origami & esculturas em papel

Entrevista: mafalda jesus

joão

charrua

Nome: João Charrua

Idade: 39 anos
Sou de: Beja, mas resido actualmente em Évora
Sou conhecida por: Andar ao papéis

A minha arte é: Dobrar, com papel, geometrias imaginárias

1) MELANCIA: Quem é o João?
JOÃO: O João Charrua é um tipo bastante normal com uma imaginação anormal(mente) extraordinária. Sou persistente, o que muitas vezes é confundido com paciente, mas a paciência não é um dos meus fortes. Gosto dos pequenos prazeres da vida e, especialmente, de dormir. Talvez seja porque posso sonhar quando durmo.

2) M:  Como começou a paixão pela arte do origami? 
J: Creio que o primeiro contacto surgiu quando a minha mãe me mostrou uns livros de origami quando era muito novo. Devia ter, por essa altura, uns 6 ou 7 anos. Aqueles livros eram fantásticos pois tinham coladas algumas figuras dobradas que eu descolava e tentava dobrar novamente pelos vincos. Mais tarde, na escola, lembro-me de dobrar alguns modelos tradicionais como jogos, chapéus, aviões, barcos, entre outros. Depois passou um longo período de tempo em que não tive grande contacto com origami, apenas muito esporadicamente, quando via algum modelo dobrado nalgum sítio. O renascer do interesse por esta arte deu-se há cerca de dez anos atrás quando, por um acaso, me cruzei com alguns maravilhosos modelos que iam circulando pelas redes sociais. Perguntava-me como era possível conceber aquelas peças magníficas sem cortes, até que decidi investigar e comecei a fazer alguns origami através dos diagramas de uns livros e vídeos que
ia encontrando na net.

3) M: Tens formação em arquitectura. De que forma estas duas áreas se cruzam?

J: Hoje em dia o origami é visto como uma ferramenta de investigação em muitas áreas profissionais, como por exemplo a engenharia aeronáutica, o design de objectos e até mesmo a medicina… Entre elas está também a arquitectura. De um ponto de vista conceptual, o origami, tal como a arquitectura, visam a construção de um objecto e ambos utilizam as mesmas bases teóricas da geometria e matemática, sendo que diferença está na escala e no modo de fazer. O origami pode servir também de inspiração estética para um projecto de arquitectura ou apenas como objecto de estudo arquitectónico. Pessoalmente, vejo o origami como um complemento à minha actividade profissional e, essencialmente, como um meio em que posso de uma forma mais livre expressar a minha criatividade. 

4) M: Para ti, que encanto esconde uma simples folha de papel? 

J: Para mim, olhar para uma folha de papel é como um pintor a olhar para uma tela vazia ou um escultor a olhar para um bloco de pedra em bruto... As possibilidades de criação são infinitas. O único limite é a nossa imaginação.

5) M: O teu trabalho foi uma surpresa, nunca tinha visto algo semelhante. Na tua opinião, o que é que falta para esta arte ser reconhecida?

J: O meu trabalho diferencia-se um pouco das peças figurativas mais tradicionais de origami em que os temas são normalmente inspirados na natureza (animais, plantas, etc.). Eu crio esculturas de papel que são baseadas num imaginário muito particular. Creio que este factor me deu algum reconhecimento internacional dentro da comunidade de origami. Posso dizer que o meu trabalho já correu o mundo e passou por países como Estados Unidos, França, Inglaterra, Israel, Taiwan, Espanha… Não considero que o origami tenha falta de reconhecimento, pelo contrário. O origami é, hoje em dia, uma arte amplamente reconhecida em muitos meios artísticos e bem cotada em galerias de arte e museus. Um bom exemplo disso  são os artistas que utilizam o origami no seu processo de criação e que vale a pena dar uma vista de olhos, como por exemplo, Richard Sweeney, Shipho Mabona, Paul Jackson, Junior Fritz Jacquet , entre muitos outos. Publicações, artigos e entrevistas como estas são importantíssimas para dar a conhecer o origami contemporâneo a um público mais vasto e mostrar o que hoje em dia se pode fazer com uma simples folha de papel. Obrigado pela oportunidade!

Instagram: @joao_charrua

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