fotografia & social media

Entrevista: RITA ALVAREZ

BE MY

FRIEND

joão azevedo

Não comprem, adoptem! Foi nesta óptica que João Azevedo fundou o projeto Be My Friend, em 2015. O objectivo é dar casa a cada vez mais patudos que estão à espera de adopção em canis ou instituições. A equipa do Be My Friend faz sessões fotográficas - no mínimo amorosas - em canis e instituições de animais. O propósito é que, cada vez mais gente, veja que não é preciso comprar e que há imensos cães por aí com muito amor para dar.

1) MELANCIA: Quem é o João?
JOÃO: 
Começamos logo pela mais difícil! Então é assim: chamo-me João, tenho 45 anos e vivi toda a minha vida em Coimbra. Sou fotógrafo profissional há 10 anos e um apaixonado por fotografia.

2) M: Sempre quiseste ser fotógrafo profissional? Conta-nos o teu percurso.
J: Eu sempre quis ser informático. Todo o meu percurso académico foi nesse sentido. Não cheguei a terminar o curso de Engenharia Informática,
mas cheguei a trabalhar nessa área e, pelo meio, fui fazendo outros cursos relacionados. A fotografia surgiu numa fase de alguma indefinição, em que não sabia muito bem o que queria.
Não sou o típico fotógrafo que em pequeno brincava com a máquina do pai e um dia sonhava ser profissional. Descobri a fotografia já na era digital e confesso que não tinha jeitinho nenhum! Mas tinha muita vontade de aprender. Comecei por fotografar paisagens, flores, bichos, incenso, um pouco de tudo. Nunca liguei muito à fotografia de retrato até descobrir a fotografia de estúdio. Mais recentemente, especializei-me em retrato profissional e é o que mais gosto de fazer.

3) M: Como sabes, chegámos até ti através do projecto Be My Friend. Quando e como surgiu tudo isto? 

J: A primeira sessão fotográfica deste projecto foi em 2015, no Refúgio do Ruff. Na altura já gostava muito de fotografar animais em estúdio e gostava muito do resultado. Decidi então experimentar fazer retratos de patudos em associações e perceber se era possível ajudar na adopção. As fotos foram um sucesso nas redes sociais e alguns dos animais foram adoptados. Tentei fazer sessões noutros locais, mas sem sucesso. O projecto ficou na gaveta e regressou em força em 2019. Ganhou um nome definitivo, redes sociais e website.

4) M: Fala-nos um pouco da equipa que ajuda a tornar tudo isto possível e do que envolve fazer retratos profissionais a cães. 

J: O Be My Friend começou só comigo mas já evoluiu bastante e, actualmente, são várias as pessoas que contribuem para o projecto. Desde os voluntários que encontramos em cada associação que visitamos, às pessoas que colaboram com o blog. Nas sessões fotográficas tenho sempre a companhia da Célia Lopes, que ajuda com toda a logística e tem o poder de acalmar os cachorrinhos, que são os mais difíceis de fotografar. Sim, porque os que são fáceis de fotografar contam-se pelos dedos duma mão. Os brincalhões não param quietos e os tímidos querem- se esconder. Cada animal é um desafio e vale tudo para chamar a sua atenção na direcção da objectiva: barulhos, gestos, biscoitos. Com alguma paciência tudo é possível até porque, basta uma fotografia.

5) M: O teu trabalho resulta directamente na adopção dos animais que fotografas e isso deve ser, certamente, extremamente gratificante. Achas que contribui, também, para um “comportamento anti-abandono”? 

J: Sim, é um trabalho muito gratificante. Especialmente, quando os adoptantes ou as Associações enviam mensagens de agradecimento. Quanto ao facto de contribuir ou não para um “comportamento anti-abandono”, não consigo responder a essa questão. Quero acreditar que quem acompanha o projecto e acaba por adoptar um patudo, um novo membro da família, está consciente da responsabilidade presente no acto da adopção.

6) M: Conta-nos o momento mais cómico que tiveste enquanto fotografavas! 

J: Tenho sempre vários momentos cómicos em todas as sessões fotográficas, é muito difícil eleger apenas um. Um deles é a reação dos patudos aos barulhos que faço, para olharem na direção da objectiva. São apanhados de surpresa e não percebem muito bem que barulho é aquele e de onde vem.

7) M: M: Já adoptaste ou te sentiste tentado a adoptar algum dos teus modelos caninos? 

J: Tenho um cão que foi adoptado há 6 anos, antes de começar este projecto. Nestas sessões todos os modelos são fantásticos, mas há uns que marcam mais. E sim, já tive vontade de trazer vários.

8) M: Calculo que devam receber muitas mensagens de seguidores e das próprias famílias que adoptaram. Alguma que te tenha marcado em especial? Porquê? 

J: Sim, recebo muitas mensagens de seguidores a agradecer a existência deste projecto e o trabalho que temos feito. As mensagens mais marcantes são das famílias que adoptaram. Vêm agradecer a fotografia que fiz e que alguém partilhou. É aí que percebo que o projecto Be My Friend funciona. É exactamente este o objectivo. Eu fotografo, os seguidores partilham, alguém vê, apaixona-se e adopta. A mais marcante foi, sem dúvida, a primeira. Porque não estava a contar.

9) M: Como tem sido o feedback por parte das associações e canis que ajudam? Trabalham com quantos neste momento? 

J: Tem sido fantástico! A maioria vai-me enviando mensagens à medida que as adopções acontecem e reforçam a mais valia deste projecto fotográfico. Até ao momento, já foram visitadas 15 instituições e em espera estão mais de 30.

10) M: Se alguém quiser ser voluntário para vos ajudar com o vosso projecto, pode fazê-lo? Como? 

J: Pode, claro! Há sempre espaço para novas colaborações. Basta ir ao nosso website e preencher um formulário, para percebermos em que áreas pode ser útil.

11) M: Deixa uma mensagem à MELANCIA e aos seus leitores. 

J: Não comprem, adoptem! Previsível, não? Nunca é demais relembrar.

www.instagram.com/bemyfriendpt/

espreita o artigo na revista

CONTACTos

  • ig
  • fb
  • yt

MELANCIA MAG 2018 © ALL RIGHTS RESERVED