ilustração & street art

Entrevista: mafalda jesus

ADD

FUEL

Diogo Machado, conhecido como ADD FUEL, é um artista que trabalha em diversas vertentes, nomeadamente a cerâmica, o stencil e a street art. Afirma que a ideia de reinventar e reinterpretar a azulejaria portuguesa surgiu de uma forma instintiva e despretensiosa, tendo como objectivo homenagear a tradição, devolvendo os azulejos às ruas da cidade.

1) MELANCIA: Quem é o Diogo Machado?
ADD FUEL: 
Encontrei no dicionário: Diogo Machado, 1980, m.n.: art, aliens, anime, basset hounds, brains, candy, color, cartoons, design, destiny, illustration, love, movies, music, noise, nightmares, playstation, restlessness, slime, star wars, superheroes, spray, skate, sci-fi, silence, tattoos, tiles, toys, tradition, vinyl, zombies. (O dicionário estava em inglês, desculpa.)

2) M: Porquê “Add Fuel”?
AF: Porque antes era “add fuel to the fire” que além de ser extremamente comprido e meio “trava línguas”, toda a gente se enganava e esquecia-se de “to” ou “the”. Ficou “Add Fuel”. É mais pequeno e mais abrangente.

3) M: Como começou a aventura no mundo da arte? 

AF: Começou meio instintiva e despretensiosamente. Quando comecei a desenvolver o meu trabalho à volta de reinterpretação e reinvenção da azulejaria de padrão, senti que tinha que meter o meu trabalho em cerâmica na rua, devolver o azulejo à rua onde sempre o vi tão brilhantemente aplicado, durante séculos, nas nossas ruas de Portugal.

4) M: Que potencial viste na azulejaria portuguesa? 

AF: Como disse, foi assim meio instintivamente que comecei a trabalhar à volta da azulejaria. Tive a oportunidade de trabalhar num projecto em Cascais, de onde sou e queria fazer algo que me definisse como “local”. A ideia rapidamente passou para “algo que me definisse como sendo português”. A azulejaria pareceu-me ser a estética ideal a explorar, temos uma tradição tão vasta a abrangente neste campo, que está também a ser aos poucos esquecida como uma das artes principais portuguesas. Senti que podia dar a minha contribuição no sentido de a revalorizar e de alguma forma a reinventar também.

5) M: Destaca um trabalho teu e diz-nos porquê. 

AF: Não consigo fazer isso. Tenho sempre a noção que quero destacar o meu trabalho mais recente, porque é esse o que está sempre mais actual e que representa melhor a minha maneira de pensar a minha arte no imediato. Ok então sim posso fazer isso. Queria destacar o meu último trabalho, porquê? Porque é o que representa melhor a maneira como encaro a minha arte de momento. Fácil.

6) M: Na tua opinião, qual é o papel da street art na comunidade? 

AF: Vários, vários papéis. A arte urbana dinamiza e aproxima uma comunidade. Revitaliza locais esquecidos, ilumina cidades e torna paredes e objectos “cinzentos” e aborrecidos em peças de interesse.

7) M: Que noção é que um artista nunca deve perder? 

AF: Manteres-te fiel ao que realmente queres fazer, teres noção do caminho que queres percorrer, mas ouve conselhos e não te percas no teu próprio umbigo.

8) M: Qual é o teu lema? 

AF: Não faço nada que não me traga alguma felicidade.

9) M: Que projetos vêm ai? 

AF: Viagens com pinturas por Portugal, Estados Unidos e mais alguns países na Europa. Edições em papel e cerâmica, um livro e uma exposição.

10) M: Deixa uma mensagem à MELANCIA mag e aos seus leitores. 

AF: Continuem com o bom trabalho (mag) e continuem a ler e ver o bom trabalho (leitores). E acima de tudo, valorizem-se, sempre.

www.addfuel.com

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