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Entrevista: MAFALDA JESUS

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MARIANA

​CÁCERES

Tal como o Marco Paulo, Mariana tem dois amores: a ilustração e a tatuagem. São dois pólos distintos sem, por isso, serem opostos, acabando por se complementar e dar vida ao universo mágico e delicioso da artista. Nesse universo, o vermelho e o azul são os tons que mais reinam, num contraste de quente e frio, que preenche figuras de animais e plantas inspirados nas músicas que ouve e nos filmes que vê.

1) MELANCIA: Quem é a Mariana? 

MARIANA: A Mariana é uma ilustradora de 29 anos, vive em Lisboa e partilha casa com o cão. Estudou Desenho na FBAUL e Ilustração e BD na Ar.co. Gosta de desenhar, músicas para chorar e de uns bons munchies.

2) M: Desenhas desde sempre. O que te atraiu no mundo da arte e o que só ela te dá?

M: Lembro que me comecei a interessar pelo desenho com a minha avó, quando me fartei de passar a tarde a ver Sailor Moon ou quando já tinha papado todas as histórias da Disney. A partir daí desenvolvi cada vez mais o monstro de desenhar o que via ou o que imaginava. Penso que a liberdade como fuga do real e do quotidiano é o que mais me atrai na ilustração. A possibilidade de criar algo novo ou contar uma história só com um lápis e um caderno. Pode funcionar também como terapia.

3) M: Como surge o interesse pela tatuagem e como foi o processo de aprendizagem? Qual foi o maior desafio?

M: Foi um acaso muito aleatório. Fui levar um munchie a um amigo que estava a ser tatuado e a pessoa que o estava a tatuar e que conhecia o meu trabalho de ilustração perguntou-me se por acaso teria curiosidade em aprender a tatuar. Primeiro pensei que era uma piada mas afinal era mesmo a sério e decidi aprender e explorar como funcionam as tatuagens. O maior desafio talvez tenha sido a passagem do suporte papel para pele/corpo que pertence a alguém, onde não existe borracha para apagar.

4) M: Os animais e as plantas são claramente uma inspiração para ti. Por alguma razão em especial? Que outras coisas te inspiram?

M: Penso que retiro muito da música, filmes e muitas horas a nadar na internet. Visitar museus ou uma boa estufa resulta muito bem para mim também, há muito material para absorver. Um bom passeio com o cão ou conversas paralelas também geram boas ilustrações.

5) M: Como tem sido a pandemia para ti? Sentes que tiveste mais tempo para criar ou que bloqueou a tua criatividade? 

M: Mais tempo sim, mas não necessariamente mais ou a mesma vontade de ilustrar. Foi e ainda está a ser uma espécie de montanha russa, alguns dias correm bem e consigo produzir trabalho ou desenvolver ilustrações mais pessoais, outros nem por isso. Nesses dias como bolo e espero acordar a rainha da inspiração na manhã seguinte.

6) M: Na tua opinião, quais são as maiores dificuldades desta profissão?

M: No geral, os eternos recibos verdes, a falta de interesse e apoio à cultura quando a mesma e todas as pessoas envolvidas são constantemente colocada em último plano e claro, a actual ministra da cultura. No particular, a incerteza de qual será o meu rendimento mensal, clientes habituados a orçamentos precários que exploram recém-licenciados e a maior dor de cabeça do trabalhador independente, a segurança social.

7) M: Se não fosses tatuadora e ilustradora, o que te vias a fazer profissionalmente? Tens alguma outra paixão que gostasses de explorar?

M: Animação e modelação 3D? Não sei, talvez fizesse umas cerâmicas.

8) M: A música faz parte da tua rotina de trabalho? O que costumas ouvir?

M: Sempre. É a minha ferramenta preferida para me concentrar, desbloquear ideias, absorver outras ou definir o mood que quero seguir na ilustração. Ultimamente talvez passe mais tempo a decidir o que ouvir do que a desenhar mas funciona na mesma! James Blake, Björk e Fka Twigs sempre que quero chorar em estilo. Kali Uchis para acordar bem dispostaça. Never the Right Time do Andy Stott tem desbloqueado algumas ilustrações e estou obcecada com último EP da Maria Reis, A Flor da Urtiga.

9) M: O que é essencial no teu dia-a-dia?

M: Para acordar e ser funcional, café. Depois headphones, lápis e cão (não necessariamente por esta ordem).

10) M: Deixa uma mensagem à MELANCIA e aos seus leitores. 

MS: Bebam água e não se esqueçam de votar!

@marianarcaceres

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