ilustração & street art

Entrevista: MAFALDA JESUS

COLETIVO

NORA

Apresentamos o Coletivo Nora, uma dupla criativa que nasceu em Águeda, Aveiro. O projeto surge da vontade de interligar a cidade e os habitantes, através de intervenções artísticas em espaços públicos e os protagonistas por detrás de tudo isto são César Pereira e João Balreira. Estas intervenções passam por interagir com os moradores, remodelando espaços ou dando vida a uma parede. São os autores da nossa capa deste mês e temos a certeza que por onde passam, deixam a sua marca bem visível.

1) MELANCIA: Como descrevem os protagonistas por detrás deste projeto? 
COLETIVO NORA: 
Dois bons rapazes! Nascidos em 1991, um com origens da serra e outro na cidade, os dois a viver em Águeda, um arquiteto e outro estudante de planeamento regional e urbano. Um é Sujimoto, Aravena, Siza, Bosh, Boyle e Murakami o outro é Jacobs, Lynch, Kerouac, Peixoto, Tarantino e Buarque.

2) M: Porquê “Coletivo Nora”?
C: Já demos várias respostas a esta pergunta e todas elas mais ou menos verdadeiras. A primeira justificação vem do engenho hidráulico que é uma referência do Rio Águeda e da própria cidade, que é de onde somos e onde começámos a trabalhar. Também já associamos à relação familiar, quase sempre de conflito entre noras e sogras. E, por fim, andar à nora!

3) M: Como e quando surge a ideia de intervir artisticamente na cidade? 

C: Nós conhecemo-nos na escola secundária, apesar de estudarmos em áreas diferentes (um artes e outro ciências), tivemos desde sempre uma vontade muito grande de fazer alguma coisa juntos, durante muito tempo essa vontade nunca passou disso mesmo e nunca ganhou forma. Até que um dia, por um motivo curioso (ficamos ou dois sem namorada ao mesmo tempo), decidimos fazer alguma coisa só com um pressuposto: comunicar com a cidade através da rua.

4) M: De que forma é que os habitantes locais reagem a estas intervenções? 

C: De uma forma geral muito bem e apoiamo-nos. Como é normal há sempre quem não goste. Já tivemos de tudo um pouco, desde quem nos ofereça o lanche até quem achasse que o escadote que estávamos a usar era para assaltar as casas. De qualquer forma, muito do feedback que temos aparece posteriormente nas redes sociais.

5) M: Conseguem destacar algum trabalho? 

C: Esta pergunta para nós é igual a perguntar a um pai qual o filho preferido. Se fizéssemos hoje qualquer um dos trabalhos que fizemos no passado, certamente ia sair algo diferente, mas adoramos alguma coisa em todos. Mas a ter de destacar, pelo simbolismo e pela marca que foi, o Jardim da Venda Nova (primeiro trabalho de sempre, em Águeda).

6) M: O que é essencial para levar um projeto social e artístico para a frente? É fácil conseguir autorizações para atuarem nas ruas? 

C: Achamos que o essencial é acreditar naquilo que estás a fazer e no que queres dizer com determinada intervenção no espaço público. É interessante as duas perguntas estarem juntas, a resposta das autorizações passa por fazeres acreditar os outros, e se tu acreditares esse trabalho é bem mais fácil.

7) M: Deixem uma mensagem à MELANCIA mag e aos seus leitores. 

C: Olhem mais para a rua, até pode ser pela janela!

www.facebook.com/ColetivoNora

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