tatuagem & ilustração

Entrevista: RITA ALVAREZ

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ANDREIA

MAEVE

Figuras humanas possuídas, animais ferozes, taras sexuais... As suas temáticas, são como que um manifesto aos tabus e um apelo ao lado mais cru do ser humano, reveladas numa intoxicante espécie de twisted dark art.

1) MELANCIA: Quem é a Andreia Silva?

ANDREIA: Someone thriving on chaos.

2) M: Porquê Maeve?

A: Maeve significa “intoxicante”. Uma substância tóxica, é um veneno produzido pelo próprio organismo e, parte das minhas ilustrações, são representações de caos internos: figuras femininas possuídas por animais, animais na sua essência mais feroz e rituais de sacrifício.

3) M: Como entraste no mundo da tatuagem? Foi algo que acabou por surgir ou que sempre quiseste?

A: Eu sempre desenhei e sempre gostei de tatuagens. Frequentei artes e comecei a tatuar-me com 17 anos e, mais tarde, várias pessoas começaram a pedir-me autorização para tatuar os meus desenhos e foi aí que decidi que queria começar a tatuar. Na altura eu já fazia graffiti e acho que isso também ajudou. Para mim, são duas artes distintas mas com muito em comum.

4) M: O verde e o vermelho são cores predominantes no teu trabalho. Explica-nos porquê.

A: No fundo, eu gosto de trabalhos com bastante contraste. Quando eu olho para algo, a primeira coisa que absorvo é a intensidade da cor e, o vermelho e o verde, são cores contrárias: o vermelho é quente e o verde, é o oposto, é uma cor fria. Em conjunto, criam um impacto visual grande e é isso que eu procuro ter no meu trabalho.

5) M: Animais e figuras humanas (na sua maioria femininas) com influências, diria eu, góticas e kinky. Como descreverias o teu estilo?

A: Como uma espécie de twisted dark. Exploro muito a revelação do feminino e a parte obscura, que só se revela na intimidade - tanto sexual como de essência. A nossa verdadeira identidade, o abandono dos nossos medos e tabus, a batalha entre o que é certo e o prazer individual, o lado racional e o mais selvagem. Mas retratado de forma controversa, através de cores bastante vivas.

6) M: Já tiveste de tatuar peças com que não te identificas?

A: Todos os tatuadores já tiveram de tatuar coisas com as quais não se identificam. Acho que faz parte do percurso e do processo de evolução e, até nos podermos afirmar, temos de experimentar vários estilos e técnicas.

7) M: Conta-nos o teu maior sonho!

A: De certa forma, eu considero que estou a viver o meu maior sonho: poder viver daquilo que mais gosto de fazer. Poder desenhar e dedicar a maior parte do meu tempo a isso mesmo. Por outro lado acho que, o sonho de qualquer pessoa que vive ligado à arte, é ser capaz de produzir algo tal e qual como imaginou. Acho que isso vai ser sempre a minha luta constante. Tudo o resto são objetivos e metas que, eventualmente, serão conquistados. Elevar a fasquia e nunca me conformar é a única regra que tenho.

8) M: Qual é a parte do corpo que mais gostas de tatuar? E a que menos gostas?

A: No geral, eu gosto de todas as zonas, algumas são mais fáceis de tatuar e outras mais difíceis. Mas já começo a ter preferência pelas áreas maiores, como costas, peito e pernas, porque me permitem criar projetos com mais movimento. A tatuagem passa muita pela estética e, o estudo da tatuagem relativamente à fisionomia do corpo humano, é das mais interessantes para mim.

www.instagram.com/andreia.maeve/

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