Entrevista: mafalda jesus

Tipografia, tatuagem & street art

raivo

Dos rabiscos na mesa da escola, para o traço definitivo da sua caligrafia na pele de quem nele confia, foi um caminho longo. Raivo passou pelo Design de Comunicação, alegrou várias paredes e sobretudo nunca desistiu. A “vontade de progredir” é aliás uma característica que o artista considera que não se deve perder. Nesta entrevista também não podia faltar, claro, o delicioso choco frito de Setúbal.

1) MELANCIA: Quem é o Raivo?
RAIVO: 
O Raivo é um rapaz de 27 anos que é manobrador de viaturas 8 horas por dia e no resto das 24 horas tenta conciliar desenhar, tatuar, dormir e estar com as pessoas de quem gosta.

2) M: Porquê a escolha deste nome?
R: Este nome é o resultado de ter escolhido do abecedário as letras que mais gostava, o ‘O’ não estava lá, mas ‘raiva’ tem duas letras iguais e isso não me agradava, logo passou ao masculino, Raivo. 

3) M: Como surge o interesse pelo lettering e caligrafia?

R: Surgiu com o tempo, em 2006 dei os primeiros passos no graffiti, e com o passar do tempo percebi que as letras eram mesmo o que gostava, fui aquele clássico miúdo que riscava as mesas na escola em vez de estar com atenção nas aulas. Na faculdade tirei Design de Comunicação, acho que isso foi um empurrão para perceber a forma das letras e por onde as posso desmontar.

4) M: Começaste a tatuar recentemente. Qual é a sensação de passar o teu trabalho do papel para a pele de alguém?

R: É muito gratificante ver que há pessoas a gostar tanto daquilo que eu faço que querem ficar com as minhas letras no seu corpo, mas também é assustador todo o novo processo de aprendizagem  e a responsabilidade que vem por arrasto com o tatuar alguém.

5) M: Tu e o tvfer costumam fazer colaborações. De que forma achas que se influenciam um ao outro? 

R: O tvfer é um dos meus irmãos de outra mãe, influenciamo-nos com a critica positiva e com a parvoíce também. Acho que ele em mim ajuda muito no peso e enquadramento das coisas que faço, mutuamente somos a ‘bengala’ que ajuda a passar do ‘não estou a gostar disto’ para o resultado final positivo.

6) M: Na tua opinião, qual o papel que a street art desempenha no espaço público e para a sociedade? 

R: A street art no espaço público acaba por ser um escape ao repetitivo do dia-a-dia de toda a gente, trás cor e alegria às ruas, caso contrário seriam apenas edifícios enfadonhos todos pintados da mesma cor e fico muito contente por existirem cada vez mais eventos que levam a street art a todo o lado sendo, cada vez mais, aceite como arte e não como bonecos ou rabiscos como há uns anos atrás.

7) M: Se pudesses mudar alguma coisa no mundo, o que seria? 

R: Não consigo responder a esta pergunta porque levanta muitas outras questões, não sou muito de pensamentos abstractos, prefiro tentar ajudar seja como for, quem faz parte do meu dia-a-dia, quem está mais próximo de mim.

8) M: Qual é a música que tens em repeat? 

R: J Cole - Middle Child.

9) M: Na tua opinião, que noção é que um artista não deve perder? 

R: A humildade e a vontade de progredir. Se deixares de achar que o teu trabalho pode melhorar, está alguma coisa errada. 

10) M: Temos uma curiosidade. Qual é o melhor choco frito de Setúbal? 

R: O da Adega Leo do Petisco, no final da avenida Luísa Todi. Melhor choco de sempre.

11) M: Deixa uma mensagem à Melancia e aos seus leitores. 

R: À Melancia, obrigado pelo convite, e espero que continuem porque o conteúdo está lá. Aos leitores, percam tempo no que vos faz feliz apesar de por vezes parecer que não faz sentido, oiçam as criticas construtivas, cresçam não só como artistas mas também como pessoas.

 

www.instagram.com/raivoraivo

 PREFERES 

- Papel ou Parede? Parede.

 

- Caneta ou Pincel? Pincel.

 

- Mamas ou Rabo? Rabo.

 

- Vinho ou Cerveja? Não bebo...

 

- P&B ou Cores? P&B.

 

- Fotografia ou Vídeo? Fotografia

 

- Hip-Hop ou Rap? Hip-hop, cultura sempre.

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