Ilustração & Street Art
/
Junho 2020

Entrevista: MAFALDA JESUS

ilustrações: CELOPAX

 
CELOPAX

De devaneios aleatórios se cria a arte de Marcelo Pax.

A imaginação do artista viaja por todos os cantos do universo e, daí, saem as suas criaturas mágicas e as fantasias coloridas e animadas... algo que só reside no imaginário do artista,

mas que Marcelo insiste em dar vida e em trazer para a rua.

1) MELANCIA: Quem é o Marcelo? 

CELOPAX: Marcelo é um cara de 34 anos, habitante do planeta terra e de outros vários planetas onde habita a minha imaginação e curiosidades.

2) M: És natural de Porto Alegre, Brasil. Como descreves esta cidade a quem nunca a visitou?

C: Tenho um carinho enorme por esse cantinho, não só porque é aqui o meu foco de trabalho, mas sim pela maneira com que Porto Alegre me abraça. Uma cidade que me presenteia com um lindo pôr do sol nos passeios de bicicleta ou da minha janela. Ao mesmo tempo é uma cidade cheia de prédios históricos e com muito verde. Enfim, sou apaixonado pelo inverno de Porto Alegre.

3) M: O teu trabalho é caracterizado por estes monstros coloridos, cheios de detalhes e pormenores. Como surgiu a paixão pelo desenho?

C: Essas criaturas são frutos de uma imaginação regada com muitas referências das fantasias coloridas de desenho animado e também por toy art. Desde pequeno que gosto muito de viajar nessas criaturas e poder criar

algo que não existe é algo que me motiva muito. Esse poder de brincar com a imaginação.

4) M: O que te inspira para a criação de novas ilustrações? 

C: Acredito que na maioria das vezes eu saio rabiscando meio no modo automático e depois vou evoluindo quando encontro alguma ideia que me chamou mais à atenção. Mas as minhas inspirações vêm de devaneios aleatórios, pode ser apenas de uma imagem que vi na rua ou simplesmente uma vontade voluntária de criar algo novo.

5) M: Quando sentiste que devias largar tudo e arriscar uma carreira de artista independente? O que mudou? 

C: Sempre sonhei com esse momento, por mais distante que tenha ficado em alguns momentos. Organizei-me financeiramente para isso e ao mesmo tempo foquei muito em evoluir o meu trabalho autoral ao ponto de atrair um público interessado em consumir. Sair do meu trabalho para arriscar num sonho foi uma mistura de coragem com muita vontade de fazer o que gosto e acredito.

6) M: Como funciona o teu processo criativo? Como é “criar do nada”?

C: Hoje já entendi que o meu processo precisa de começar totalmente livre e sem pressão de sair algo positivo. Procuro exercitar essas ideias às vezes só
na mente, depois em anotações e por último em rascunhos. Também aprendi a respeitar o meu tempo, quando não está rolando, vou tomar um café e fazer outras coisas.

7) M: Nem sempre se encontra disposição e criatividade quando precisamos ou queremos. Isto deve acontecer contigo também! Como resolves o fenómeno do “bloqueio criativo”? 

C: Sim o bloqueio criativo tem que ser tratado com naturalidade. Esse mundo moderno fica-nos obrigando a ser criativos/produtivos. Mas acredito que arte não tem muito a ver com essa pressão. Precisamos cada vez mais exercitar o processo criativo mas de maneira saudável, quando se sentir com desejo daquilo, para não fazer a arte perder o sentido de ser arte. Eu estou aprendendo ainda sobre isso, mas o meu ponto mais positivo até agora foi entender que as coisas vão acontecer no meu tempo e não por algum tipo de pressão/cobrança.

8) M: As intervenções urbanas estão cada vez mais presentes no nosso dia-a-dia e a tomar conta das cidades. Qual é a sensação de levar o teu trabalho para o espaço urbano e de o partilhar com a sociedade?

C: Eu acho ótimo, sempre falo que tirar uma arte da minha cabeça ou do meu caderninho é dar liberdade a essas criaturas. Tornar aquilo público é um sentimento muito democrático, todas as pessoas têm acesso independente de quem seja. Recebo muitas mensagens de pessoas que olham essas criaturas na rua e acabam criando algum vínculo e isso é muito gratificante. É um combustivel para seguir fazendo arte na rua.

9) M: Que metas faltam alcançar? 

C: Minha meta era viver de arte, trabalhando com as coisas que gosto. Então a meta já tá acontecendo há 7 anos e isso me basta.

10) M: Deixa uma mensagem à MELANCIA e aos seus leitores.

C: O recado é sempre dizer que as pessoas precisam de acreditar nos seus sonhos e lutar por isso, por mais difícil que seja. E também valorizar a arte, os artistas. Isso é super importante pra que as coisas que a gente curte sigam acontecendo. Valeu!

www.instagram.com/celopax

espreita o artigo na revista

CONTACTos

  • ig
  • fb
  • yt

MELANCIA MAG 2018 © ALL RIGHTS RESERVED

Melancia_Icon.png