MÚSICA

Entrevista: MAFALDA JESUS

 

amaura

Uma mão cheia de Soul, Jazz, R&B, muita música e poesia, esta é a Amaura. Cantora de palavras bonitas e melodias que nos transportam, chegou para nos ensinar que há coisas que ainda importam. O cuidado com a lírica e uma estrutura musical impecável tornam o trabalho de Maura Magarinhos a “soundtrack” de uma vida.

1) MELANCIA: Quem é a Maura? E o que a diferencia da Amaura?
AMAURA: 
Somos a mesma pessoa, atuamos de formas diferentes. Enquanto Maura, muitas vezes “deixo” as opiniões para mim. Por outro lado, enquanto Amaura, proponho essas mesmas não só pra mim, mas também para quem quiser ouvir. Por isso, as duas coexistem e tornam-se uma.

2) M: O que te levou ao mundo da música? E agora que chegaste, que objectivos pretendes cumprir?
A: Venho de uma família muito musical, com origens diferentes, onde cada referência acrescentou e formou aquilo que hoje se traduz na música que ouço e faço. Isso de alguma forma me encaminhou para a escrita e também para a interpretação dos temas que comecei a escrever. Gosto de pensar em metas. O objetivo é fazê-lo sempre bem. Esse ‘bem’ entende uma estrutura musical bem composta, um cuidado lírico. A forma como chego ao público

é planeada, analisada, para que o resultado ainda seja Eu. Até agora as metas têm sido alcançadas deste jeito. Com trabalho tudo se consegue.

3) M: Lançaste recentemente “EmContraste”, uma mistura de soul, jazz e R&B. Que história conta este álbum? 

A: Soul, Jazz e R&B. Isso mesmo. Este é um álbum de histórias. Comecei a compô-lo sem muita pretensão. Os temas foram surgindo naturalmente. À medida que surgiam, apresentava-os ao TNT (Daniel Freitas), e juntos fomos produzindo aquilo que hoje resulta no EmContraste. Alguns temas falam de perspectivas pessoais, outros nem tanto. Um bom exemplo disso é a música TPM, que retrata a experiência mensal de todas as mulheres, não só a minha, onde os homens, sem saber, participam ativamente desse período e pouco sabem como agir. Se esse tema tiver ajudado nisso, já fico feliz. E no geral, alguns temas da vida inspiram-me, e sem querer criar tumultos ou polémicas, escrevo aquilo que sinto e penso.

4) M: Como tem sido recebido pelo público? 

A: Tem sido super bem recebido. Confesso que me deixou surpresa e obviamente super contente. É bom saber que este tipo de som, ainda que de nicho, tem espaço para crescer. Tudo isto se deve a quem me ouve e acarinha o álbum. Obrigada.

5) M: Fala-nos do processo criativo. Como é que tudo isto surge?

A: Como já referi numa resposta anterior, os meus trabalhos até hoje surgiram naturalmente, escrevo sobre coisas do dia-a-dia, daquilo que vivo, daquilo que cheiro, vejo. Sou adepta de que muitas vezes o beat (instrumental) dá-te uma guia para onde o tema deve seguir. Juntando uma coisa a outra, surge uma música. É assim que gosto e crio.

6) M: Imaginamos que seja uma tarefa difícil, mas vamos supor que só podes escolher uma das tuas músicas para ser ouvida pelo mundo. Qual? 

A: O tema mais global que encontramos no álbum, é o amor, acho eu. É um tema universal. Não tem cor, gênero, idade, muita opinião, nem ego, é
aquilo que muitas pessoas procuram e que outras tantas precisam. Nesse espectro do amor real, também há a parte menos boa, onde sofremos, choramos, transformamo-nos e tudo isso custa, mas ainda assim é bom. É amor. Por eu valorizar essa ambiguidade da vida, hoje com mais maturidade, eu escolheria o Maré Doce. Essa música representa bem isso. Portanto, “Maré Doce”, foste o escolhido.

7) M: E podes escolher qualquer pessoa para fazer uma colaboração. Quem?

A: Samuel Uria. Gostava que ele me fizesse uma guia lírica, porque gosto muito da forma como escreve e interpreta. E para “me mandar pra fora da piscina”, a H.E.R. É multi-instrumentalista, compõe, escreve, e trouxe uma nova vaga de R&B na qual eu me revejo.

8) M: O que se pode esperar de um concerto teu? Qual é a sensação de saber que aquelas pessoas estão ali para te ver? 

A: Olha, uma mega banda, uma mega entrega e, acima de tudo, uma mega gratidão por todas essas mesmas pessoas que estão ali para “me ver”. Dias de concerto são dias onde eu estou mesmo feliz e é assim que gosto que as pessoas se sintam.

9) M: Cantas no banho? Se sim, o que? (estamos curiosos) 

A: No banho gosto de ouvir. Ouço alguns instrumentais e ultimamente tenho tentado imitar os vocalistas dos Jungle, mais precisamente a música ’Cherry’ (risos).

10) M: Qual foi o melhor conselho que recebeste? 

A: Hummm... “No final do dia, tu tens que te divertir com isto.”, disse-me o Daniel, logo quando comecei. Foi num dia muito difícil para mim, então ele fez-me lembrar do que fica e o que vale nesta área. Desde então, uso esta frase mentalmente muitas vezes.

11) M: Se pudesses mudar uma coisa na indústria da música, o que mudavas? 

A: Os egos. São impeditivos do potencial de alcance da própria pessoa. O ego tem que ser fuel, não destino.

12) M: Onde encontramos a Amaura quando não está a cantar? 

A: Na minha bolha habito. Fora disso, com meu cão, amigos, família, supermercado, o que todos fazemos fora da bolha.

13) M: Deixa uma mensagem à MELANCIA mag e aos seus leitores. 

A: À Melancia mag, desejo a continuação do ótimo trabalho que tem vindo a desenvolver e que os seus leitores continuem a ser testemunhas disso. Obrigada.

www.instagram.com/amaura.music

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