Entrevista: MAFALDA JESUS

street art & pintura

RAM

Começou a atuar ilegalmente nas ruas em 97 e a partir daí foi sempre a abrir. Miguel Caeiro, mais conhecido como RAM, é um artista contemporâneo muito à frente, como ele diz ,“um viajante do tempo com a máquina avariada, preso no hoje”. Com um percurso e um portfólio recheado, conduziu sempre o seu trabalho por caminhos experimentais, criando uma linguagem singular e muito própria no mundo da intervenção urbana. As explosões dinâmicas e psicadélicas de cor e energia, criam obras que nos hipnotizam e não nos deixam indiferentes. A capa desta edição, da sua autoria, é a prova disso.

1) MELANCIA: Quem é o Miguel?
RAM: 
O Miguel é muita coisa... acima de tudo, é alguém que tem um grande respeito pelo ser humano e pelo nosso planeta azul. É alguém que se questiona sobre a evolução humana e do cosmos. De certa forma, um viajante do tempo com a máquina avariada, preso no hoje. É alguém que aproveita o curto espaço de tempo de vida, para de certa forma comunicar tudo o que experiência através do graffiti no espaço urbano. É um humano que olha para cima e se questiona sobre diversos assuntos. Acho mais fácil falar do RAM.

2) M: Porquê “RAM”?
R: RAM... No princípio era Ramsés, mas vindo eu de uma época em que o graffiti era ilegal, Ramsés tinha muitas letras para pintar e acabaria por demorar muito tempo, logo abreviei para RAM. RAM acabou por naturalmente fazer sentido, pois sendo eu rápido a pintar RAM significa R.apid A.erosol M.ovement.

3) M: Para quem não conhece, como descreverias o teu trabalho? 

R: Pós - Graffiti - Orgânico - Futurístico com pormenores visionários Rusticó/Psicadélicos. Free-Style SEMPRE.

4) M: Quais foram as maiores influências para o desenvolvimento da tua identidade artística? 

R: As influências são muitas e variadas, e por isso também não tenho um formato consistente de criação, apesar de ter um estilo que me define... Sempre andei num flow muito meu e fruto dos lugares e pessoas que tenho tido a oportunidade de conhecer. O mar e Sintra sem dúvida. Felizmente venho de uma época sem internet e sem influências exteriores e forçadas, tal como sinto nos artistas mais jovens dos dias de hoje.

5) M: O teu portfólio está em constante crescimento. Consegues eleger um trabalho? 

R: Gosto que o meu melhor trabalho seja sempre o último que realizei e se tivesse que eleger “O” melhor, de certeza que escolheria um em que me tivesse divertido e arriscado bastante tecnicamente. Provavelmente uma colaboração com outro artista ou uma das aventuras com o Gonçalo “Mar”, meu companheiro nos ARMcollective.

6) M: O que é essencial no teu dia-a-dia? 

R: O riso e a alegria da Margarida, minha namorada, juntamente com a família e os amigos. Paredes para pintar e surfar. Acreditar que é sempre possível continuar a realizar os meus sonhos e ultrapassar todas as barreiras que o sistema vai preparando. Pulmões para continuar a pintar com Sprays.

7) M: Onde encontramos o Miguel quando não está a pintar? 

R: Em casa ou na Double Trouble (meu estúdio/galeria) ou num lugar longe de Portugal, com cultura, palmeiras, ondas perfeitas, de água quente e onde também acabarei por pintar.

8) M: Qual é o teu lema? 

R: ...Vontade e sonho de ser muitos... We ARM ON...

9) M: Deixa uma mensagem à MELANCIA mag e aos seus leitores. 

R: Sumo de Melancia: 1. Tirar a casca da melancia e retirar com cuidado todas as grainhas | 2. Juntar uma colher de chá de Canela, gengibre e 8 folhas de poejo | 3. Juntar água e 3 cubos de gelo | 4. Varinha mágica até ficar liquido (juntar mais água até este ponto) | 5. Passar num espremedor e juntar uma folha de Hortelã | 6. Enjoy... | 7. Desliguem os telemóveis e tecnologias para melhor apreciarem tudo o que a mãe natureza fez questão de nos proporcionar.

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