Lifestyle
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Novembro 2019

ENTREVISTA: rita alvarez

Fotografias: VÁRIOS

PEGGY

HEART

Descreve-se como uma liquidificadora. Tem um estilo ecléctico e moderno, misturando o vintage e o segunda mão, com o atual. Vanessa Rosa ou Peggy Heart, é uma digital influencer que fez do Instagram o seu próprio diário gráfico e que o utiliza para nos mostrar as criações que proveem de toda esta mixórdia de cores e texturas.

1) MELANCIA: Quem é a Vanessa?
PEGGY HEART: A Vanessa é uma miúda de 29 anos, metro e meio de gente, natural da Gafanha da Nazaré e que já foi emigrante durante 8 anos em Madrid. Não gosta de estar no mesmo sítio ou a fazer a mesma coisa durante muito tempo, daí ter um passado um bocado aldrabado e à toa com coisas por terminar. Adora gatos e ficar na sua bolha. Procura sempre mais e melhor, parece fria e gosta de manter uma posição firme mas, por dentro, é toda uma manteiga a derreter muito muito sensível.

2) M: Porquê Peggy Heart?
PH: Houve uma altura, algures entre 2014/2015, que estavam constantemente a tentar entrar nas minhas contas e um amigo meu aconselhou-me a mudar a minha identidade. A primeira coisa que me veio à cabeça foi Peggy. Era Peggy Baklajan, que é beringela em russo, mas depois vi que era complicado o Baklajan e pensei em Heart, pela entoação de arte e por ser algo ligado ao amor. Assim ficou, até hoje.

 

3) M: Como começou tudo isto? Foi um objectivo bem traçado e definido ou foi algo que, quando deste por isso, estava simplesmente a acontecer? 

PH: Foi algo que simplesmente aconteceu. Comecei por partilhar o meu dia a dia, numa cidade diferente (na altura vivia em Madrid), comida, gatos... aquele clássico de Instagram com o típico filtro Valencia. Fui adquirindo um lado mais artístico e a minha conta foi-se transformando numa espécie de diário gráfico.

4) M: Como fazes o planeamento dos conteúdos da tua página? Fala-nos do processo. 

PH: Confesso que não faço nenhum tipo de planeamento, excepto quando é uma parceria/ trabalho e o post tem que ser no dia X ou com certas condições. De resto, basicamente vou publicando o que me apetece e o que me faz sentido partilhar com o mundo.

5) M: Tens um sentido estético e um estilo pessoal único. Como o descreverias? 

PH: Ai, esta pergunta é difícil! Nunca tive um estilo definido... do género, dar-lhe um nome, sabes? Mas, talvez... eclético. O vintage e o segunda mão estão bem presentes no meu estilo e gosto de misturar com peças actuais. Aliás, gosto de misturar tudo: cores, padrões, texturas. Toda eu sou uma liquidificadora: meto tudo lá para dentro e depois curto e desfruto da minha criação.

6) M: Qual a parceria que mais gostaste de fazer até hoje e de que te sentes mais orgulhosa? Porquê? 

PH: Devo dizer que até hoje gostei de todas as parcerias que fiz, porque em todas elas trabalhei com pessoas e conceitos diferentes. Mas aquela que mais me marcou, não só a nível de ligação emocional com a marca mas, também, por ter sido um ponto muito forte na minha “carreira” nestas andanças, foi sem dúvida a Gucci. Ainda hoje não acredito que aconteceu. Foi tudo tão mágico, tão incrível... desde a viagem a Nice, os sítios, o conceito e, a cima de tudo, as pessoas. Criámos uma ligação mesmo bonita, ficou a amizade.

7) M: Acho que falo por muita gente quando digo que, naturalmente, adoro o Peggy Corazón. Sentes que foi uma forma de extravasar a pressão que, inevitavelmente, recai sobre os digital influencers? 

PH: O Peggy Corazon - deixa-me contar um pouco - além de ser um tipo de conteúdo que há muito queria fazer para enfrentar um trauma/medo (o de falar e de me expressar através de vídeo), foi algo que me ajudou a lidar com a minha ansiedade. E isso nunca teria sido possível sem ajuda dos meus amigos que estão dentro e fora dos episódios. Desde sempre que queria pegar e brincar com a situação na qual estou actualmente inserida, que é o mundo dos criadores de conteúdo/influencers, e dar-lhe humor, sempre com o objectivo de rir e de fazer rir, sem ofender ninguém. Deixei isso bem vincado desde o primeiro momento. Qualquer trabalho é digno e devemos saber rir de nós próprios e do que fazemos. Pessoas sem humor ou que não conseguem ver humor nas coisas, acho tão triste, tão aborrecido.

8) M: Como foi produzir estes episódios e qual tem sido o feedback? 

PH: Foi super divertido, mesmo! Claro que, mais uma vez, não seria possível sem ajuda dos meus amigos que estão envolvidos neste projecto. O Feedback tem sido super positivo e confesso que tive algum receio no início pela questão do humor - que disse anteriormente. Tive muitas dúvidas se as pessoas iam ou não entender a mensagem mas no fim correu bem! Tenho recebido feedback tão bom e tanto amor.

9) M: Numa época em que, muitas vezes, nada nos soa a suficiente, ser digital influencer parece ser o sonho de muitas pessoas. Que conselho darias a quem gostaria de seguir as tuas passadas? 

PH: Por mais clichê que isto possa parecer, é algo que faz sentido aplicar em qualquer coisa que façamos e em qualquer objectivo ou trabalho que tenhamos: sermos constantes e consistentes mas, sobretudo, reinventarmo-nos para não sermos mais do mesmo.

10) M: Faz-nos um TOP 5 das tuas páginas de instagram preferidas. 

PH: Ai TOP 5 para mim é injusto porque gosto e sigo tantas mas tantas páginas! Posso nomear 5 que me inspiram muito sem nenhuma ordem de preferência: @wandson, @matilde__cunha , @lalovenenoso, @mirandamakaroff e @femalecollective

 

11) M: Se a Peggy de hoje, pudesse falar com a Vanessa de 10 anos, o que diria? 

PH: Pára de procrastinar! (Ahahahaha, tem mesmo de ser)

12) M: Deixa uma mensagem à MELANCIA e aos seus leitores. 

PH: Obrigada pelo convite, respeito muito o vosso trabalho!
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instagram.com/peggyheart

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