fotografia

Entrevista: MAFALDA JESUS

RAQUEL

LOPES

O objectivo da MELANCIA mag é apresentar aos leitores novos artistas, que tenham um fator de diferenciação que os destaque e que faça valer a pena dar a conhecer o seu trabalho. A Raquel é sem dúvida uma dessas artistas, pois fotografa com o coração.

As tuas fotografias transparecem sentimento, falam connosco sem dizer nada, contam histórias... E quando se atinge esse patamar, questionamo-nos como conseguiste e o que te levou a seguir este caminho e não outro. Por isso peço-te que nos expliques tudo neste pequeno questionário, feito exclusivamente para ti!

 

1) MELANCIA: Para começar queremos conhecer a Raquel. Que idade tens e qual foi o teu percurso académico?
RAQUEL:
Tenho 23 anos, e já sou mãe há seis meses. Até o 12º ano mantive-me em Ciências e Tecnologias e, no momento de entrar na faculdade, optei por Artes, visto que eu olhava para o meu futuro e não me via enclausurada em laboratórios todos os dias (queria seguir algo relacionado com Biologia) e/ou mesmo ter de estudar mais. Não foi por preguiça, mas sim porque tinha outros sonhos, como por exemplo ser mãe cedo, e se continuasse a estudar ia ser complicado concretizar esse sonho. A minha vida académica foi realizada em Lisboa, no IADE - Instituto de Arte, Design e Empresa, universidade privada em que adorei estar, mas de onde saí no final do segundo ano. Os resultados finais eram bastante positivos, as notas que me saíam do bolso é que já não, e por isso preferi deixar a faculdade. Entretanto, também engravidei. Muitos me perguntam quando volto para a faculdade... Não voltarei! Pois o que eu queria mesmo aprender, já o fiz minimamente (fotografia analógica) e o resto vou aprendendo por fora. E assim tem sido.

2) M: Conta-nos como foi o teu primeiro encontro com a fotografia. Foi planeado ou foi amor à primeira vista?
R: Eu sempre gostei de fotografia, mas ficava à frente da câmara e não por trás. A paixão pela captura fotográfica deu-se em 2010 devido a uma das minhas melhores amigas (Ana Filipa Cardoso) que começou a desenvolver esse interesse. Como eu a acompanhava, foi despertando igualmente em mim aquela paixão. Entretanto, as pessoas vinham a perceber que eu até tinha um “bom olho” e ganhando elogios juntamente com críticas construtivas, fui desafiando a mim mesma e evoluindo. Até hoje, a fotografia é algo que não largo e sempre que posso capturo nem que seja uma flor. Posso concluir que estava destinado este amor entre mim e a fotografia, ela veio até mim e até hoje por aqui continuamos com a mesma paixão.

3) M: A dança faz parte de ti, achas que isso influencia a tua forma de fotografar?

R: A Dança é outro tipo de arte que me acompanha desde os 3 anos. Quando uma pessoa pratica a Dança, é mais sensível em certos pontos de vista e mais flexível em certos temas. A dança influencia sim na minha maneira de fotografar, pois a dança não tem limites e para mim fotografia também não. Na dança estou sempre a aprender e na fotografia também, e principalmente, tanto a fazer uma ou outra, eu exprimo aquilo que sou e o que sinto e desanuvio. A dança faz-me ter mente aberta, e uma mente aberta na fotografia faz toda a diferença.

4) M: O teu trabalho é essencialmente composto por retratos. O que te fascina nas pessoas?

R: O meu trabalho não tem tema definido nem fotografo só isto ou aquilo. Faço de tudo um pouco. O retrato é o que tem mais ênfase no meu trabalho pois cada pessoa que eu fotografo conta uma história incrível e diferente. Gosto de capturar emoções e sentimentos e tenho sempre o cuidado de fotografar pessoas com traços diferentes ou algo marcante, que chame a atenção do público.

5) M: Quais são as tuas aspirações como fotógrafa? Até onde queres ir?

R: Como costumo dizer não me intitulo como fotógrafa, porque acho que um fotógrafo tem que saber fotografar mas também tem que saber as técnicas e conhecer bem o material com que trabalha, inclusive photoshop em alguns casos, e eu nisso sou um pouco limitada. Eu capturo fotografias à minha maneira e de forma a que exprima quem eu sou, mas no mundo da fotografia eu ainda quero chegar mais longe. O meu maior sonho acho que nunca irei realizar, pois para mim a família está em primeiro lugar. Foto-jornalismo era o meu objectivo: no meio da guerra capturar aqueles momentos tristes e chocantes. Se gosto de ver pessoas em sofrimento? Não, mas como disse, gosto de mostrar a realidade como ela é e existem muitas coisas que acontecem que muita gente não vê. Mas como é claro, zona de guerras é uma zona muito arriscada, e eu tenho uma família comigo onde quero permanecer. Portanto, outra aspiração mais soft seria seguir fotografia de cena.

6) M: Quem são tuas maiores influências no universo da fotografia?

R: Normalmente a minha influência na fotografia costuma ser mesmo a realidade e o quotidiano. Tudo ao meu redor me inspira, mas a música é o que mais me ajuda e o que mais me enriquece de ideias. Quanto a pessoas concretas, quem me influenciou mais foi Francesca Woodman, Richard Avedon, Helmut Newton, Diane Arbus, Sally Mann, José Ferreira. E mais uns poucos.

7) M: Que fotografia podes eleger como a mais significativa? Porquê?

R: Já fotografo há alguns anos e há sempre muitas fotografias que me cativam mais e me marcam, mas falando recentemente, uma das fotografias que mais significância teve para mim, foi um retrato de uma menina que admiro, muito talentosa e um amor de pessoa, mas que sofreu um acidente e teve queimaduras de 3º grau. Tive interesse e um tremendo gozo em fotografá-la porque esta rapariga, com o nome de Catarina Casqueiro, uma bailarina brilhante, mostrou confiança e não perdeu o seu lindo sorriso mesmo depois do acidente. Fotografei as suas cicatrizes e a sua beleza, e foi um dos trabalhos que mais sucesso teve. Até hoje ainda recebo mensagens de elogio e até mesmo de agradecimento por este trabalho, pois pessoas que tiverem outros tipos de acidentes onde os seus corpos sofreram alterações, conseguiram seguir a sua vida normalmente e com sorriso nos lábios em vez de se esconderem nos seus refúgios. Esse trabalho foi para transmitir uma mensagem: “Muito pode acontecer na nossa vida, mas no final devemos sempre sair com um sorriso”. E também, “Por mais alterações tenhamos nos nossos corpos devido a isto ou aquilo, somos sempre lindas/os”. Esta fotografia significou muito para mim pois inspirei outras pessoas, transmiti força e, principalmente, porque a mensagem chegou ao público.

8) M: Foste mãe recentemente. De que forma isso alterou a tua forma de olhar para o mundo?

R: A partir do momento que somos pais, a nossa vida muda quase por completo. Sempre ouvi dizer “thanks for the tragedy i need it for my art” (kurt cobain). Muitas das vezes inspiro-me na minha tristeza. E agora sendo mãe isso mudou, pois é rara a vez que me sinto triste. Ela preenche-me de tal forma com aquele sorriso que é impossível eu sentir qualquer tipo de dor. E, por isso, complica-me no trabalho fotográfico, mas a inspiração tem vindo de outros meios, por agora.

9) M: Deixa um recado à MELANCIA mag e a todos os leitores!

R: Um recadinho para a nova e interessante revista MELANCIA e aos leitores: A arte está sempre presente na vossa vida. Ou vocês a praticam ou vocês a vêem ou vocês a presenciam. A própria vida é uma arte. Portanto gozem da arte porque é algo que nos enriquece a mente e nos torna ilimitados e com mente aberta. Não deixem de fazer o que mais gostam, não desistam do que vos faz bem. Sejam felizes e vivam que maior parte das pessoas só existem.

Continuem atentos a esta revista, que muito nos vais trazer e enriquecer. O mundo é cheio de coisas novas e diferentes das coisas não conhecemos. Quem quiser e poder, visite a minha página (raquelopes photography) e um grande obrigada à revista MELANCIA por esta oportunidade. Até breve, obrigada.

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