ilustração & escrita

Entrevista: MAFALDA JESUS

 

BYCASTRO

Do amor (ou falta dele) em relação ao mundo que o rodeia, surgem as ilustrações trazidas até nós pelo nome de bycastro. Sempre com um humor auto depreciativo e crítico, conta-nos através de imagens um pouco rudes, mas sobretudo reais, o que vai absorvendo do dia-a-dia e da nossa sociedade, bem à sua maneira.

1) MELANCIA: Quem é o João? 

BYCASTRO: Sou um jovem portuense de 25 anos com uma “pequena” atração pelo abismo e por tentar perceber as coisas que de forma direta
ou indiretamente me rodeiam. Gosto de beber uns copos e perder-me em conversas. Sou um fã acérrimo de humor negro e auto depreciativo. Odeio frases feitas e discursos motivacionais. Adepto de cafeína e forrobodó progressivo.

2) M: Estudaste Multimédia e a edição de imagem também faz parte do teu percurso. Como surge a ideia de criar este Instagram e explorar o mundo da ilustração?
BC: Porque estava sem tempo para me dedicar à edição de imagem. Infelizmente o fundo de desemprego acabou e tive que arranjar um trabalho para sustentar os meus pequenos vícios. Como sempre gostei de escrever e de certa forma o desenho está presente na edição, optei por experimentar desenhar umas bonecadas. E visto que as pessoas – na sua maioria - gostam de “clichezismos”... cá estou eu.

3) M: Fazes duras criticas à nossa sociedade e abordas temas polémicos que, embora retratem episódios do dia-a-dia, continuam a ser tabu. Qual é o maior objectivo do teu trabalho? 

BC: Se são duras não sei, mas são coisas que acho que toda a gente experiencia, daí resultar a nível de visibilidade, porque as pessoas se revêm naquilo. Seja sexo, bebedeiras ou dias menos bons. As pessoas de uma forma ou de outra já passaram por isso ou fantasiaram. Neste momento, o objetivo é tentar fazer com que chegue aos 27 minimamente são. É uma espécie de festa ao meu pequeno ego. Mas bem, talvez fazer uma exposição e acabar aí com a minha pseudo carreira virtual.

4) M: E o que achas urgente mudar na mentalidade das pessoas? 

BC: Acho que as pessoas deviam deixar de se levarem tão a sério. Ah... e perceberem de uma vez por todas que primeiro se deixa as pessoas saírem dos transportes públicos e só depois é que se entra. Ou seja, temos de começar por mudar as pequenas coisas primeiro e deixar os discursos de Miss Universo na gaveta. Mas isto sou eu, que estudei multimédia e não sociologia, por isso vale o que vale.

5) M: Os temas polémicos e a censura andam de mãos dadas. Como é a tua relação com o Instagram? Tentas não “esticar a corda” ou simplesmente publicas o que te apetece e rezas para não ser censurado?

BC: A minha relação com o Instagram neste momento faz-me lembrar todas as minhas relações, visto que só estavam comigo porque não arranjavam melhor. E é muito isto o que se passa neste momento, só estou no Instagram porque não há melhor rede social para se publicitar o trabalho que fazemos, sobretudo o visual.

6) M: Publicas novos conteúdos com muita regularidade. Onde vais buscar inspiração e como funciona o teu processo criativo?

BC: Estar atento as coisas que me rodeiam e escrever sobre elas. Na realidade, sinto que sou uma criança de 14 anos que foi obrigada a escrever um diário pelo seu psicólogo. E é isso, eu escrevo sobre as coisas. Prendo-me muito a emoções sem criar uma entidade para elas.

7) M: Porquê manter o anonimato? 

BC: Porque o que eu quero passar é uma ideia e não uma pessoa. Isso e porque sou feio.

8) M: Deves receber imensos feedbacks ao teu trabalho. Qual foi a mensagem mais estúpida que já recebeste?

BC: Foi a mensagem de uma jovem que me disse que o namorado tinha terminado com ela e que durante o processo mostrou-lhe uma ilustração minha. Ela chamou-me básico e sem graça, eu chamei-lhe solteira.

9) M: Deixa uma mensagem à MELANCIA mag e aos seus leitores. 

BC: Muito obrigado pelo convite. Tentem não morrer cedo.

www.instagram.com/by.castro/

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