street art

Entrevista: juliana lima

NESPOON

NeSpoon encaixa-se no grupo de artistas inspiradoras que, para além de belas obras de grande impacto e bastante diferenciadas, têm um propósito e o objetivo de deixar o mundo mais bonito. Temos de concordar que, de facto por onde ela passa, espalha beleza utilizando uma linguagem universal: a renda. Apesar deste ofício ser tão presente nas tradições portuguesas, Nespoon é polaca mas já visitou Portugal muitas vezes. Nesta entrevista exclusiva contou-nos que viaja muito pelo mundo espalhando a sua arte. Sorte a nossa.

1) MELANCIA: Quem é a NeSpoon?
NESPOON: 
Eu crio obras que ficam no meio da rua, e faço arte com cerâmica, pintura e também escultura. Eu gosto de fazer arte positiva e lidar com emoções positivas. Às vezes, eu também incluo na minha arte questões sociais e políticas que considero importantes.

2) M: Quando a tua paixão pela arte começou?
N: Eu sempre pintei, mas comecei a criar arte nas ruas em 2009. Esse foi o momento em que eu nasci de novo, e me tornei NeSpoon. É por isso que eu costumo dizer que tenho 7 anos.

3) M: O teu trabalho é muito único e bastante criativo. Quando e como o teu interesse por fazer arte com renda começou? 

N: Eu uso a renda porque nela podemos encontrar um código estético universal, que está profundamente enraizado em cada cultura. Quando eu adiciono cores nas minhas pinturas, as pessoas dizem que há inspiração nas mandalas tibetanas, nas cerâmicas marroquinas ou mesmo na arte précolombiana. A renda especificamente contém um código básico de beleza, comum para a maioria das pessoas. Em todas as rendas encontramos simetria, algum tipo de ordem e harmonia, não é isso que todos nós procuramos instintivamente? .

4) M: E arte urbana com a renda? Fala-nos sobre isso. 

N: Um dos meus ofícios favoritos é a cerâmica. Renda são uma forma comum de decoração da cerâmica em todo o mundo. Um dia eu pensei que em vez de potes, eu poderia fazer uma renda cerâmica e colá-la em algum lugar da parede - para as pessoas. Isso foi de 2009.

5) M: Conta-nos como organizas os teus projectos e fala-nos sobre o teu processo criativo e materiais que utiliza.

N: Quando aparecem boas ideias no meu dia a dia eu faço alguns esboços e notas para começar a trabalhar. Eu uso muitos meios de comunicação em meus projetos, como cerâmica, escultura, grafite ou projeções de vídeo. O processo mais trabalhoso mesmo é a cerâmica, que preciso de semanas para preparar. Para projetar e cortar o estêncil para uma pintura mural e necessário de 4 a 5 dias, e 3 a 4 para a pintura. Eu desenho e corto os meus stencils com a mão, não há máquinas envolvidas, essa é a regra. Eu não faço rendas, eu compro de artistas, e aí eu experimento e misturo os tecidos.

6) M: Sabemos da tua visita a Portugal para uma instalação em Sintra. Fala-nos sobre esta tua experiência.

N: O trabalho em Sintra não foi apenas um grande prazer, mas também um privilégio. Tenho observado turistas que visitam o Parque da Pena. Parece que o propósito básico é o de ir do ponto A ao ponto B, para encontrar o caminho certo entre inúmeros outros. Os turistas mantêm-se constantemente vendo os seus mapas de papel, olhando para os seus smartphones, em pé a pensar enquanto olha para os sinais de trânsito... Eu acredito que o parque oferece a oportunidade para uma experiência diferente. Uma coisa não tem de encontrar caminhos, deve deixar-se perder e talvez depois de algum tempo encontrar uma nova perspetiva, mais ampla. Perceber que tudo está conectado cria um padrão harmónico. E esse é o privilégio de fazer uma escolha consciente entre um número infinito de possíveis caminhos e criar o seu próprio caminho.

7) M: Tens um trabalho teu favorito? Se possível destaca-nos um que te orgulha.

N: Eu sei que as pessoas conhecem a minha arte de rua porque é visualmente atraente. Um dos meus melhores trabalhos de rua foi o meu mural na cidade do Fundão, Portugal. Mas o meu projeto mais importante é “Pensamentos”. Desde os quatro anos eu moldo milhares de pétalas de porcelana. Este trabalho é como a meditação. Hoje 150 kg de pétalas está pronto, mas vou continuar este projeto até ao fim da minha vida. Durante as exposições, as pessoas podem jogar pétalas, elas emitem um som especial. Eu acredito que elas podem limpar a mente. Durante a minha exposição no MoMA de Nova Iorque,1500 kg de pétalas foram apresentadas ao público.

8) M: Fala-nos sobre as tuas inspirações. 

N: A maioria delas, especialmente a minha arte com rendas, vem de dentro de mim. Os projetos relacionados a questões sociais e políticas geralmente vem de notícias e minhas experiências de viagem, por exemplo “Imagine um mundo sem água”.

9) M: Na tua opinião, qual o segredo do teu sucesso? 

N: Eu ainda estou começando. É apenas o primeiro reconhecimento, não o sucesso. Poderei dizer o segredo do sucesso depois da minha exposição no MoMA.

10) M: Qual o teu lema de vida? 

N: Viver uma vida longa e feliz, amar, não prejudicar ninguém e deixar o mundo em uma melhor forma.

11) M: E o teu grande sonho? 

N: Paz no mundo. Sou como uma típica candidata a Miss Universo. Mas se me perguntares sobre as minhas metas, eu gostaria de criar uma grande instalação multimédia em escala mundial.

 

12) M: Tens planos para 2016? Exposições individuais viagens ou outros projectos? Fala-nos um pouco sobre isso. 

N: Eu viajo muito. Acabei de voltar da França, em breve irei para a Rússia, Ucrânia, Irlanda e Inglaterra.

13) M: Deixe uma mensagem para a MELANCIA mag e os seus leitores. 

N: Legalize isso!

www.facebook.com/nespoon.polska

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