FOTOGRAFIA

Entrevista: rita alvarez

JOANA

RAINER

Nome: Joana Lopes

Idade: 26 anos
Sou de: Vila Franca de Xira 
Sou conhecida por: Joana Rainer

A minha arte é: Fotografia 

1) MELANCIA: Quem é a Joana? 
JOANA: A Joana tem 26 anos de mistério e melancolia, amor e desamor, ternura e tristeza, vazio e caos, calor e angústia, paixão e raiva, nostalgia e esquecimento, beleza e fealdade, confusão e compreensão, humor e mágoa, ansiedade e sensibilidade.

2) M: Fala-nos sobre a série "Lucid Dreams". 
J: “Lucid Dreams” começou por ser, há cerca de dois anos, o modo como comecei a olhar para as minhas fotografias. É nesta série em particular, fotografada em São Miguel, que sinto que este termo mais se espelha e afirma. Foi o melhor sonho lúcido que tive até hoje. Contemplo o resultado e sinto, imediatamente, que estou dentro daqueles sonhos cheios de eco e de nevoeiro - sei que é lá que quero ficar, ir ficando. Como quando sonhamos que estamos a cair e vamos acordar quando chegarmos ao chão mas, neste caso, eu não acordo: ou melhor, acordo lá e não cá. Caio sem chegar aqui e lá fico, vagarosamente, num deambular de asas em sereno limbo onírico.

3) M: O que acreditas ser essencial para capturar uma boa fotografia? 

J: Pergunta difícil. Creio que o que quer que seja essencial para uma boa fotografia se manifesta de maneira diferente, única e complexa em cada pessoa: e é, por isso mesmo, indecifrável.

4) M: O foco da maioria das tuas fotografias é a figura humana sob um misto de melancolia e nostalgia. Como descreverias o teu estilo? 

J: Sinto que a melancolia e a nostalgia são, sem dúvida, intrínsecas ao meu estilo, e que talvez o termo “sonhos lúcidos”, tal como eu o vejo, possa ser usado para descrever o meu estilo. Diria que há também uma intensidade contida. Porquê? Não sei. Talvez porque haja uma relação umbilical entre aquilo que faço e as minhas emoções, os meus sentimentos, os meus estados oníricos. Não me separo. Aquilo que vejo quando a câmera está à minha frente é aquilo que sou (seja lá o que isso for), que fui ou que estou a ser. A relação que tenho com o retrato, o autorretrato e a paisagem é muito específica neste sentido. Sempre me desliguei muito de coisas demasiado pensadas (e eu penso muito!) e compostas porque se for eu a fazê-las dessa maneira, o resultado é artificial e apático. Não resulta comigo. Fotografo pelos encontros e desencontros.

5) M: Qual foi a reacção da tua família quando disseste que querias ser artista? 

J: Nunca me afirmei dessa maneira perante a minha família (ou até perante mim mesma). Desde criança que desenhava e pintava incansavelmente – isto durou até à minha adolescência. Depois apareceu a fotografia e foi aí que decidi ficar. Eles sempre souberam que eu” fazia coisas”, não houve um espaço ou um momento para uma afirmação assim tão limpa – houve, sim, uma afirmação que esteve lá desde sempre e que foi crescendo e mudando comigo, tal como todas as outras coisas que existem em mim.

instagram: @joana.rainer

joanarainer.com

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