fotografia

Entrevista: JULIANA LIMA

CATARINA

SANCHES

Estilista ou escritora? Estes eram os sonhos de Catarina Sanches. Hoje, como ela mesmo diz, a saltitar um pedacinho por todo o lado. Publicitária, escritora, fotógrafa e com o seu estilo muito próprio de se vestir, muitas vezes tem consigo acessórios ou peças de roupa que ela mesmo fez! Na entrevista, Cat (porque é mesmo assim que a chamo) conta-nos um pouco mais sobre as suas paixões, as suas inspirações, e os seus projetos fotográficos encantadores. Descubra connosco e delicie-se nas palavras e no mundo de fantasias que ela cria como ninguém.

1) MELANCIA: Vamos começar pela sua formação e a profissão. Conte-nos um pouco sobre a sua carreira, o percurso e onde a sua experiência a levou.
CATARINA:
Sonhava ser estilista ou escritora. Decidi correr atrás do sonho da moda e tirei Artes Plásticas – vertente têxtil – na Escola António Arroio, em Lisboa. No entanto, quanto mais lia, mais escrevia, mais queria ler e escrever e depressa percebi que o meu caminho se iria traçar antes numa numa área que conjugasse as artes com a escrita. Foi assim que me lancei à Publicidade e ao Marketing, na qual a imagem começou a fazer muito parte do meu dia-a-dia, mordeu-me o bichinho da Fotografia e cá ando, agora. A saltitar um pedacinho por todo o lado.

2) M: Como se descreveria numa frase curta?
C: Acredito (mesmo) em gnomos.

3) M: É, sem sombra de dúvidas, uma artista multi-task. Fotografa, costura, escreve.... Atualmente, quais são todas as suas atividades paralelas?

C: Isso tudo e, às vezes, ainda se mete mais qualquer coisinha ao barulho. :) Sou um bocadinho esquizofrénica, tenho um ateliê de pintura em casa onde, por entre telas e pincéis, se vão amontoando os acessórios de fotografia, lentes, tripés e o que mais houver a preço de amigo na feira de domingo. À escrita, nunca lhe arredo pé e no bolso trago um livro que, um dia, ainda espero terminar e publicar.

4) M: Conte-nos como consegue conciliar tudo.

C: Eu não acredito nessa história de não devermos voltar ao sítio onde fomos felizes. Caramba, se fomos felizes é lá que devemos sempre regressar! Muito embora possamos levar novos sonhos no bolso. Ora portanto, se me deito cansada, mas feliz, há como não regressar lá no dia seguinte? E as minhas olheiras agradecem!

5) M: Hoje em dia, qualquer pessoa pode ser considerada um instagrammer. São fotógrafos profissionais e amadores por todos os lados a partilhar os seus “cliques” nas redes sociais. Como encontrou o seu próprio rumo?

C: Fotografando muito hoje, mais amanhã e ainda mais depois.

6) M: As suas fotos têm sempre um quê de fantasia. De que forma dá asas à sua imaginação?

C: Sou apaixonada por essa bonita atividade de contar histórias e, talvez por isso, tanto as palavras como a imagem sejam tão igualmente importantes na minha vida. Gosto de ler a realidade e tentar invocar novas formas de a ver, ler, ouvir e sentir. Quer esteja a trabalhar para uma marca ou a criar algo em “modo hobbie”, acho que é, acima de tudo isto, o que me apaixona: questionar o que me rodeia e criar algo novo que seja capaz de contar uma história.

7) M: Como planeia as suas publicações?

C: Humm... Não planeio!?

8) M: As suas fotos são divertidas, apresentam sempre uma temática diferente, parecem projetos idealizados por si, sempre com um certo tempo de duração. Como é que define os temas?

C: Não defino, todos os temas foram sempre surgindo de uma forma muito natural. Há alturas mais criativas e outras menos. Quando estas segundas chegam, não vale a pena forçar, é pegar num barquinho, ir até Setúbal comer choco frito e, sem nos darmos conta, eis que chega uma nova ideia trazida pela maresia.

9) M: O seu Instagram tem cada vez mais seguidores pelos quatro cantos do mundo. Quando e como é que começou a ganhar gosto por partilhar estes seus projetos temáticos de fotografia nesta rede social?

C: Foi acontecendo, o primeiro projeto foram as #nonsensemeals com o meu querido Joel, um designer que trabalhou na mesma agência em que eu ainda estou e com quem se criaram sinergias criativas muito positivas. A partir daqui foi “ver-me” a evoluir, sempre com muita dedicação como ingrediente principal.

10) M: Destaque um projeto seu de que mais goste e conte-nos o porquê.

C: O #lovelyhumansofportugal, sem a menor dúvida. É o mais bonito, o mais gratificante, o mais humano. Infelizmente, não tenho tido muito tempo para levá-lo a cabo, sendo que requer que ande por aí sozinha, a passear e com tempo para fotografar. De facto, ultimamente, têm sido mais as vezes em que falo com as pessoas sem lhes pedir uma fotografia no final porque ou vou sair a correr para algum lado ou não levei o iPhone comigo. Ainda há pouco tempo, conheci um casal maravilhoso em Porto Covo mas não tinha o iPhone comigo, fiquei com o nome do café de rua que ambos gerem aqui em Lisboa e ainda vou passar por lá, aí sim, para os retratar.

11) M: Ainda me lembro da sua saga com o pé partido e a forma como conseguiu que o seu problema ficasse “mais leve” através das fotografias no Instagram. Como foi fazer esta sequência do pé, e toda a repercussão desta sua experiência?

C: Um metatarso partido e uma constatação básica: “olha que chatice, então agora nem me consigo meter na banheira sozinha?”. Daqui surgiu a primeira fotografia e a partir daí foi ver o meu lindo pezinho a ensinar-me muita coisa. Que há males que vêm (mesmo) por bem e que não há mesmo nada como o amor de mãe. Como se já não fosse difícil o suficiente ter-me ali, no sofá, todo o santo dia, ainda tinha paciência para me ajudar com algumas fotografias mais complexas. Foram três meses muito duros, mas essa temporada de privação foi também um bom trampolim criativo e acho que nunca produzi tanta coisa (escrita, quadros, etc.) do que como nesses meses. Mas, bom, também não tinha muita vida para além daquilo... [risos]

12) M: Tem ar de menina, por isso, gostaríamos de perguntar: “O que quer ser quando crescer?” Conte-nos como se vê daqui uns anos.

C: Feliz.

13) M: Deixe um recadinho para a MELANCIA mag.

C: Não deixem de nos adoçar a vida! (para a próxima podemos ter geladinhos de melancia? Vá lá!)

cargocollective.com/cataosmolhos

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