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Entrevista: mafalda jesus

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Nome: Inês Pignatelli

Idade: 25 anos
Sou de: Paço de Arcos
Sou conhecida por: Ink Pignatelli

A minha arte é: hibridismo entre corpos vegetais, animais e humanos

1) MELANCIA: Quem é a Inês? 
INK PIGNATELLI: Sou uma pessoa de dualidades, choco constantemente comigo mesma. Por um lado, sou introvertida e caseirinha, por outro, sou extrovertida e enérgica. Prefiro mil vezes o calor, mas gosto muito de dias frios e chuvosos quando tenho a possibilidade de ficar em casa de papo para o ar. Sou altamente procrastinadora mas, ao mesmo tempo, perfeccionista e ambiciosa, o que me leva a não produzir tanto quanto gostaria, nem a descansar tanto quanto preciso, e isso causa-me alguma ansiedade. É uma luta constante tentar criar uma rotina eficaz.

2) M: Quando percebeste que a arte fazia parte do teu percurso? 
I: Desenho desde sempre, desde que me lembro de ser gente. Claro que todas as crianças desenham a algum ponto, eu nunca parei. A minha família conta que eu estava sempre com papel e lápis na mão e que dizia que queria ser veterinária e pintora nos tempos livres. Rapidamente percebi que não gostava de matemática, então deixei as ciências de lado. Ter vários familiares ligados às artes com certeza também influenciou o meu percurso: o meu avô foi um dos pioneiros do design português, António Garcia; três dos meus tios sempre pintaram; toda a família sempre incentivou bastante o meu lado artístico, o que posso considerar um grande privilégio. Sei que muitos não têm a sorte de ter este apoio fantástico no seio familiar.

3) M: Apresentas-nos um trabalho detalhado, onde a figura humana e a natureza se entrelaçam. O que te cativa nestes temas? 

I: Sempre fui muito ligada aos animais e sempre me fascinaram - penso que era essa a razão pela qual ambicionava ser veterinária quando era pequena, até porque a ideia de ter de ver animais magoados nunca me agradou assim tanto. À medida que fui crescendo e conhecendo mais sobre o mundo, desenvolvi uma grande preocupação pelo ambiente, e fui reparando em como o ser humano em geral está completamente dessintonizado do planeta onde habita, como se não fizesse parte dele. Parece que somos uma criatura alienígena que, simplesmente, ocupou a Terra e começou a destruir tudo o que se apresentasse como obstáculo ao seu “desenvolvimento”, sem tomar em consideração que existe um equilíbrio a ser respeitado pelo seu próprio bem. Sendo assim, decidi juntar à força o ser humano com corpos vegetais e animais.

4) M: Na tua opinião, o que distingue as pessoas criativas das outras?

I: Nunca pensei muito nisso. Não gosto muito de separar as pessoas por caixas, além de que acredito que toda a gente tenha um lado criativo em si, pode é não demonstrá-lo ou desenvolvê-lo devido à ideia de que, para se ser criativo, é preciso saber desenhar, escrever ou dançar, e não considero que isso seja verdade. É preciso criatividade para investigação científica, organização de eventos e culinária, por exemplo. Acredito que a criatividade seja algo intrinsecamente humano, é preciso é mudar a forma como ensinamos às crianças o que é a criatividade. 

5) M: Num cenário imaginário: Amanhã acordas e podes fazer o que quiseres. Por onde começas?

I: Sem consequências? Vou roubar uma caravana e um monte de material, comida e cerveja, pego nos meus cães e vou por aí ver sítios bonitos, descansar a cabeça e ser produtiva ou, se calhar, desapareço só e volto quando menos se esperar.

Instagram: @ink.pignatelli

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