desporto & bem-estar

artigo: juliana lima

YOGA

SPIRIT

Não obstante tudo o que possa ter na vida (dinheiro, posses, status, etc. ) se o corpo não está saudável, como poderá aproveitar? Consequentemente, é de importância primordial que se mantenha um corpo saudável e forte. Algumas pessoas tentam fazer isto através dos desportos e temos observado um grande crescimento de interessados pela pratica do yoga como uma alternativa diferente para tonificar o corpo. O yoga tem vindo a tomar conta do mundo ocidental, os seus estilos diversificados que permitem a adaptação dos vários públicos à modalidade e o evidente impacto benéfico na saúde de quem o pratica levam a este crescente sucesso. E, durante a nossa procura e vontade de perceber mais sobre este fenómeno, encontrámos Jean-Pierre de Oliveira, 44 anos, um especialista que tem muito para nos ensinar. Respire fundo e venha filosofar connosco. Namasté.

Sempre tive bons yogis amadores a minha volta, daqueles mesmo sem ser profissionais, que amavam a prática do yoga. A minha avó, por exemplo, adorava fazer uma invertida perfeita na praia. Aquela imagem sempre me fascinou, e como boa neta seguia os ensinamentos e o bom exemplo dela. O yoga sempre esteve comigo, mas há mais ou menos seis ou sete anos iniciei os meus estudos independentes nesta filosofia assim como a minha prática tão amadora quando a prática dos yogis que citei acima. Durante estes anos a buscar o meu caminho no yoga, além de praticar sozinha, frequentei algumas aulas, experimentei algumas vertentes diferentes, conheci muita gente interessante e professores inspirados. E, cada vez mais tenho a certeza que o segredo da prática do Yoga encontra-se numa simples, porém, importante palavra: equilíbrio.

Jean-Pierre de Oliveira descreve o yoga como um conjunto de ferramentas que nos devolve o controlo da nossa existência. Antes de dedicar-se por inteiro ao yoga, Jean era um gestor de Marketing bem sucedido, mas, revelou-nos, com um grande sentimento de vazio e à procura de respostas. A primeira vez que ouviu falar de yoga, Jean tinha 16 anos, quando a sua irmã mais velha, Cristina, com 19 na altura, começou a fazer aulas. Desde então, o interesse pelo yoga despertou, na sua forma física e na sua forma mental. Começou a estudar os seus fundamentos por volta dos 20 anos, com o objetivo de encontrar respostas para a sua mente sempre muita activa. Entretanto a prática (Hatha yoga e posturas), iniciou tinha quase 30 anos.

A palavra “Yoga” significa unidade, união do corpo, mente e espírito. Não é uma religião e sim uma filosofia. É a arte de ser feliz, conquistando a saúde física e uma mente calma, com coragem e contentamento. Para Jean, o yoga foi a resposta para aquele vazio que sentia, apesar do sucesso profissional que atingiu ao longo da carreira. De um processo de consciência e bastante pessoal, deixou de ser gestor para os outros e virou gestor do seu próprio projecto, o Yoga Spirit. Criado em 2009, tem sempre como objetivo principal cultivar e divulgar a ideia de que não temos de adaptar-nos ao yoga mas que este foi pensado para se adaptar a nós, à nossa vida.

Mas porquê praticar yoga, se existem tantas atividades que também fazem tão bem? Cada um encontra a sua válvula de escape, é verdade. Este artigo não tem a intenção de convencer quem quer que seja a aderir ao yoga. Mas é certo que cada yogi tem a sua própria resposta para a pergunta anteriormente formulada.

Como praticante, acredito que, de facto, o yoga funciona e pode mudar a vida para melhor. Afinal, ajuda-nos a “voltarmo-nos para dentro” e descobrir em nós mesmos um espaço de tranquilidade, apoio e força interior.

Jean-Pierre não é um professor de yoga convencional. Está conectado com o mundo, e por ser muito criativo na sua essência e a pensar nas pessoas que querem ser mais ativas, no entanto não se identificam com a cultura de ginásio, Jean desenvolveu algumas práticas de yoga que têm despertado a curiosidade de muita gente, pois são práticas que oferecem a aliança perfeita entre espiritualidade e atividade física. As aulas de Hot-Yoga, por exemplo, tem ganhado bastante repercussão e popularidade. Pedimos a opinião de Jean sobre esta modalidade e que nos falasse do interesse e motivação dos praticantes.

“O Hot-Yoga é uma prática intensa. É, sem dúvida, desafiante e, à primeira vista, o objetivo principal está nos seus efeitos no corpo. No entanto, as condições extremas de calor e humidade recriadas obrigam a uma maior atenção no corpo (para evitar que as mãos e os pés escorreguem) para manter equilíbrio e os alinhamentos requeridos para manter a estabilidade e uma prática segura. O foco deve ser constante. Estas mesmas condições desenvolvem no praticante uma maior e melhor resistência ao esforço físico, desenvolvendo qualidades de força de vontade e de persistência, em que o fluxo mental é domado (pela restrição de pensamentos). O praticante desenvolve capacidades apuradas de concentração e melhora a sua condição física. É uma experiência diferente de yoga que nos leve a perceber quais são os nossos limites físicos e mentais.” Jean-Pierre de Oliveira.

O yoga não é uma religião e sim uma filosofia. É a arte ser feliz, conquistando a saúde física e uma mente calma, com coragem e contentamento. É tornar-se o seu verdadeiro amigo, aprendendo a apaziguar a mente, que é o alicerce de uma vida feliz e da paz interior. Essa prática ajuda a superar medos, condicionamentos e limitações que nos impediam de ser mais realizados e felizes. O yoga ensina a desligar e relaxar, num mundo em que existe tanta pressa e inquietude.

E, para fechar este conteúdo com propósito de reflexão a desenvolver uma mente positiva, confiante, paciente e calma, perguntámos a Jean sobre o seu projecto social. Como o idealizou, como foi colocá-lo em prática e qual era a maior recompensa que obtém com estas aulas.

”As aulas comunitário têm por objetivo de criar uma comunidade crescente de yogis em Lisboa. Criar um lugar de encontro, de troca de experiência e novas #yogamizades! De facto, nao se trata só de um aspeto social em termos económicos, é muito mais do que isso… O donativo livre tem vários propósitos, o de quebrar barreiras na gestão do orçamento individual, sendo nalguns casos impeditivo a uma prática regular num estúdio ou escola de yoga, e, para outros, tem o objetivo de permitir redefinir o valor intrínseco próprio que damos ao yoga, e assim redefinir a sua gestão de prioridades. Por vezes, precisamos de nos encontrar com outros para perceber o que é importante para nós e reajustar o nosso sistema de valores. Uma comunidade é um grupo de pessoas que interagem no mesmo lugar para praticar juntos, mas uma comunidade yoga rapidamente torna-se muito mais do que isso... Numa comunidade de yoga, as pessoas cultivam relacionamentos de uma forma diferente.

Tenho consciência de que o professor tem um papel especial nesses relacionamentos em desenvolvimento e, para mim, criar um ambiente que é propício à construção de uma comunidade yoga que irá beneficiar os alunos em tantos aspectos da sua vida (na sua expansão e crescimento) é o mais gratificante.

O yoga é um conjunto de ferramentas que deve levar à expansão dos indivíduos. Ao encontrarem-se num espaço com outros que têm intenções semelhantes, tem um efeito tão poderoso nas suas mentes, corpos e corações que os leva a querer criar elos de ligação com outras pessoas, que vieram para viver uma experiência semelhante e comecem a conversar antes ou depois da aula. Estas novas amizades são espontâneas e genuínas que têm o Yoga como núcleo.

 

No fundo, uma comunidade de pessoas a crescerem na sua prática e, ao conectarem-se com outras pessoas, a levar estas novas amizades para fora da aulas de yoga.

Por em prática foi relativamente fácil: decidi investir a fundo perdido num espaço cuja localização fosse central, uma sala maravilhosa desconhecida por muitos, e de fácil acesso. Em poucos meses a sala foi enchendo cada vez mais um pouco. Ja chegámos a ter mais 90 pessoas..” Jean-Pierre de Oliveira.

Estas aulas acontecem apenas uma vez por mês, sempre no primeiro domingo de cada mês, no quarto andar do espaço INATEL Mouraria, um antigo ginásio de um prédio histórico de Lisboa, que por si só, já é encantador. Eu fui no primeiro domingo de maio, e recomendo. Acompanhe as novidades do site e redes sociais de Jean para saber mais detalhes.

E, para fechar este conteúdo, deixo cá um dizer da filosofia do yoga: “Se o corpo está fraco, se as veias e os nervos estão fracos, se não há a força do Prana (força vital do universo), então como podes ter alguma alegria de viver?”

www.yoga-spirit.pt

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