ilustração & street art

Entrevista: mafalda jesus

grip

face

Pelas palavras do próprio, pretende ser um comunicador na era das fake news. Grip Face é um artista espanhol que procura a trazer à tona temas com os quais cresceu, mas que continuam a assombrar a sociedade de hoje. Traz a mensagem de que está na hora de mudar e deixa-a em prints, paredes e por todo o lado onde que passa. Não revela a identidade,
mas a sua arte fala muito mais alto.

1) MELANCIA: Quem é o Grip Face? 

GRIP FACE: Grip Face pretende ser um comunicador, na era das fake news.

2) M: Porque escolheste este nome? E porque queres permanecer anónimo?
G: Posso dizer que foi o nome que me escolheu a mim... não fui eu que despoletei este nome, foi o ambiente que me rodeia. Atualmente mantenho o anonimato a uns 50%, já que decidi há algum tempo deixar para trás o meu esconderijo secreto.

3) M: Sabemos que cresceste rodeado de arte. Como surge a paixão pelo desenho?

G: A minha paixão pelo desenho surge pela minha admiração profunda pela tipografia e pintura urbana. Desde muito pequeno que me recordo de ser muito observador e tentar reproduzir aquelas tipografias e caligrafias que encontrava na publicidade.

4) M: No teu trabalho vemos algumas críticas e preocupações sociais. Que mensagens pretendes transmitir? 

G: Mais que querer transmitir uma mensagem, questiono-me continuamente e o que pretendo é procurar respostas ou tentar aproximar-me delas. O meu trabalho é fruto da minha época e da minha geração “Millennial”. Creio que o momento em que se encontra a sociedade atual é muito crucial e acredito que seja necessário um repensamento profundo sobre a nossa maneira de atuar como indivíduos no seu conjunto.

5) M: Fala-nos do projeto “Not rented to humans”.

G: Este projeto nasceu na sequência da investigação de um território desabitado, que era uma antiga empresa de venda de cabanas de madeira numa zona do Mediterrâneo, um negócio que foi encerrado há algumas décadas. Eu entrei no local e escrevi uma breve história, transformando-a num projeto de arte pública/neo-rural, a relação da civilização com o ecossistema, a globalização com as pequenas comunidades, a mudança
climática...

6) M: O teu trabalho tem vindo a crescer e tens feito exposições internacionais. Consegues viver só da arte? É o teu trabalho a tempo inteiro?

G: Sim, é o meu trabalho a tempo inteiro desde há quase uma década.

7) M: Que técnicas utilizas para criar as tuas ilustrações? E como funciona o processo criativo? 

G: O meu trabalho é muito eclético e depende do projeto, uso ferramentas mais pictóricas ou que partem do desenho, como peças efêmeras instalativas ou gráficas. O meu processo criativo é noturno, costumo trabalhar mais de noite que de dia. Passo o dia a tomor notas, documentando-me e à noite vem o trabalho duro.

8) M: Na tua opinião, qual é a noção que um artista não deve perder? 

G: Acredito que deve ser sempre fiel ao seu discurso e não cair em dinâmicas repetitivas.

9) M: Se pudesses mudar uma coisa no mundo, o que seria? 

G: Não posso dizer-te só uma coisa, há milhões de coisas que mudava neste mundo. Mas começaria por eliminar a indústria do carbono.

10) M: Nomeia um artista ou um projeto que todos deviam conhecer. 

G: SAEIO / PAL KREW.

11) M: Deixa uma mensagem à MELANCIA e aos seus leitores. 

G: Continuem a consumir mais arte contemporânea e menos Amazon.

www.instagram.com/gripface_/

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