LIFESTYLE

Entrevista: RITA ALVAREZ

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LISBAETA

MATHIEU DUBET

“Impalpável” é a palavra eleita pelo Hair Stylist Luso-Francês Mathieu Dubet para descrever o LISBAETA. Aberto a interpretação, é um espaço inconvencional, um lugar livre de preconceitos e barreiras, onde podemos (e devemos!) ser quem realmente desejamos. Cortes arrojados, cores fortes e cabelos estampados são algumas das páginas de um portfólio de criações que resultam do equílibrio entre os desejos dos clientes e a perícia dos criativos.

1) MELANCIA: Quem é o Mathieu?
MATHIEU DUBET: 
Mal comparado, o Matt é apenas a pessoa que semeou a 1ª germe e que juntou as condições necessárias para que nascesse uma árvore. Depois disso, muita gente passou por lá e regou, cuidou e podou!


2) M: Porquê LISBAETA?
M: A filosofia e o conceito do LISBAETA, começaram a ser preparados e trabalhados no final de 2014. O nome surgiu após um brainstorming composto por amigos e clientes. Na altura, procurávamos um nome que juntasse o contemporâneo e o tradicional. Queríamos que fosse claro ao ponto das pessoas entenderem do que se tratava mas, também, que fosse fácil de pronunciar em várias línguas. Apesar de “cabeleireiro” ser uma palavra engraçada, a maioria dos estrangeiros tem dificuldades a pronunciá-la. O LISBAETA nasceu da junção de “Lisboeta” e “Baeta”. Para quem não sabe, Baeta era o nome que se dava ao “barbeiro da aldeia”, a quem aparava e cortava os cabelos.

3) M: Fala-nos da tua equipa.

M: Poderia falar de cada um dos elementos que se juntou à equipa ao longo destes anos. Cada um deles trouxe uma pedra à construção que hoje é o LISBAETA. Uns ficaram, outros saíram, mas todos trouxeram algo. Não é fácil estar constantemente a pensar, inovar, trabalhar, surpreender e aprender... Os que fazem parte da equipa hoje, são de facto os elementos que se identificam com esta filosofia e que contribuem para a alimentar. São uma tribo, uma família que constrói todos os dias o LISBAETA de amanhã.

4) M: Conta-nos a tua história. Do começo de tudo até à abertura do espaço no Chiado.

M: Conheci e colaborei com vários salões de cabeleireiros em França e em Portugal. Uns maiores, outros mais pequenos. Ao longo dos anos, percebi que a maioria deles queria fazer a diferença, ter a sua própria identidade. No entanto, eram quase todos muitos semelhantes no desenho dos projetos de arquitectura, na forma de tratar os clientes, na inovação e na gestão do espaço e das equipas. Uma vez que, não encontrava um salão que se diferenciasse nesses aspectos, cheguei à conclusão que tinha que criar um conceito novo. Optei por repensar a forma de “fazer cabelo” e, em 2014, demos o passo. Comecemos por identificar aquilo que não queríamos: os erros que cometíamos sempre, o material que utilizávamos, os visuais que repetíamos vezes sem conta. Sondámos os nossos clientes, parceiros e amigos para construir algo em conjunto e para todos. Pouco a pouco, surgiu aquilo que fazia sentido. O LISBAETA não é um local ou um conceito, é algo impalpável mas que se sente. É uma maneira de “produzir um resultado” através de uma experiência agradável e conjunta. Este conceito poderia ser realizado em qualquer sítio, tal como o palco de um teatro, a carruagem de um comboio, um apartamento caloroso ou um dos magníficos salões de recepção da câmara municipal de Lisboa. Não interessa onde, interessa como. Até agora, fizemos um belo percurso na irreverência e na desconstrução dos maus hábitos, mas ainda temos muito trabalho pela frente. É essencial pensar e repensar continuamente a nossa maneira de vos receber e trabalhar para nunca cair na monotonia porque não queremos ser apenas mais um.

5) M: Que experiência podemos esperar ter no LISBAETA?

M: No LISBAETA tentamos identificar aquilo que não funciona no vosso cabelo e transformá-lo em algo que faz todo o sentido tanto para vocês, como para o vosso dia-a-dia. Não é a imposição de um visual “fashion” ou de uma “tendência”, é o resultado de uma construção conjunta entre os desejos do cliente e o criativo, que tem as ferramentas para inovar e facilitar o processo de realização. É a escolha da beleza real, sem photoshop nem filtros, a beleza políticamente comprometida no respeito do ambiente, do planeta e dos seres vivos, pela liberdade e emancipação de todos. É um lugar onde, cada um de nós, pode ser quem deseja ser sem preconceitos nem barreiras.

6) M: Arrisco-me a dizer, pelo que vejo do teu espaço, que te reges pelo lema “os olhos também comem”. Como foi todo o processo arquitectónico e decorativo? Sentes-te feliz com o resultado final?

M: Na construção do 1º LISBAETA era importante, para nós, trabalhar com um arquitecto que nunca tivesse realizado nenhum projecto de salão de cabeleireiro. Queríamos evitar ser apenas mais um e, portanto, optámos por trabalhar com o Leo Marote. O espaço era pequeno e essa foi uma grande limitação na criação de um projecto completamente irreverente... tivemos de aproveitar cada m2 da área disponível. O Leo optou por utilizar materiais já existentes para criar um espaço que pudessemos ir modificando à medida que o conceito fosse crescendo, de forma a adaptar o espaço às nossas necessidades e não o contrário. Em 4 anos, modificámos muito o projeto inicial, como se andássemos a desmontar e a montar um lego. Contudo, continuámos com as mesmas regras: usar materiais presentes no nosso dia-a-dia e que servissem para o nosso conforto visual. Tais como os materiais que temos em nossa casa: madeira, ferro, vidro, tecido... e, sobretudo, não recorrermos a materiais e elementos impessoais, como os que se encontram habitualmente nos salões de cabeleireiro (carrinhos de fornecedores, posters das marcas de tintas, luzes brancas no teto, pladur liso, etc). A arquitectura e o design são muito importantes para um conceito, definem o contexto da história que estamos prestes a contar.

7) M: Como tem sido o feedback dos clientes e da comunicação social?

M: Nunca tentámos forçar a comunicação social nem pagámos para que falassem de nós. Estavámos mais preocupados em desenvolver o “saber fazer” (educação, identidade) do que em espalhar o “fazer saber” (impressa, tv, redes sociais, bloggers). E ainda continuamos com essa ideia. Actualmente, ainda há muita gente que não conhece o nosso trabalho. Talvez venham a conhecer um dia. Relativamente aos clientes, estamos sempre à vontade para receber qualquer tipo de feedback, essa é a nossa filosofia. A maioria é positivo mas, às vezes, pode acontecer que seja menos positivo. Nesse caso tentamos perceber como modificar o resultado para que os nossos clientes fiquem felizes. A nossa vontade nunca foi sermos os melhores, preferimos ser os favoritos e, para isso, temos de ser capazes de ouvir.

8) M: Cabelos com cortes arrojados, cores fortes e, até mesmo, desenhos. Sentes que, cada vez mais, as pessoas procuram e exploram mais este tipo de manifestações artísticas?

M: Sinto que, em Portugal, há pouca diversidade nos cabelos. Não me refiro necessariamente aos cabelos às cores ou com desenhos. Sinto que, de forma geral, os visuais são muito repetidos, chapa 5. Talvez por várias razões... pode ser a falta de oferta ou de procura por formação, o medo de ser diferente e sair do padrão, o não saber por onde começar... a maioria dos nossos clientes não tem o cabelo às cores, com desenhos, rapados ou com um estilo arrojado. Até são low profile. No entanto, tentamos dentro do possível e dentro dos hábitos de cada um, trazer algo de personalizado para que os visuais sejam únicos.

9) M: Acredito que, quem vos procura, sabe que está em boas mãos. Acontece muito terem total liberdade para fazerem o que acham melhor?

M: A total liberdade é uma utopia. Nós não somos artistas que vendem obras expostas no mercado da Arte, nós compomos com os nossos clientes consoante a história deles. Quando chega alguém e nos diz que temos total liberdade, tentamos sempre saber mais sobre a sua personalidade, os gostos,

as expectativas, os hábitos... geralmente explicamos que até podemos fazer algo que fica bem, mas isso não significa que a pessoa irá gostar.

10) M: Daqui a 20 anos, o que achas que te deixará nostálgico?

M: Não costumo ter nostalgia por aquilo que já vivi. Portanto, o que me deixará nostálgico, serão as ideias brilhantes ou projetos geniais que chegaram a ver a luz do dia, mas que acabaram por ser efémeros por inúmeras razões...

11) M: Deixa uma mensagem à MELANCIA e aos seus leitores. 

M: Se tivéssemos total liberdade, faríamos com que a última pagina desta entrevista fosse feita de um elemento reflector, como um espelho para que todos se pudessem ver. Colocaríamos apenas uma frase: “e se falássemos dos vossos cabelos e criássemos algo que vos reflete?”

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