VÍDEO & MOTION GRAPHICS DESIGN

Entrevista: LUÍSA VITORINO

R.I.P.

MARIACHI

Nome: Guilherme Oliveira

Idade: 22 anos
Sou de: Caldas da Rainha 
Sou conhecida por: R.I.P. Mariachi

A minha arte é: Movimento Digital 

1) MELANCIA: Quem é o Guilherme? 
R.I.P. MARIACHI: O meu nome é Guilherme Oliveira mas toda a gente me conhece por Mariachi, até porque eu também faço questão de me apresentar como tal. Sou videógrafo e designer de Motion Graphics. Normalmente caracterizo-me como impulsivo no que toca a criar. O que, aliado ao meu “à vontade criativo”, tenho vindo a comprovar ser um método eficaz. Sou grande adepto de efeitos visuais e de objectos tridimensionais, e tento ser versátil a incorporar isso em tudo o que crio, considerando essa mesma versatilidade como um dos meus maiores pontos fortes, lado a lado com a minha procura constante de experimentar e de criar objectos ou projectos experimentais.

2) M: Sentes que "3D e digital Art is the new Art"
RM: Eu sinto que a arte, geralmente falando, evolui lado a lado com a tecnologia. Mas não sinto que seja restritivo, para um artista, ter que se moldar através disso (daí ainda termos imensa gente a fotografar em analógico, por exemplo). Isto para dizer que: o 3D e a arte digital “já andam por cá” há imenso tempo e são fruto dessa constante corrida pela evolução da tecnologia. Hoje em dia, em 2020, pequenos criadores fazem em casa, no seu laptop, projectos tridimensionais que seriam impensáveis ou quase impossíveis de se fazerem, em grandes estúdios de Hollywood há poucos anos atrás. É verdade que existe uma grande procura acrescida na produção audiovisual com suportes de 3D e, talvez por isso, tenha de concordar que é um meio artístico cada vez mais popularizado - e com razão. A Internet é uma ferramenta brutal para difundir todas essas ideias e criações.

3) M: Quais as fontes de inspiração de que bebes e aplicas no teu trabalho? 

RM: Eu valorizo e ligo muito ao que é experimental. Há imensos videógrafos e criadores, tanto a nível nacional como internacional, de quem retiro muitas referências e inspirações. Sendo que, para muita sorte minha, alguns são meus amigos próximos. Pessoal como o Sebastião Santana e o Chikolaev,  alguns ex-colegas de faculdade que andam a vingar imenso em tudo o que produzem e, lá fora lembro-me, assim de repente, do ABOVEGROUND, do Dave Meyers e dos BRTHR. Para além dos videógrafos, existem várias linhas criativas que se tornam muito comuns de seguir como, por exemplo, as estéticas ligadas a retro gaming, com looks de 8bit/16bit ou os visuais “crus”, agressivos e trashy, que remetem para o mundo digital. A música também é uma das minhas maiores inspirações. Principalmente o hip hop e tudo o que se engloba dentro desse tema, como o rap experimental e industrial, com sonoridades intrínsecas aos artistas que o fazem. Falo de artistas como os Run The Jewels, Death Grips, JPEGMafia. E, em território português, ninguém melhor para servir de exemplo como os Colónia Calúnia. Sou um fã assíduo com quem, posso dizer, já ter tido o prazer de trabalhar (e espero, ansiosamente, voltar a fazê-lo).

4) M: Como surgiu o interesse pelo digital? 

RM: Eu cresci nesse meio. Desde criança que me “alimento” de conteúdos relativos à era digital. Quantos não se lembram de ver Pokémon nas programações matinais e de ouvir falar de criaturas estranhas, tecnologia e outras coisas futuristas e digitais? Eu gosto imenso de explorar tudo o que gira em volta do universo digital. Dá-me imenso prazer estudar, por exemplo, o efeito visual de um filme ou vídeo e tentar replicá-lo, sozinho, no meu computador, com todas as ferramentas ao meu dispor, sem tutoriais nem guias. Essa, para mim, é a magia do digital: Há tanto conteúdo incrível a ser criado e produzido com low budgets, mas com enormes resultados e, às vezes, por “aquele vizinho do lado” que não fazemos ideia. Principalmente, em Portugal. Ver todos estes novos criadores a surgir e a criar, dá-me muita vontade de continuar a trabalhar e, até, de colaborar com eles, sem rivalidades ou conflitos. Estamos todos a remar para o mesmo.

5) M: Que tipo de trabalho te dá mais prazer fazer? 

RM: Gosto particularmente de videoclipes. Porque, para mim, é o que dá mais azo a expandir um conceito criativamente. Eu oiço incessantemente uma faixa antes de trabalhar sobre ela. Se for preciso, durante horas, porque gosto de ir esboçando ideias e de ter esse contacto directo com o artista. Basicamente, gosto de tudo o que me permitir criar através de um processo criativo, sem restrições, e que me dê liberdade suficiente para poder transpor as ideias da massa cinzenta directamente para o papel e, do papel, directamente para a tela. Esses são os trabalhos que me levam a olhar para eles, ao final do dia, e ficar satisfeito por tê-los criado.

instagram: @pixel.plasma

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