fotografia

Entrevista: MAFALDA JESUS

anita dos

sete ofícios

Tivemos a oportunidade de falar com a Ana Morais, que com uma simplicidade e simpatia invejáveis, nos falou do seu percurso e da origem do nome “Anita dos Sete Ofícios”. Uma mulher de armas, sempre pronta a resolver desafios, que conta com um portfólio recheado nas áreas da fotografia, escrita, design e música. Faz-nos questionar como um ser humano tem tempo e predisposição para desenvolver tantos projetos e prova-nos que a força de vontade e a dedicação permitem-nos alcançar todos os sonhos. Percam-se no mundo encantado desta artista, no verdadeiro sentido da palavra.

1) MELANCIA: Quem é a Ana Morais?
ANA:
A Ana Morais é um ser com muitos layers que insiste em viver sem se deixar prender pelas dificuldades que a vida impõe seja a que nível for. Sou simplesmente eu a querer viver a vida com a mesma simplicidade que quero fotografar o mundo com a minha câmara. Ah! E também sou lamechas.

2) M: Porquê “Anita dos Sete Ofícios”?
A: A “Anita dos 7 Ofícios”  surgiu por fruto de um acaso e como tal teve um processo natural e de certo modo lento. Começou por os meus colegas de trabalho, por graça, me apelidarem de “mulher dos 7 ofícios” e como sempre achei que os exageros dão bons títulos decidi dar esse mesmo nome ao meu blog  (mulher7oficios.com) e gerir o seu conteúdo direcionado aos meus trabalhos, mas também dedicá-lo à promoção do trabalho de outros que como eu se dedicam a vários ofícios. É também onde, de quando em vez, publico textos de um livro que tenho vindo a escrever ao longo dos anos.

Com a criação de um perfil no instagram em Maio de 2014 e ainda sem qualquer perspectiva em uma identidade criativa/artística, quis personificar o meu blog, substituindo o que era generalizado na expressão do nome do mesmo, pelo nome  carinhoso que os amigos mais próximos me chamavam que coincidia com os afamados livros infantis da Anita e as suas aventuras, que é exatamente assim que gosto de ver o meu percurso artístico: uma aventura com muitas histórias para contar. Agora é também o meu site www.anitados7oficios.com onde alojo o meu portefólio e o blog em sintonia.

3) M: Se pudesses escolher: fotografia, escrita, design ou música? Porquê?

A: Seria uma escolha muito difícil, tenho de confessar. São as minhas grandes paixões e ao longo dos anos encontrei um fio condutor que as relaciona, daí a dificuldade em me dedicar somente a uma. Sou formada em línguas e literaturas por isso a escrita é transversal à fotografia e à música. Esta última relação advém de ter tido a oportunidade de ser canta-autora. A forma como a música transmite sentimentos e emoções de uma forma tão eficaz não cessa de me encantar, por ser subjetiva pode facilmente transformar-se na banda sonora da nossa vida, por isso poder cantar o que escrevo tornou-se num desafio com uma recompensa muito boa: o das pessoas se identificarem e emocionarem-se com as mesmas, apesar de nunca ter editado nenhuma das minhas músicas originais, já tive a oportunidade de as cantar ao vivo. A escrita e a fotografia também têm a sua relação, para além do óbvio uma imagem vale por mil palavras, para mim, dependendo das palavras que a acompanham, essa imagem pode adquirir variadíssimos significados.  O facto de as pessoas e da cultura serem o meu principalmente estimulo para fotografar, as fotografias com história são o meu “prato predileto”. Agora com o mestrado em Design e Cultura Visual espero colmatar na minha formação esta sincrocidade que eu encontrei entre estas 3 áreas.

4) M: O que te fascina na fotografia?

A: O facto de nos permitir sonhar e de nos “obrigar” a sonhar com a essência de criança quase para nos ultrapassarmos. A visão e o alcance da imaginação de uma criança é incrível e poder agregar isso a uma qualquer realidade pensada, vivida e idealizada como adulto é para mim o santo graal da inspiração e que muitas vezes me custa muito alcançar ou manter. Essencialmente tento manter uma ideia de narrador omnipresente para cada fotografia o que me leva a viver várias e histórias diferentes em cada uma. Viajar em grãos de prata é como eu lhe chamo.

5) M: Destaca um click que não esqueces.

A: Incrivelmente os clicks dos quais não me consigo esquecer são exatamente aqueles que, por alguma razão, não consegui executar. São os clicks visuais impressos de forma cerebral, que ficam na memória por tempo indeterminado.

6) M: Onde vais buscar energias e inspiração para alimentar tantas atividades em simultâneo?

A: Não tenho nenhuma receita milagrosa, até porque tem sido um processo intenso e de constante aprendizagem. Para mim é necessária muita força de vontade e uma certa dose de loucura saudável. Ultrapassar a timidez, estarmos dispostos a testar os nossos próprios limites dizendo “sim” a novos desafios e ir ajustando as prioridades ao longo do caminho. A persistência sempre me caracterizou e aprendi com a vida que “acreditar é meio caminho andado”. Como o meu percurso profissional sofreu um desvio inevitável, acreditar que um dia poderei trabalhar somente no que me apaixonada é um forte incentivo para continuar a arriscar em todos os projetos que me vou envolvendo. Acreditar, mas sem sofrer com isso, nem viver em ansiedade, e para isso também é preciso capacidade de encaixe e adaptabilidade às condições e oportunidades que vão surgindo.

7) M: Que projeto te deu mais prazer desenvolver? Porquê?

A: Sinceramente não consigo destacar um só projeto, talvez porque a todos os projetos a que me dedico é de coração e o envolvimento é de muito amor. Aliás nada do que eu faço faria sentido se não fosse por amor. Por isso todos foram ensinamento e os seus respetivos envolvidos professores.

8) M: Quais são as tuas inspirações? Nomeia uma pessoa que te inspire diariamente.

A: Esta deve ser das perguntas que mais me fazem e que mais me custa definir uma resposta ainda. As pessoas são parte muito importante na minha inspiração. No geral como sociedade e especificamente as que se cruzam na minha vida e que de uma forma ou doutra a transformam.

9) M: A escrita e a fotografia combinam na perfeição. Porque não lançar um livro?

A: Já faz parte dos planos há muitos anos, mas tem estado adormecido na gaveta. Neste momento já tenho listados na minha cabeça três títulos e temas, mas antes disso ainda tenho a tese para terminar.

10) M: Qual é o teu maior sonho?

A: Eu sou o que eu chamo de “sonhadora realista”, porque os sonhos acabam por ser racionalizados por metas e objetivos e por isso a lista é longa, e nunca encurta, porque vou concretizando alguns e adicionando outros tantos. Uns mais óbvios que outros, poder trabalhar exclusivamente na comunicação, editar os livros que ando a adiar e formar família são alguns deles. 

11) M: Elege um projeto que, na tua opinião, todas as pessoas deviam conhecer.

A: Gerador: www.gerador.eu

12) M: Deixa uma mensagem à MELANCIA mag e aos seus leitores.

A: ”(...) às vezes na vida é exatamente isso que temos de fazer… sair de nós mesmos para ajudar a simplificar. Para aprender é preciso falharmos, cairmos à água muitas vezes. Às vezes já perto da praia, outras vezes ainda a meio de nos pormos em pé numa prancha. Depende sempre do que aprendemos em cada queda, se somos persistentes, destemidos, se identificamos a razão de termos caído para na próxima tentativa a razão não ser a mesma. (...)

Quero com isto dizer que vos desejo força para realizarem todos os vossos sonhos sem medo de errar!

www.anitados7oficios.com

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