pintura

Entrevista: RITA ALVAREZ

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SÓNIA TRAVASSOS

Licenciada em Direito e Mestre em Psicologia Clínica, Sónia Travassos percorreu um longo caminho que culminou num destino inesperado: a Pintura. Autodidacta, a artista utiliza tintas de cores contrastantes e pinceladas fortes, de forma a representar movimentos expressivos e instintos interinos, que resultam em telas de um magnetismo avassalador. Como a própria descreve, as suas obras “são elos entre as suas emoções e as de quem vê as suas obras”.

1) MELANCIA: Quem é a Sónia Travassos? 

Sónia: Sou Eu. A pessoa que tu conheces, que gosta de gostar dos outros e com eles ser feliz. Quando gostamos dos outros aprendemos a gostar mais de nós, sem eles a vida não faz sentido.

2) M: Sabemos que a tua formação profissional passa pelo Direito e pela Psicologia. Como foi que a pintura entrou e, claramente, ficou na tua vida? 

S: Sim, fiz o curso de Direito em Coimbra e percebi que nem sempre o que sonhamos gera as respostas que queremos para a nossa vida, por isso parti para uma aventura na Psicologia. Fiz um mestrado e um estágio em Psicologia Clínica e foi com os pacientes que aprendi que, a pintura, pode e deve ser um óptimo anti-depressivo. As tintas e a forma como pinto, são elos que devem gerar laços entre as minhas emoções e as dos outros. Quando o consigo, sinto que a minha pintura cumpriu o seu primeiro objectivo: fazer os outros felizes.

3) M: Nas tuas obras convivem pinceladas carregadas de cores vivas com elementos mais leves e subtis. Com que técnicas te identificas mais? 

S: Identifico-me com várias técnicas mas, nas minhas telas, gosto especialmente de espatulados, uso tinta acrílica, grafite, pastel de óleo e airbrush.

4) M: Fala-me do teu percurso criativo. De tudo o que implica transformar uma tela, numa obra assinada? 

S: Quando estou a pintar, penso na vida e dou o meu cunho pessoal a cada tema e a cada situação. Situação que, muitas vezes sem resolução, pinto como queria que tivesse acontecido. Pinto com vários materiais mas, quando um tema me toca mais fundo, pinto com as mãos, sendo que a tela passa a ser uma extensão de mim. Enquanto estou a pintar estou abstraída de tudo e divirto-me bastante, devo confessar. Sempre que termino uma pintura, gosto de mostrá-la à minha família e amigos... sinto que transmiti uma parte de mim para a tela. E também gosto de saber que, aquilo que fiz, emocionou ou envolveu alguém.

5) M: Actualmente contas com 20 mil seguidores no IG. Sentes que a tua página é uma ferramenta impulsionadora do teu trabalho? 

S: Definitivamente as redes são a ferramenta mais fácil, a que todos os artistas deviam explorar. Mas as pessoas que visitam o meu estúdio, por exemplo, dizem sempre que as telas ao vivo são muito melhores. Monto uma exposição para cada pessoa que quer cá vir e isso é o que mais gosto no meu trabalho, conversar e conhecer quem se interessa pelo meu trabalho e as suas percepções ou o entendimento que têm dele.

6) M: Como é ser artista em Portugal? 

S: É relativamente tranquilo. Vivemos num país ameno, sem grande violência e desigualdade, de modo que temos óptimas oportunidades de explorar o nosso imaginário. Ao contrário do que oiço, há muita gente em Portugal a gostar de arte e a comprá-la, e penso que os nossos governantes deviam fomentá-la mais, dando oportunidade a todos os jovens artistas e talentos emergentes.

7) M: Qual é o teu maior objectivo enquanto artista? Onde gostarias, por ex, de expor? 

S: O meu maior objectivo enquanto artista é poder exprimir o meu “Eu” e a minha forma de pensar e criar, sem grandes obstáculos. E que essa mesma liberdade seja enlaçada pelos outros. Gostaria de expor nas casas de todas as pessoas que se alegram por ter obras minhas e que cuidam bem delas (risos).

8) M: O que não pode faltar no teu dia-a-dia? 

S: Entre muitas coisas, não pode faltar sossego. O mundo é demasiado ruidoso. E também não pode faltar papel e caneta porque, quando não estou a pintar, estou a escrever.

9) M: Tens alguma obra de que especialmente te orgulhes? Fala-nos dela. 

S: Tenho várias obras de que me orgulho muito, mas que, tal como com os filhos, não faço distinção. São várias as que plasmam momentos muito importantes da minha vida.

10) M: Se pudesses escolher três artistas para trabalhar e expor contigo, quem seriam? Porquê? 

S: Escolheria o Basquiat, pela sua liberdade artística; o Dalí por ter feito derreter o tempo; e o Van Gogh, para lhe devolver a orelha.

11) M: Deixa uma mensagem à MELANCIA e aos seus leitores. 

S: Nunca esperem pelo amanhã. A perfeição não existe e, quando se fala nela, esta é sempre subjectiva. Lancem-se... e as coisas boas começam a acontecer!

@soniatravassosart

soniatravassos.com

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