Ilustração & Tatuagem
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Junho 2020

Entrevista: MAFALDA JESUS

ilustrações: ozy

 
ozy

Arte urbana, streetwear e tatuagem. Ozy complementa tudo na sua arte. Estes são alguns dos temas que aborda, quer nos seus painéis de feltro meticulosamente construídos, quer nas suas tatuagens. A cor e um cheirinho de vaidade, estão sempre presentes no trabalho deste artista.

1) MELANCIA: Quem é o Ozy?

OZY: Ozy é um diminutivo de Osiris, que é uma alcunha que tenho desde muito novo. Sempre me trataram por esse nome, muitas vezes quase me esqueço do meu verdadeiro nome. Por isso não foi difícil escolher o nome pelo qual gostaria de ser conhecido.

2) M: Fazes ilustrações, colagens e tatuagens. Quando é que a arte surge na tua vida?

O: Sempre gostei de desenhar, embora tenha estado uns tempos parado por diversas situações da vida, como é normal. Temos sempre momentos mais ou menos ativos. Há uns 5 ou 6 anos, comecei a pintar com amigos. Fazia graffiti e aí voltei a querer fazer coisas novas e ganhei novamente o gosto pelo desenho. Comecei a tatuar e como queria passar do desenho para algo físico, para algo que as pessoas (e eu próprio) pudessem tocar e sentir, comecei a fazer telas. Agora sinto que, sem esses trabalhos, não seria a mesma pessoa.

3) M: O teu trabalho destaca-se pelos grandes formatos coloridos e detalhados, compostos por recortes de feltro. Porquê a escolha deste material?

O: As cores que uso são sempre coloridas e apelativas aos olhos das pessoas. Faço-o desta forma por gostar de cores vivas e por ser influenciado pelo graffitti, que é um estilo que chama muito a atenção pelo uso de cores. Como sou - ou tento ser - perfeccionista, procuro sempre dar o máximo de detalhe ao meu trabalho, para que seja perceptível e para que tenha mais impacto visual. O feltro é um material muito utilizado nas escolas, em trabalhos manuais dos miúdos, mas hoje em dia não o vemos aplicado em trabalhos de uma escala maior. Quando usamos tinta temos que esperar que seque e, como disse anteriormente, sou um bocado impaciente. Com o feltro posso usar várias cores em simultâneo e claro que o trabalho se torna mais original e se diferencia de tudo o que se vê.

4) M: A moda, principalmente o streetwear, é um tema muito presente nas tuas ilustrações e tatuagens. De que forma é que estas áreas se cruzam?

O: Desde miúdo que sou um pouco vaidoso, sempre gostei muito de roupa e sempre fui viciado em ténis. O meu gosto por moda surge por influência de familiares e amigos. Nem sempre tive vida de artista, nunca frequentei uma escola de artes, nem nunca tive bases como muita gente. Mas sempre tive visão para a arte. A rua sempre foi o meio ambiente onde estive presente e acho que é aí que as coisas se juntam. Nas vertentes boas ou más da rua, nunca deixei de gostar de me vestir bem, pelo contrário, só ajudou a que tivesse mais vontade de estar bem apresentado. Ao longo destes anos em que estive a trabalhar nos meus desenhos, quis mostrar e expressar ideias e coisas que acontecem na rua, onde tudo se cruza e de onde tudo surge.

5) M: Como surge o interesse pela tatuagem e como foi o processo de aprendizagem? Qual foi o maior desafio?

O: O meu gosto pela tatuagem vem desde que comecei a pintar. Tenho tatuagens e sempre gostei dessa arte, mas nunca tinha pensado fazer disto a minha vida. Depois de viajar algumas vezes, conheci várias pessoas que já estavam dentro do meio e acabei por ganhar gosto. Mandei vir um kit de iniciação com um amigo e começámos a tatuar. Não parei até hoje.

6) M: Como geres o tempo entre a tatuagem e os trabalhos manuais?

O: Tento gerir o tempo da melhor maneira, tentando não deixar nada para trás, nem por fazer. Quando tenho tattoos, tento marcá-las o mais cedo possível para poder acabar a tatuagem cedo e voltar a trabalhar nas minhas telas e noutros trabalhos que tenha para fazer. Nos dias em que não tenho tattoos, mantenho-me em casa só a fazer esses trabalhos manuais.

7) M: O que te mantém acordado durante noite?

O: Boa pergunta. Várias coisas... como, por exemplo, o barulho que os vizinhos fazem no prédio onde eu vivo. Agora a sério, tenho trabalhos que
me dão vontade de acabar o mais rápido possível porque, como já disse, sou muito impaciente e quando estou a gostar de os fazer, só quero vê-los acabados e não consigo dormir. Ou se tiver novas ideias que queira pôr em prática. Mas, de um modo geral, tudo o que sinto necessidade de perder tempo, tira-me o sono. Sou uma pessoa que gosta muito de viver à noite.

8) M: Destaca 3 artistas.

O: Odeith, Bordalo II, Aheneah.

9) M: Onde gostarias de ver o teu trabalho? 

O: Como qualquer artista, gostaria de ver o meu trabalho em galerias de arte, tanto aqui em Portugal como noutros países. Poder fazer murais em vários sítios, para que o meu nome possa sair da minha varanda, onde produzo, e do meu estúdio. Sei que é um longo caminho, mas acreditando conseguimos chegar onde quisermos.

10) M: O que é essencial no teu dia-a-dia? 

O: Saber que dei o máximo de mim nesse dia e estar bem comigo próprio. Saber que me esforcei para ser melhor, tanto profissional como pessoalmente.

11) M: Deixa uma mensagem à MELANCIA e aos seus leitores.  

O: Quero agradecer a oportunidade de estar aqui a falar de mim e poder mostrar um pouco do que sou por palavras. A mensagem que deixo a toda a gente é que temos que lutar sempre pelo que queremos, independentemente das nossas origens.

www.instagram.com/ozyfromblock/

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