MÚSICA

Entrevista: MAFALDA JESUS

pedro

mafama

foto: @lx.insta

O artista da Graça, em Lisboa, parece trazer nas veias a portugalidade do fado de Amália, as letras quase sempre sofridas de uma grande voz do jazz como a de Billie Holiday e o misticismo instrumental de terras distantes como o Egipto de Umm Khalthoum. Uma mistura que lhe cai bem e tem agitado palcos pelo país fora. O que mais estará para chegar à vida de Pedro Mafama?

1) MELANCIA: Quem é o Pedro?
PEDRO: 
Sou um rapaz da Graça que decidiu juntar todas as memórias e influências com que cresceu e está a tentar fazer uma carreira artística disso!

2) M: Porquê Mafama?
P: Por um lado, quando escolhi esse nome, vivia todo um estilo de vida que refletia isso, por outro é uma palavra que pode ir ganhando vários sentidos ao longo do tempo e mudando de significado. E por último gosto muito do som da palavra!

3) M: Estudaste multimédia e acabaste por estagiar na Enchufada. Já havia a vontade de explorar o mundo da música nessa altura? Fala-nos dessa experiência.

P: Sim, sempre tive o sonho de ser artista e poder criar novas ideias e mostrá-las a toda a gente! A música foi um sonho desde muito cedo, e estagiar com os Buraka só me aproximou mais disso, fez-me ver de uma forma mais real e objetiva qual é o estilo de vida que é preciso ter-se como músico... 

No fim de contas, fui aprendendo e vendo os sacrifícios e as recompensas que vêm com isto, e acabei por decidir que estava disposto a arriscar!

4) M: Começaste por abordar o hip-hop e acabaste por sair desse registo e criar um estilo muito próprio. Como acontece essa mudança e o que te inspirou?

P: Ao princípio fazia hip-hop porque queria fazer algo parecido com aquilo que eu mais admirava, que sempre foram os rappers americanos. Depois fui ganhando um gosto em conseguir reinterpretar a minha cidade e cultura, fui-me apaixonando por mudar a minha própria experiência do sítio onde vivo, através de palavras e sons... E, acabei por descobrir que secalhar era isso que os meus ídolos estavam a fazer desde o início com a sua música e cultura, e que era isso que me fazia admirá-los tanto e me fazia querer conhecer todo o contexto à volta de cada um!

5) M: Fala-nos do processo criativo. Como é que tudo isto surge?

P: As minhas músicas surgem, normalmente, com um esboço de instrumental feito no computador e uma letra ou melodia de voz que vai surgindo quase em simultâneo. Depois, vou melhorando tudo até ficar feliz com a canção. Até agora não consigo separar muito bem o processo de escrita do processo de criar a música, mas pode ser que o comece a tentar fazer... Neste momento, quero experimentar formas novas e diferentes de abordar as canções!

6) M: Nos teus concertos ao vivo, estás sempre acompanhado pela Kamila, a tua dj. Como surge essa parceria?

P: Conheci a Kamila através da minha irmã, e fomo-nos encontrando por acaso aqui e ali, até que um dia, à porta do lux, depois de uma noitada, virámos amigos e percebemos que gostávamos de muita música em comum. Juntámo-nos como parceiros de palco quando eu percebi que queria ter comigo alguém que acrescentasse algo à energia do meu concerto, e não só uma pessoa com conhecimento técnico para me ajudar! A Kamila tem montes de personalidade e é uma presença muito positiva na minha vida profissional e pessoal. Um abraço forte para a minha mana <3

7) M: Qual é a sensação de subir a um palco e ver o público a vibrar com música que tu criaste? 

P: É lindo e surpreende-me sempre. Tento também lembrar-me, em cada música que canto ao vivo, das razões e situações que me fizeram escrevê-la, 

e acho que enquanto conseguir fazer isso, vou sempre cantar as coisas com alma e sentimento, e assim conseguir fazer o público envolver-se naquilo que está a ouvir. 

8) M: O que podemos esperar em 2019?

P: Podem esperar os resultados de um esforço contínuo em melhorar a minha música e consolidar todo o projeto que gira à volta dela. Sinto que estou focado em melhorar o meu trabalho, naquilo que puder e conseguir, e tenho esperança que isso se vá refletir no que apresento ao mundo.

9) M: Destaca três artistas. 

P: Amália, Billie Holiday e Umm Khalthoum.

10) M: Onde encontramos o Pedro nos tempos livres? 

P: Infelizmente não sou uma pessoa que saiba aproveitar muito bem o tempo livre, e tento passar o máximo tempo que posso a trabalhar nas minhas coisas ou a fazer pesquisa que possa alimentar o meu trabalho. No final de contas o meu tempo livre, à parte de trabalhar na minha música, acaba por ser gasto em saídas à noite, onde sinto que, de alguma forma, estou também a ouvir música nova, a conhecer novas pessoas e a trocar ideias - ou seja, consigo convencer-me a mim mesmo que as saídas podem ser tempo produtivo, apesar de a maior parte delas não o serem.

11) M: Deixa uma mensagem à Melancia e aos seus leitores. 

P: Um abraço forte para todos, do Pedro.

www.instagram.com/pedromafama

 PREFERES 

- Palco ou estúdio? Os dois! Mas talvez estúdio se tivesse mesmo mesmo de escolher.

 

- Voz ou beat? Os dois, porque no meu caso eles dependem sempre um do outro! Não sei fazer música instrumental e habituei-me a fazer com que a voz esteja sempre ligada ao instrumental para a qual é feita!

 

- Piercings ou tatuagens? Piercings porque tenho um, e tatus ainda nao tenho nenhuma!

 

- Vinho ou cerveja? Vinho em casa, cerveja na rua!

 

- Noite ou dia? Nenhum deles faria sentido sem a existência do outro!

 

- Jazigo ou Feitiço? Jazigo!

 

- Fotografia ou vídeo? Talvez vídeo, por ser feito de fotografias!

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