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Julho 2019

digital influencer

ENTREVISTA: mafalda jesus

hero

to zero

Da paixão pela Natureza e pelo mundo que a rodeia, nasce uma preocupação: querer evitar o desperdício. O R-Coat foi a maneira que Anna encontrou para mostrar que o caminho passa pela sustentabilidade e reciclagem. Casacos que, para além de giros, despertam consciência e evitam a alimentação de uma das indústrias mais poluentes da atualidade - a indústria da fast fashion.

1) MELANCIA: Quem é a Anna? 
ANNA: Faço 26 anos este mês, adoro a natureza, gosto de rir e sou apaixonada pelas coisas que faço. Sou italiana, mas tive a sorte de viajar bastante e há muitos lugares onde me sinto em casa. 

2) M: O que te trouxe a Portugal? 
A: Durante a licenciatura, fiz Erasmus em Lisboa e apaixonei-me por Portugal. Queria muito voltar e, por isso, procurei um Mestrado em Lisboa na área ambiental. Estou a acabá-lo, mas já sei que vou ficar.

3) M: Quando descobriste que havia uma Anna ecológica dentro de ti? 

A: Acho que sempre houve. O meu pai é guarda florestal e cresci a brincar nas florestas e a apreciar a natureza. A ecologia tem feito parte de mim desde sempre, mas aprendi muito nos últimos anos.

4) M: Segues uma ideologia de zero desperdício. Como começaste a mudar os teus comportamentos? 

A: Quando me mudei para Lisboa em 2017, vi um vídeo da Lauren Singer a falar do frasquinho dela, em que consegue guardar o lixo produzido nos últimos anos. Esse vídeo inspirou-me e comecei a procurar mais coisas sobre o “zero desperdício”. Percebi que era um tema de grande importância e que tinha poder para mudar coisas. Comecei a olhar para o que deitava fora e procurei alternativas melhores que não produziam lixo. A primeira coisa que fiz foi deixar de comprar os saquinhos de chá e comecei a usar um infusor com chá comprado a granel com os meus saquinhos e frascos reutilizáveis.

5) M: Achas mesmo possível uma pessoa fazer zero desperdício? 

A: Não, acho que fazer algum tipo de desperdício - seja lixo, energia, ou outras coisas - é normal, especialmente num contexto urbano. Eu vejo o “zero” em “zero desperdício” como uma meta ideal que me inspira a fazer sempre melhor no meu dia a dia.

6) M: Não te preocupa que a comida que vais buscar ao lixo comprometa a tua saúde? 

A: Não, não estou muito preocupada com isso. Primeiro, não acho que a comida que encontro nos contentores esteja pior da que é vendida nos supermercados... Só está um bocado mais esmagada e pegajosa porque está toda acumulada num caixote, como se fosse lixo. Segundo, para ter a certeza de evitar eventuais riscos, só levo para casa produtos embalados e não como frutas e verduras cruas.

7) M: Como surgiu a ideia de criar casacos a partir de chapéus de chuva? 

A: Quando mudei para Lisboa comecei a ver que nos dias de chuva havia muitos chapéus partidos nas ruas. Na altura estava a aprender muitas coisas sobre o “desperdício zero” e ao ver os guarda-chuvas só pensava na quantidade de recursos usados para produzi-los e no impacto que seria criado ao dar-lhes uma utilização... Deixá-los lá, sim, seria um grande desperdício! Sabia que o valor desses chapéus não tinha desaparecido, só porque uma pequena parte estava partida, então comecei a levá-los para casa sem saber o que ia fazer com eles. Só depois de um ano é que decidi costurar o primeiro R-Coat.

8) M: Como funciona o processo até terminar o casaco? 

A: Os chapéus são encontrados nas ruas ou doados por pessoas nos pontos de entrega em Lisboa. Primeira coisa, desmonto a parte de metal/plástico e lavo os tecidos. Depois deixo a criatividade escolher as cores e o design e faço um desenho e levo tudo para a costureira. Gostaria de fazer eu a parte da costura também, mas só aprendi a costurar quando decidi fazer o primeiro R-Coat, há um ano e as minhas competências não são suficientemente boas para fazer um bom produto.

9) M: Na tua opinião o que é mais urgente? Mudança de comportamento nas pessoas ou na indústria e serviços? 

A: As duas são fundamentais, mas se tiver de escolher, acho que é melhor haver mudanças de comportamento. Se houver mudança na indústria e serviços, as pessoas serão obrigadas a mudar, mas acho que isso pode levar a situações contraproducentes. Por outro lado, mudanças de comportamentos são o resultado de um ganho de consciência, conhecimentos e sensibilidade para o tema e é provável que vá haver algum efeito de trasbordamento em outros comportamentos. Por exemplo, quando se começar a reduzir o desperdício por razões ambientais, é provável que o passo seguinte vá ser reduzir produtos animais, andar menos de carro, comprar produtos biológicos, etc...

10) M: Achas que a indústria está preparada para mudar radicalmente num futuro próximo?

A: Acho que sim, temos tecnologias suficientemente avançadas para substituir, em grande escala, muitas das coisas que representam um perigo para o ambiente e para a nossa saúde.

 

11) M: Que comportamento simples podemos adotar e que faz a diferença?  

A: Acho que sermos curiosos e querermo-nos informar é a melhor coisa! Quando estamos prestes a comprar qualquer coisa, temos que pensar por um momento como foi produzida esta coisa, qual é o impacto dela no ambiente e nas comunidades, se precisamos mesmo dela e quais são, se houver, as melhores alternativas.

12) M: Deixa uma mensagem à Melancia e aos seus leitores. 

A: Se acharem que o mundo precisa de mudança, comecem por as pequenas coisas no vosso dia a dia e acreditem que todas as vossas escolhas fazem a diferença... porque o fazem.

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