteja a fazer um milhão de outras coisas. Ultimamente tenho tricotado IMENSO (estou determinada a ter esta manta terminada antes que o Verão chegue). Também gosto de trabalhar com a minha pequena máquina de costura, de fazer peças simples como fronhas de almofadas ou “totes”. Também gosto de pintar directamente nesses sacos com tinta de tecidos. Se não estiver a fazer nenhuma destas coisas, também me podem encontrar a restaurar mobílias antigas e a transformar o que um dia foi uma coisa triste, velha e gasta, numa coisa adorável e reutilizável. Também podem definitivamente esperar que esteja a comer ou a considerar sobre o que comer ou simplesmente a cozinhar. 

10) M: Deixa uma mensagem à MELANCIA e aos seus leitores. 

S: Em primeiro lugar, por mais piroso que isto possa ser, SEJAM VERDADEIROS CONVOSCO. Levei vários anos (e tenho a certeza que ainda tenho caminhos a percorrer) a compreender que tentar ser alguém ou algo que não és para o benefício dos outros só te faz infeliz e inseguro contigo próprio - e, de qualquer forma, nunca resulta da forma que esperavas que resultasse. Encontra o que te faz feliz e agarra-te a isso. Paixão, motivação e talento irão eventualmente conduzir-te a algo especial, mesmo que não seja ao destino que tinhas esperanças de alcançar. Não podemos controlar grande coisa neste mundo, mas podemos controlar as nossas reacções ao que nos acontece todos os dias.

 

www.instagram.com/senorita__ugly

senoritaugly.com

 PREFERES 

- P&B ou Cor? Cor!! Claro!

- Digital ou Pintado mão? Isto tem-se tornado cada vez mais difícil mas, no fInal do dia, eu adoro criar coisas à mão 

 

- Campo ou Cidade? 100% a cidade

 

- Gatos ou Cães? Cats! Gatos! Chats! Katzen! Gatos em todas os idiomas meus amigos!

 

- Lápis ou Caneta? Nenhum. Tinta e pincel para mim. 

 

- Discoteca ou Bar? Na verdade eu sou uma mulher de 50 anos presa no corpo de uma de 26, portanto definitivamente bar. 

 

- Jantar fora ou Cinema?  Jantar fora. Comida. Comida a cima de tudo.

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