fotografia & intervenção urbana

Entrevista: JULIANA LIMA

DEPOIS

DAS SEIS

Quem não gosta de contemplar um belo pôr-do-sol? Pois, foi esta admiração, a beleza e toda a energia que irradia da estrela central do Sistema Solar que inspirou este projeto inspirador chamado “Depois das Seis”. Gabriela Saueia, jornalista brasileira, de 28 anos, conta-nos nesta entrevista como surgiu esta ideia e como mantém vivo o seu objetivo de registar momentos únicos e lindos que por vezes deixamos passar sem nos darmos conta.

1) MELANCIA: Quem é a Gabriela Saueia?
GABRIELA: 
Definir-me é uma das coisas que acho mais complicadas. Acho que, resumidamente, eu gosto das pequenas grandes coisas da vida, gosto de ir a um bar qualquer para conversar com meus amigos, de passar tempo com o meu cachorro e os meus dois gatos, gosto bastante de ler, de praticar desporto (atualmente jogo flag football - modalidade do futebol americano) e de olhar para a imensidão do céu - acho que dá uma perspetiva de que somos pequenos, perto do tamanho desse mundão.

2) M: Qual a tua idade, formação e profissão?
G: Tenho 28 anos, sou formada em Jornalismo e atualmente trabalho como freelancer.

3) M: Qual o propósito do “depois das seis”? 

G: O “depois das seis” surgiu para tentar mostrar um pouco da beleza que está escondida no meio do nosso dia-a-dia e que, muitas vezes, deixamos passar despercebida por causa da correria. Acho que é um jeito de mostrar que as melhores coisas da vida não são coisas e que existe muita beleza escondida nos detalhes dos dias, que tudo depende do que a gente escolhe ver. O projeto começou apenas com fotos de uma máquina analógica que possibilita o uso das polaroids (utilizo uma Diana com Instant Back da Lomography) e o objetivo foi mostrar que cada dia é único e que, assim como a fotografia instantânea, uma foto nunca vai ser a mesma do que outra, assim como o céu nunca vai ser igual - mesmo nos dias cinzas. Com o passar do tempo, além das polaroids, introduzi também o uso da câmara digital e desde então fotografo nos dois formatos, para mostrar que existe também uma diferença entre as duas máquinas e os dois estilos.

4) M: Como e quando surgiu a ideia deste projeto de fotografias + intervenção urbana? 

G: O projeto surgiu da minha vontade de fotografar todos os dias e acabou por combinar com o pôr-do-sol, por ter essa coisa de um dia nunca ser igual ao outro. O “depois das seis” foi tomando forma conforme isso foi acontecendo. No começo, eu fotografava sempre do mesmo lugar e com o passar do tempo acabei por encontrar no projeto um jeito de redescobrir a cidade, seja ela qual for., e conhecer novos lugares de uma maneira um pouco diferente. Comecei a fotografar todos os dias em Março de 2013 e, em Setembro desse mesmo ano, decidi transformar essas fotografias em “lambe-lambe” (expressão usada no português do Brasil que caracteriza a colagem de cartazes em muros) porque, no final das contas, a rua é onde o projeto acontece - onde fotografo - e acho que a intervenção urbana é um jeito de tentar mostrar a quem anda pelas ruas uma outra maneira de olhar para os dias e para a cidade em que vivemos.

5) M: Qual o local mais curioso e especial que fotografaste e expuseste as tuas fotos? Porquê? 

G: Houve vários lugares especiais ao longo destes quase quatro anos de projeto, mas os que eu mais gosto são aqueles que eu acabo por encontrar por acaso. Uma vez, fui fotografar no bairro da Casa Verde (localizado na Zona Norte da Cidade de São Paulo), meio sem destino, e acabei encontrando algumas crianças com papagaios de papel e uma vista incrível para o sol se pondo no meio das casas. Outro lugar que me marcou foi uma vez que o céu estava totalmente encoberto durante o dia, mas as nuvens ficaram vermelhas durante o pôr-do-sol, eu tive que sair correndo para conseguir chegar na Ponte do Piqueri para conseguir fotografar. Também já fotografei durante a semana no meio do Minhocão, o que é meio complicado porque é um viaduto, mas o sol se põe lá durante o inverno em São Paulo e a vista vale a pena. Acho que todos os lugares que já espalhei os “lambes” acabam por tornar-se especiais, porque eu sinto como se eu estivesse a deixar um pedaço de mim pelos muros da cidade, tentando colorir um pouco os dias de quem passa pelas ruas e observa o que a cidade tem para contar.

6) M: Tens vontade de o fazê-lo em algum local diferente e específico? Qual? 

G: Tenho vontade de levar o projeto para bastantes lugares, de viajar com o “depois das seis”. Já tive a oportunidade de tirar as fotografias de algumas cidades diferentes aqui no Brasil, também nos Estados Unidos e na Europa. Mas tenho vontade de sair por aí, pegar um carro e seguir pelas estradas e cidades descobrindo novos lugares e outros jeitos de ver os dias em cada pedaço do mundo. Sei que é meio utópico, mas é algo que tenho vontade de fazer desde que o projeto começou. Até porque acho que não é só em São Paulo, onde o projeto surgiu e onde a maioria das fotos é tirada, que as pessoas acabam por não reparar nas coisas bonitas que a cidade proporciona por causa da rotina corrida.

7) M: Tens outros projetos pessoais? 

G: Tenho, mas não sei se pretendo divulgar da mesma forma como faço com o “depois das seis”.

8) M: Qual o teu lema? 

G: Não sei se tenho um lema, mas procuro sempre ver as coisas boas no meio dos dias, mesmo quando parece que tudo é cinza. Existe beleza no meio de todo o caos que a gente vive e reparar nisso faz com que os dias fiquem um pouco mais leves.

9) M: Deixa uma mensagem para a MELANCIA mag e a todos os seus leitores. 

G: Primeiro queria agradecer, de coração, por vocês se interessarem pelo projeto, é muito bom quando vemos algo a que nos dedicamos a crescer assim. Parem um pouquinho para observar os detalhes daquilo que existe ao nosso redor. Pode parecer “bobagem”, mas algumas coisas, que às vezes a gente acaba não reparando, conseguem mudar nosso dia para melhor.

www.projetodepoisdasseis.com

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