street art

Entrevista: MAFALDA JESUS

ESTAU

Estivemos à conversa com Lara Seixo Rodrigues, uma das responsáveis pelo desenvolvimento do ESTAU, o Festival de Arte Urbana de Estarreja. O projeto iniciou-se em Setembro deste ano e deu uma nova vida às ruas desta cidade, através de murais, instalações, workshops, filmes, palestras, visitas guiadas, musica e muito mais. Foram convidados artistas de todo o mundo, entre eles: Kruella D’Enfer, Bicicleta sem Freio, Add Fuel, Fintan Magee, NeSpoon PL e muitos mais. Diz lá, não ficaste cheio de vontade de ir visitar Estarreja? O convite fica em aberto para todos.

1) MELANCIA: Como surgiu a ideia de criar este projeto? Porquê Estarreja?
LARA: 
O ESTAU é resultado de 2 longos anos de trabalho. De final de 2014, data a minha primeira visita a Estarreja. Dentro da Câmara existia a intenção de fazer um evento de Arte Urbana que pudesse transformar a cidade e queriam saber mais sobre esta área, possibilidades, questionar sobre dúvidas e possíveis problemas. O que se seguiu a esta primeira visita e reconhecimento/análise da cidade e comunidade, foi o desenho de um projecto alargado, que pudesse realmente transformar o território e projectá-lo nacional e internacionalmente. Por questões orçamentais e calendário, este acabaria por não avançar, mas concretizar-se-ia uma acção de Arte Urbana, inserida no evento ObservaRia 2015. O sucesso desta intervenção de Bordalo II, o ‘Guarda-Rios’, viria provar (ao executivo camarário que é o responsável pelo convite à Mistaker Maker pelo desenho do ESTAU) o interesse por estas expressões artísticas e a curiosidade e reconhecimento, consolidou as intenções e validade de um projecto mais alargado, cujo trabalho iria ser retomado e reformulado de imediato.

2) M: Como é que a população local recebeu o ESTAU?
L: Quando se desenha um projecto desta dimensão para um território ‘virgem’ existem sempre inúmeras expectativas, na mesma medida de receios. Tentamos desenhar e projectar todos os cenários possíveis, mas nunca se terão certezas de como a comunidade local e/ou nacional, os media irão aderir ou reagir à proposta e sua concretização. A verdade, é que em Estarreja, dia após dia, todos os nossos receios foram sempre dissipados e se observou e sentiu profundamente uma aceitação e adesão ao ESTAU. Não somente por residentes, mas recebemos visitas de cidades vizinhas e longínquas. Já confessámos várias vezes que nunca tínhamos trabalhado com este nível de empatia e fomos também surpreendidos em muitos momentos, desde as visitas constantes e repetidas à pintura de murais, a participação nos workshops, nos actos musicais e nas visitas guiadas (uma delas com mais de 70 pessoas).

3) M: O que isto trás de novo às suas vidas? 

L: Creio que um dos aspectos mais interessantes deste tipo de projectos se trata da capacidade de mostrar a cidade ‘de sempre’ de uma nova forma. É este um dos feedbacks sempre presentes, que começam a olhar e a descobrir novos espaços, novos recantos. No caso concreto do ESTAU em que pretendemos sempre dialogar com outras áreas e com o património local, é toda uma história, as tradições, etc.. que se descobrem. Os projectos que a Mistaker Maker desenvolve nunca se trata de ‘pintar somente uma parede’, existe sempre uma narrativa, uma intenção clara de transformação, seja ela social, cultural, arquitectónica, etc.

4) M: Que objectivos estão por trás desta iniciativa?

L: A projecção do território, já referida acima, que é algo inerente aos vários projectos / eventos de Arte Urbana, no panorama actual, em Estarreja, assumiam-se como um dos ponto fundamentais de todo o conceito, por que se pretendia mostrar este território como ele realmente é e, infelizmente, desconhecido por muitos ou quase todos. Consequentemente o se pretendia especificamente com o ESTAU, sendo esta uma das suas maiores especificidades, era o diálogo constante e a diferentes níveis, da Arte Urbana com outras áreas artísticas, com a cidade, a sua história, a comunidade, o seu património, a natureza, etc. Para a concretização destes 2 objectivos foram programadas mais de 30 actividades, direccionadas a diferentes públicos, diferentes grupos etários, diferentes interesses, que pretendiam gerar diferentes níveis de participação comunitária.

5) M: A primeira edição foi em Setembro, contando com pintura de murais, workshops, instalações, visitas guiadas, performances, entre outras atividades... Já há planos futuros ou ainda é cedo? 

L: Nunca é cedo e desde o último dia do ESTAU começámos (Câmara Municipal de Estarreja e Mistaker Maker) a pensar na 2º edição. Voltaremos já no próximo ano, em Setembro e com datas já marcadas na agenda. Estamos já a trabalhar para tentarmos alcançar o nível de sucesso que teve esta primeira edição.

6) M: O que é essencial para que projetos deste género resultem e tenham aderência? 

L: São vários os aspectos essenciais ao sucesso (a curto, médio e longo prazo) deste tipo de projectos, entre eles: a leitura / análise do território no seu todo, o consequente desenho / conceito, o diálogo permanente e participação da comunidade local, a escolha dos artistas (sempre muito dependente do conceito e objectivos específicos) e obviamente e cada vez mais, a divulgação / comunicação de todo o processo.

7) M: Deixem uma mensagem à MELANCIA mag e aos seus leitores. 

L: A mensagem só pode ser esta, o convite a uma visita a Estarreja, para que descubram o que foi e é o ESTAU! À Melancia o nosso obrigado por estarem sempre atentos aos projectos que desenvolvemos.

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