ARTES PLÁSTICAS

Entrevista: LUÍSA VITORINO

ANA
LOUREIRO

foto: @Çağdaş Çeçen  

Nome: Ana Loureiro

Idade: 29 anos
Sou de: Guimarães 
Sou conhecida por: Nunca estar satisfeita

A minha arte é: Intimista 

1) MELANCIA: Fala-nos um pouco da arte que gostas de fazer. Quais os teus suportes favoritos para produzir arte? 
ANA: Actualmente, o meu interesse está mais direcionado para a análise da relação entre a arquitectura e memória, mais concretamente, entre as casas onde vivi e as suas memórias inerentes. Entre 2016 e 2019, desenvolvi o projeto multidisciplinar intitulado “Mapear. Documentar. Revisitar.” que se debruçava, primeiramente, na análise da minha relação com as casas que habitei em Viena. Foi um exercício longo e exaustivo, uma busca quase “arqueológica” de documentos, objectos e localização no espaço e no tempo de forma a tentar estabelecer ligações entre as coisas. De uma forma muito orgânica, essa análise recuou ao tempo da minha infância, aos seus lugares e lembranças, através do forte exercício da memória. Nesse projeto, foi onde interseccionei um maior número de técnicas e suportes. Para mim, é importante adequar a técnica ao propósito do trabalho e não o oposto. Por outras palavras, se, por exemplo, achar que a fotografia será mais indicada para expressar a mensagem, é a ela que irei recorrer. Igualmente importante é encontrar um equilíbrio entre a parte técnica e a parte teórica.

2) M: O que procuras transmitir com a tua arte? 
A: Os meus trabalhos possuem um grande teor de introspecção, com uma forte inclinação autobiográfica. Relacionam-se com as minhas lembranças, com a minha relação com as coisas e com as situações que me rodeiam. Por vezes, esse lado biográfico surge de uma forma subliminar ou indirecta

- tento incutir um lado mais misterioso e menos óbvio. Há contextos que acentuaram essa introspecção. Exemplo atual, é a pandemia e o período de quarentena que nos obrigou a conviver de forma mais intensa connosco e com o nosso espaço, numa condição de liberdade altamente condicionada. Este período foi documentado através de fotografias diárias com apontamentos textuais que descreviam a situação, o estado de espírito ou o objeto apresentado, por vezes de forma irónica, indirecta e pessoal.

3) M: Como artista multidisciplinar, de onde bebes a inspiração para o trabalho que fazes? 

A: Embora a minha formação base seja em Pintura, procurei sempre aprender mais acerca dos diferentes meios/técnicas e, consequentemente, integrá-los na minha práctica artística, que se intensificou após terminar a licenciatura. Sempre tive essa curiosidade e urgência em aprender mais e tornar-me artisticamente mais versátil. Após a minha vinda para Viena, senti-me ainda mais influenciada e motivada, uma vez que parte dos artistas com quem convivia estavam ligados à Arte Digital ou a outras vertentes da New Media. Por isso diria que o que me rodeia - principalmente as pessoas e os locais.

4) M: Num mundo de homens, é difícil a afirmação de uma mulher no mundo da arte? 

A: Infelizmente, ainda continua a ser um meio predominantemente masculino. Há muitos mais homens artistas referenciados do que mulheres e os cargos de direcção/ chefia ainda são de difícil acesso. Embora já tenham sido feitos alguns progressos no sentido de trazer mais igualdade de oportunidades, ainda existe muito trabalho a ser feito. Não só nas artes, mas também noutros sectores da sociedade.

5) M: Sentes que Portugal é um bom sítio para se ser artista? 

A: Não posso responder com certeza se sim ou se não - o que resulta para uns, pode não resultar para outros. Conheço artistas (portugueses e estrangeiros) que decidiram trabalhar em Portugal e assim pretendem continuar a fazê-lo. Mas infelizmente, em Portugal, o apoio às artes e aos artistas é ínfimo e o país ainda tem um longo caminho a percorrer para se aproximar a outros países.

instagram: @analoureirofernandes

analoureiro.com

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