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Maio 2021

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ENTREVISTA: mafalda jesus

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tripeirinha

Há quem diga que é uma moda, outros uma obsessão. Mas, para a Tripeirinha, é simples: trata-se de amor.
Um amor que acredita ter sido passado pela sua avó e que é, agora, o grande responsável por manter a sua sanidade mental e por devolver um pouco de cor à sua vida… já que passa o dia agarrada a um ecrã preto a programar. A destacar que, se os seu Consultórios Plantahólicos tivessem uma frase afixada, ela seria: “espetem o dedo!!”

1) MELANCIA: Trabalhas na área da programação de software, mas as plantas acabam por ocupar muito do teu tempo. Actualmente tens mais de 200 plantas em casa, como surgiu esta paixão?
A TRIPEIRINHA: Adoro que tenham feito esta pergunta mencionando que sou Programadora de software, é que não podia estar mais relacionado. Depois de passar o dia agarrada a um ecrã preto são as plantinhas que me devolvem a cor (e a sanidade mental). Agora percebo que a grande culpada deste meu bichinho (vício) foi a minha avó. Por toda a casa havia plantas, até pelas escadas, um vasinho por degrau. E assim cresci, com a minha avó, em que parte da nossa rotina de afazeres era tratar das “suas meninas”. Na altura pouco me apercebia da sua importância, para mim era como se fossem parte integrante de Casa de Avó. Só mais tarde, quando fui viver sozinha, acabada de chegar de um estágio de 8 meses em Moçambique onde o contacto com a Natureza era diário, é que me apercebi o quão estéril uma casa podia ser. Faltava-lhe vida. Foi assim que em 2016 trouxe a minha, só minha, primeira planta para casa. Mal eu sabia o que por aí vinha.

2) M: Viveste e trabalhaste em Moçambique. Como foi essa experiência e o que mudou na tua vida?
AT: Foi como se me tivessem aberto os olhos à força. O contacto direto com uma realidade da qual só ouvíamos falar de longe, no entanto sempre protegidos por termos o privilégio de viver num país desenvolvido. Moçambique é cru, de uma beleza impossível de descrever, um país que apesar da pobreza sufocante tem o povo mais feliz. Coisas que damos por garantidas, lá podem simplesmente não existir. Ficar sem água durante dias a fio, tomar banho com 3 copos de água passou a ser completamente normal, lidar com um sistema de saúde precário, ou até saneamento inexistente quando sais um pouco da capital. Vi tanta miséria, tanta dor, tanto lixo, no entanto nunca aprendi tanto sobre o que realmente importa. Povo mágico ao qual devo a forma como agora perceciono o mundo. Temos tanto.

 

3) M: “A Tripeirinha” chega-nos através das redes sociais, sempre com boa disposição, mas sobretudo com muita informação capaz de salvar vidas. O que te levou a querer partilhar o teu conhecimento com o mundo?

AT: Ensinar sempre foi um sonho. Acreditam que o meu objetivo era ser Professora de Análise Matemática? Haha parece outra vida. Depois de trabalhar como bolseira de investigação apercebi-me que até lá seria um caminho bem longo a percorrer e então pu-lo na gaveta. Mas a vontade de ensinar, comunicar e desconstruir o que parece complicado ficou comigo. Tanto que também dou formação do software com que trabalho. Começar a partilhar o que sabia sobre a minha grande paixão foi quase que natural. Quando me chegavam dúvidas comecei a pensar que seria incrível conjugar a minha vontade de ensinar com a minha grande paixão, e foi assim que nasceram os Consultórios Plantahólicos.

4) M: Como geres o teu tempo para conseguir conciliar o trabalho, os animais, o Filipe, as plantas e o instagram? Consideras-te uma pessoa organizada?

AT: O meu maior desafio. Vou só dizer que estou a responder a esta pergunta à 00:15. Acho que consegue explicar o caos que para aqui vai.

5) M: Tens uma rubrica semanal no teu Instagram, o “Consultório Plantahólico”, onde esclareces as dúvidas das Plantmanas. Qual é a pergunta que te tira do sério?

AT: Aiiiiiiii que esta é boa. Então cá vai “De quanto em quanto tempo é que rego a minha planta?”

6) M: És vegan desde 2015. Que razões te levaram a escolher esse caminho e como foi a transição?

AT: Tudo começou com uma experiência com alguns amigos de ginásio. Queríamos aumentar a quantidade de hidratos de carbono e perceber como iria afetar a nossa performance. Oraaaa, pois bem, caí num buraco negro na internet, vi um documentário direcionado para o sofrimento animal. Pronto!!! No dia seguinte já não consegui comer o ovo cozido que tinha levado para o pequenoalmoço. A transição foi muito fácil por incrível que possa parecer. O mais difícil foi mesmo lidar com comentários de amigos e família. Em 2015 ser vegan ainda não era visto com bons olhos, digamos assim.

7) M: 3 dicas essenciais para mantermos uma planta viva.

AT: Vamos lá salvar as plantinhas por este Portugal fora. Primeira e a mais importante de todas: Regar só quando o substrato estiver seco. Espetamos o dedo na terra, se sentirmos húmido ou molhado esperamos mais uns dias, se sentirmos seco está na hora de regar. Segunda: Luz. A luz é essencial para uma plantinha se alimentar e assim viver feliz. Pormos as plantas em cantos escuros vai matá-las à fome bem lentamente. Quando trazemos uma plantinha para casa devemos pô-la pertinho de uma janela SEMPRE. A maior parte das plantas consideradas de interior gostam de ambientes bem iluminados e sol direto apenas nas horas iniciais da manhã ou do final do dia, aquelas horas às quais confiaríamos um bebé na praia. Terceira: Vasos com furinhos. Utilizar sempreeee vasos com drenagem (furinhos na parte inferior). São estes furinhos que vão permitir que a água escoe quando regamos as nossas plantas e assim evitar uma piscininha no vaso. Os vasos de plástico, no qual as plantas costumam ser vendidas, podem simplesmente ser cobertos com os vasos decorativos. Não devemos nunca por a planta diretamente no vaso decorativo. Recapitulando, vaso com furinhos são vida.

8) M: Se pudesses mudar uma coisa no mundo, o que seria?

AT: Disciplina obrigatória da primária à faculdade “Contacto com a Natureza”. Tenho a certeza de que iriamos formar seres humanos mais empáticos, com maior respeito pela sua casa e sem dúvida mais felizes.

9) M: Deixa uma mensagem à MELANCIA e aos seus leitores.

AT: Queridos leitores da Melancia, em primeiro lugar obrigada por terem chegado até aqui nesta entrevista, caraças. Em segundo lugar: Já se arriscaram em trazer um pouco de natureza para dentro de casa? Não? Como assim? Oupa, está na hora! Garanto-vos que a vossa vida vai mudar

@atripeirinha

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