Pintura
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Novembro 2019

Entrevista: MAFALDA JESUS

PINTURAS: DANIELA GUERREIRO

DANIELA

GUERREIRO

Do amor à realidade, às rugas, cores, formas e texturas, surge a criatividade e tema de trabalho de Daniela Guerreiro. Daniela é pintora e é a complexidade e singularidade de cada indivíduo que transpõe para tela ou parede. A familiaridade com que nos retrata cada cara estranha, depressa cativa, e é essa crueza presente no seu trabalho que Daniela pretende mostrar.

1) MELANCIA: Quem é a Daniela? 

DANIELA: Sou uma jovem com 27 anos que começou a colocar na tela a visão do mundo que a rodeia. Comecei por estudar artes visuais em Faro e acabei o curso de Pintura em Lisboa, na faculdade de Belas Artes.

2) M: A arte sempre foi uma paixão? Quando percebeste que a pintura iria fazer parte do teu percurso?
D: A pintura não foi uma paixão precoce, foi algo que descobri consoante a minha maturidade e experiência no mundo das Artes. Com os meus 20 anos experimentei pela primeira vez a pintura a óleo e foi-se tornando a minha paixão ao longo do tempo. Este meio é a forma que tenho para comunicar e explorar pormenorizadamente a minha visão e relação com o mundo e com os outros.

3) M: As pessoas são uma constante no teu trabalho. Porquê? O que temos assim de tão especial e desafiante? 

D: Eu inspiro-me e revejo-me na comunidade, sendo assim uma ferramenta fundamental para o meu trabalho. O meu fascínio começou pela diversificação de cada uma. As texturas, as formas, as cores, a sua complexidade e principalmente a sua história são o meu maior desafio e curiosidade na pintura.

4) M: Recentemente fizeste o teu primeiro grande mural numa parede. Qual foi a sensação de saltar da tela para o meio urbano? 

D: A primeira vez que pintei na parede foi uma experiência que foi aceite como um desafio. Nunca tinha pintado numa escala tão grande, muito menos com os materiais que me foram solicitados, sendo uma experiência nova em todos os níveis. Foi como se fosse a primeira vez que estava a pintar em óleo, por isso tentei aplicar o que sabia em formatos e meios diferentes.

5) M: Consegues viver apenas da pintura? É o teu trabalho a tempo inteiro? 

D: Infelizmente ainda não consigo viver do que faço, mas acredito que
é algo gradual que requer muito trabalho e ambição para chegar a esse fim. De momento comecei a dar aulas e conciliar a pintura com um trabalho de pouca carga horário num museu.

6) M: Fazes parte de um núcleo de artistas que foi obrigado a censurar obras no instagram. Qual é a tua opinião sobre este tema, que tem gerado tanta polémica? 

D: Eu tenho noção que a forma de eu me expressar é algo muito agressivo e que me fez explorar campos mais sensíveis que não foram completamente aceites pela nossa sociedade. Em relação à censura no meu trabalho, confesso que já me fez mais comichão e percebo completamente o porquê de de alguma adversão, pois o meu objetivo é espelhar de uma forma nua e crua a nossa sociedade.

7) M: Começaste a dar aulas de pintura na E. Art Academy. Ensinar sempre foi um objectivo? 

D: Não, nunca pensei nisso seriamente. Foi algo que me 11 surgiu espontaneamente. Aceitei porque o desafio de servir como alicerces a outras pessoas que acreditam e tenham a mesma curiosidade que eu é algo motivador. A pintura a óleo sempre foi visto como um bicho de sete cabeças, e ajudar a desmistificar isto é algo muito gratificante para mim.

8) M: O que é essencial no teu dia-a-dia? 

D: Saber equilibrar os meus momentos sozinha e socialmente é essencial. É mesmo necessário na minha vida cultivar o cérebro de todas as maneiras.

9) M: Com quem gostavas de conversar? 

D: Adorava conversar com o Salvador Dali e o Leonardo da Vinci. Como sou amante de cinema entrar na cabeça do Alfred Hitchcock também é uma curiosidade minha.

10) M: Deixa uma mensagem à MELANCIA e aos seus leitores. 

D: “Tudo parece impossível até que seja feito”.

www.instagram.com/danielaguerreiro_

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