tatuagem

Entrevista: RITA ALVAREZ

ANNA

BERGER

Natural de Tel Aviv, mas residente em Lisboa há um ano e meio, Anna Berger trouxe com ela a mestria em linhas e storytelling que, em Portugal, decidiu começar a marcar em pele. Anna fala-nos de um processo criativo peculiar que, conjugando diversas histórias e inspirações artísticas, cria uma linha de trabalho clara e sequencial, com os seus icónicos quadrados, como que molduras para pendurar na pele.

1) MELANCIA: Quem é a Anna? 
ANNA: 
Artista, ilustradora e, aparentemente, beginner tattoo artist de Tel Aviv, nascida em Moscovo.

2) M: Porque vieste de Tel Aviv para Lisboa? 
A: O meu plano inicial, há um ano e meio atrás, era mudar-me para Berlim para estudar. Após a minha curta visita para tratar de todos os papéis fui, espontaneamente, passar uns dias a Lisboa. No momento em que entrei na cidade percebi que Berlim não era para mim e que só tinha de estar aqui, em Portugal. Um ano depois, fui aceite na incrível residência artística PADA no Barreiro, sabendo que não ia voltar para Tel Aviv.

3) M: Pelo teu instagram, conseguimos perceber que tudo isto é muito recente - e essa foi, em parte, uma das razões pelas quais te quisemos muito entrevistar... começaste agora mesmo e é impressionante! Como aconteceu tudo? 

A: Em primeiro lugar, muito obrigado pelas palavras. É muito importante para mim ouvir isto porque estou a tentar equilibrar-me neste ponto de partida difícil onde o apoio significa muito. Tudo começou muito recentemente: Eu tinha a ideia de tentar tatuar em Israel mas não consegui encontrar uma maneira de o fazer. Depois já em Lisboa, conheci através de um amigo o talentoso (também israelita) tatuador Omri Levi (@omrilevi_tattoo), que acreditou imediatamente em mim e se ofereceu para me ajudar. Acho que

nunca ninguém acreditou tanto em mim como ele e nunca poderei dizer-lhe o quanto lhe estou grata por me acompanhar em tudo isto e estar sempre ao meu lado para ajudar - como mentor e como grande amigo.

4) M: Fala-nos do teu processo criativo. 

A: Bem, não é tão romântico como pode parecer. Eu apenas guardo enormes quantidades de imagens que me fascinam nos meus dispositivos - desde cenas de filmes, fotos do iPhone, instagram, etc - e depois desenho-as, porque foram imagens que me disseram alguma coisa. Também tive o mesmo processo criativo com a pintura. Eu apenas capto estas tensões de momentos frágeis através da forma como vejo as coisas.

5) M: Linhas finas, preto e branco e, o mais característico de tudo, quadrados que contam histórias sequenciais. Como descreverias o teu estilo? 

A: Eu nem sequer tentaria descrevê-lo. O que é importante para mim não é o estilo, mas a história. Adoro colocar imagens em quadrados para composição, para clareza e para sequência de narração.

6) M: Como é que as pessoas estão a reagir até agora? 

A: Eu recebo muito apoio! Dos meus clientes (são do melhor até agora), de amigos, de pessoas aleatórias e, também, de tatuadores locais... o que significa muito para mim. Por outro lado eu, como todos os seres humanos, também recebo algum feedback negativo. Mas encaro-o como um elogio.
Desde que as pessoas tenham as suas emoções despertadas, vale sempre a pena.

7) M: Reparámos que costumas fazer alguns desenhos e depois publicá-los na tua página, a perguntar se alguém quer tatuá-los em si próprio. Como está a funcionar este método?

A: Eu desconheço (para ser sincera) qual deveria ser o método, por isso este acaba por ser um método natural para mim, uma vez que ainda me considero em primeiro lugar uma artista. Estas imagens “falam” às pessoas e deixa-me imensamente feliz que alguém as aprecie e queira tê-las - independentemente de ser na pele ou na parede. No final do dia, cada trabalho que sai do meu estúdio tem um monólogo pessoal inesgotável.

8) M: Além do método de que falámos, estás a começar a receber pedidos personalizados? 

A: Sim, claro. Eu faço designs personalizados desde que seja eu a fazer os desenhos, para manter a autenticidade do meu trabalho.

9) M: Quais são as tuas maiores e mais verdadeiras inspirações? 

A: Jean Luc Godard e basicamente toda a nova onda francesa, Henri Rousseau, Pirosmani, David Hockney (uma lista interminável de artistas), muita poesia, rolos de câmera, fotografia de cinema e noites acolhedoras com as pessoas que amo.

10) M: O que te faz continuar?

A: Emoções, acho eu. Nada bate quando sentimos alguma coisa, independentemente de ser agradável ou frustrante.

11) M: Deixa uma mensagem à MELANCIA e aos seus leitores.

A: Apenas vai em frente se o quiseres. (espero mesmo que isto funcione).

www.instagram.com/anna.berger.tattoo

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