fotografia

Entrevista: RITA ALVAREZ

RuiDosAnjos

RUI DOS

ANJOS

O trabalho de Rui dos Anjos, jovem artista nascido e criado numa pequena aldeia do Norte de Portugal, é o resultado de um amor partilhado entre o mundo do vídeo e da fotografia. As suas imagens são um balanço perfeito entre jogos de luz e cor, cenários coloridos e altos contrastes, que vivem num mood inquestionavelmente retro mas, ainda assim, com uma estética muito própria.

1) MELANCIA: Quem é o Rui dos Anjos? 
RUI: 
O Rui é um rapaz de 23 anos que nasceu e cresceu numa pequena vila no norte de Portugal e que, aos 18 anos, se mudou para Lisboa à procura do sonho de se tornar num artista visual. Actualmente divide o seu tempo entre aprender a ser adulto e a fotografar/filmar.

2) M: O teu portfólio é um leque de vídeo e fotografia. O que surgiu primeiro e como enveredaste por esta área? 
R: Primeiramente, surgiu o vídeo. Estudei audiovisual mas a fotografia nunca me interessou muito, sempre foi mais a parte de pensar, filmar e editar uma história. Quando acabei o curso fiz um estágio em publicidade e foi aí que acabei por ficar, trabalhando sempre mais em publicidade e videoclipes.

A fotografia sempre foi mais como um hobby mas, ultimamente, tenho trabalhado bastante em campanhas editoriais e fotografia de estúdio porque, de alguma maneira, as pessoas associaram que os meus trabalhos tinham um toque de fashion - ou lá o que elas lhe quiserem chamar...

3) M: Podemos ver no teu trabalho uma estética retro e um mood muito próprio, com jogos ricos em cor e luz. Como descreverias o teu estilo? 

R: É engraçado porque toda a gente me diz isso mas, ao mesmo tempo, eu nunca tentei definir um estilo próprio. Nunca tentei fazer algo só para ser diferente ou porque precisava de uma identidade. Acho que, involuntariamente, acabei por conseguir criar uma linha estética. Gosto de imagens que combinem uma boa luz com um bom jogo de cores. A minha vida acaba por ser um bocado a preto e branco mas, nos meus trabalhos, sempre gostei de trazer cenários e roupas coloridas como um contraste. Por isso, acho que não consigo definir o meu estilo, simplesmente no final ele inclina-se sempre mais para um lado (risos).

4) M: Fala-nos do “Fim Manifesto”. 

R: O “Fim Manifesto” foi um filme em que tive a oportunidade de realizar e em que me deram dois temas a retratar: pessoas e atitude. Sempre achei que para amar alguém é preciso atitude e, sobretudo, coragem. Então porque não fazer um filme sobre o amor na juventude? Queria filmar uma história que retratasse o amor na forma mais simples e, então, juntei 4 amigos meus que eram casais reais e criei aquela pequena história que é, para mim, um poema visual. O vídeo não é para ser visto apenas como uma história de amor, mas sim como um todo. São 3 minutos de imagens bonitas que sempre quis fazer e que também enchem o olho ao espectador. Acho que foi o trabalho que mais gostei de fazer pois tive 100% liberdade para fazer o que quisesse e acho que acabou por retratar bem a minha visão enquanto Filmmaker.

5) M: Retratos, campanhas editoriais, videoclipes, fotografias de produto... O que mais gostas de fazer? Porquê? 

R: Gosto de qualquer projecto em que o cliente não tenha uma mente fechada e que esteja aberto para fazer algo inovador e bonito. Mas, mesmo assim, acho que o que mais gosto de fazer são videoclipes, porque adoro música e adoro o facto de poder atribuir imagens à letra e ao ritmo da música. Ultimamente tenho investido mais na parte da fotografia porque é mais fácil de chegar a um bom resultado sem precisar de tanto budget e de tantas ferramentas (como é preciso no vídeo). Futuramente, gostava de conseguir ser mais selectivo com os trabalhos. Para já, sinto que ainda é importante tocar em vários projectos diferentes, para me conhecer e para saber o que gosto realmente de fazer.

6) M: Em 2018 dirigiste um videoclipe que bombou em muitas plataformas e que conta, actualmente, com quase 9 milhões de visualizações. Como foi a concepção deste vídeo? Fala-nos do teu processo criativo. 

R: Acho que esse foi o primeiro vídeo em que consegui passar mais a minha vibe. Para todos os trabalhos, faço um treatment inicial em que
junto algumas ideias de locations, guarda roupa, moodboard de direção de fotografia, estilo de movimentos de câmara e, às vezes, já algumas cenas específicas que quero fazer. O Purpp gostou da ideia mas estava um bocado reticente em relação a todo o mood colorido, às árvores com flores rosa, às pistolas de água... O mais importante do processo, foi fazer toda a gente acreditar que aquele era o caminho certo - e foi. Foi tudo filmado por mim e pelo Bernardo Infante. Éramos apenas uma equipa de duas pessoas a realizar, a fazer direção de fotografia, guarda roupa, arte, etc.

7) M: Qual seria o trabalho, parceria, local, etc., que te faria sentir no teu exponencial máximo a nível de carreira? 

R: Acho que nunca vou conseguir alcançar o exponencial máximo a nível de carreira, porque as coisas mudam de uma dia para outro e porque gosto de estar em constante evolução. Mas, se pensar onde gostaria de me ver daqui a uns 10 anos, seria com representação em várias produtoras e agências espalhadas pelo mundo. Depois era só receber os scripts e escrever treatments. Se ganhasse os projectos, passaria a vida a viajar e a trabalhar, sempre com projectos diferentes e ambiciosos.

8) M: Se tivesses de escolher entre fotografia e vídeo, o que escolherias? Porquê? 

R: Essa é uma pergunta difícil de responder. Às vezes não me apetece mais filmar porque é esgotante e, então, penso em dedicar-me mais à fotografia. Mas depois o meu amor pelo vídeo faz-me sempre ir atrás de mais projectos, por achar que é um trabalho que fica mais completo. Neste momento gosto igualmente dos dois: o vídeo acaba por ser também a minha fonte de rendimento, daí às vezes esta relação de amor-ódio, enquanto a fotografia sempre foi mais um hobby com alguns gigs esporádicos.

 

9) M: Deixa uma mensagem à MELANCIA mag e aos seus leitores. 

R: A toda a gente que quer começar a filmar ou a fotografar e não sabe por onde começar, apenas comecem! No início é tudo uma questão de tentativa e erro. Para mim a teoria ocupará sempre uma percentagem menor do que a práctica, porque nesta área quase tudo que aprendi foi em set. Para quem já aqui anda há algum tempo e se sente estagnado, que seja paciente porque, mesmo parecendo que não, a evolução é sempre constante e, de projecto para projecto, aprendemos sempre alguma coisa.

@anjo.rui

ruidosanjos.com

espreita o artigo na revista