ilustração

Entrevista: juliana lima

ANDY

CALABOZO

Ricardo Lima, aka Andy Calabozo é um artista de 28 anos, venezuelano, que voou de Maracay (Venezuela) para o Porto, cidade onde vive em Portugal,e levou as suas ilustrações de estilo único. Nesta entrevista, revela-nos o seu processo seletivo e a sua necessidade de assumir um pseudónimo.

1) MELANCIA: Quem é o Andy Calabozo?
ANDY: 
Foi a primeira personagem que criei no início do meu percurso como ilustrador e que acabou por tornar-se o meu pseudónimo. Na altura, senti a necessidade de assumir outro nome porque pretendia abordar o meu desenho de maneira diferente e achei que ajudaria se encarnasse outra identidade.

2) M: Quando é que percebeste que as Artes eram o caminho a seguir?
A: Por volta do terceiro ano da faculdade, quando me apercebi de que o meu hobbie de desenhar era realmente o que me permitia explorar o meu próprio caminho e com isso vieram sentimentos de concretização e de propósito aos quais me agarrei. Inevitavelmente, fui perdendo interesse por tudo o resto e seguir o caminho da minha arte tornou-se a única opção disponível.

3) M: O teu trabalho apresenta um imaginário notável que toma formas psicadélicas que ganham vida no papel. Fala-nos sobre a tua arte e como encontraste o teu estilo. 

A: Penso que o meu estilo é o reflexo daquilo que me desperta interesse, que é um bocado de tudo, desde padrões e texturas, a um pormenor num filme ou fotografia. Tento sempre incorporar elementos que me sejam apelativos ou que me criem algum impacto e, de certa forma, eles tornam-se em algo com uma identidade própria. Estas compilações de figuras e personagens acabam por se sentir mais confortáveis num universo irreal e distorcido, por isso, o psicadelismo surgiu de maneira natural.

4) M: Fala-nos sobre o teu processo criativo. 

A: O meu processo é bastante autocentrado porque trabalho muito sobre desenhos e esquiços meus, que vou acumulando. Quando surge algo que quero representar ou transmitir, procuro, através de sobreposições e colagens, os elementos e figuras que consiga reciclar para a construção da narrativa. É como montar um puzzle, testando e organizando elementos, até que estes se encaixem, de forma a criar algo que a minha mente reconheça e que me ajude a comunicar.

5) M: Quais os materiais que costumas utilizar? 

A: Normalmente uso vários tipos de papel e material riscante, como lápis, marcadores, canetas, carvão. Desde que sejam de cor cinza ou preta, não tenho muitas restrições. Mas, recentemente, comecei a experimentar com cerâmica e madeira para tentar alargar o meu universo mais um pouco.

6) M: Consegues destacar uma obra? 

A: A primeira que me vem à mente é “a ciência de um fetiche” talvez porque sinto que foi um ponto de viragem no meu processo de trabalho.

7) M: Quais são as tuas maiores inspirações? 

A: O trabalho de outros artistas como Jim Nutt, Niv Bavarsky e Robert Hardgrave, estampas japonesas e cartoons.

8) M: O que é essencial no teu dia a dia? 

A: Um bom documentário e um atelier sossegado.

9) M: Na tua opinião, que noção é que um artista nunca deve perder? 

A: Que criar deve ser um ato que produza algum tipo de satisfação e que explore as tuas capacidades como artista e pessoa.

10) M: Qual é o teu lema? 

A: Não tenho nenhuma máxima que siga estritamente, uma vez que estou sempre aberto a novas ideias e conceitos. Ou afinal talvez estar sempre aberto a novas ideias e conceitos seja mesmo o meu lema.

11) M: Que objectivos gostarias de alcançar? 

A: Gostaria que o meu trabalho passasse mais pelo tridimensional, portanto como objectivo, queria começar a expor cada vez mais escultura.

www.facebook.com/andycalabozo

espreita o artigo na revista

CONTACTos

  • ig
  • fb
  • yt

MELANCIA MAG 2018 © ALL RIGHTS RESERVED