STREET ART

Entrevista: MAFALDA JESUS

DANIEL

EIME

Uma intervenção num mercado de bairro em Roma (integrada numa iniciativa que chama a atenção para o perigo de extinção destes locais) é um dos últimos trabalhos de Daniel Eime, 30 anos, artista do stencil. Tudo começou há uns anos, na “cena” urbana das Caldas da Rainha e foi-se espalhando por aí. Fica a conhecer o percurso deste artísta e delicía-te com a delicadeza e o contraste das suas obras.

1) MELANCIA: Quem é o Daniel? 
DANIEL: 
Um rapaz simples, razoavelmente obcecado pelo trabalho mas que adora o que faz.

2) M: Como é que a street art entrou na tua vida? 
D: Foi de uma forma bastante discreta, porque quando comecei a fazer os primeiros graffitis ainda não se falava desta coisa da “street art”. Pinto e desenho desde que me conheço, por isso o passo para algo mais urbano foi natural e inconsciente. Sempre gostei de experimentar coisas novas, algumas com um grau de risco elevado (hoje em dia já nem tanto) e talvez por isso, tenha começado a pintar na rua. Na altura, o movimento urbano nas Caldas da Rainha estava em crescimento e acabei por ser apanhado nessa teia. Foi uma fase estranha, com várias mudanças na minha vida, mas agradeço por ter dado esse passo no escuro. Devo a vida que hoje tenho, a esses momentos.

3) M: O que diferencia o teu trabalho? 

D: Primeiro, porque é uma perspetiva pessoal mas provavelmente pelo facto de usar uma técnica pouco acarinhada, o stencil, onde tento conjugar uma estética diferente do comum, com outras escalas e universos mais geométricos e/ou abstractos.

4) M: Fala-nos das tuas inspirações e referências.

D: Mencionar algumas torna-se impossível porque não bebo sempre da mesma fonte. Tudo pode ser motivo de inspiração. Precisamos é de andar atentos ao que nos rodeia porque é constante o que nos chega e que pode ser usado para os nossos trabalhos.

5) M: Destaca um trabalho teu e diz-nos porquê. 

D: O que fiz em 2014 na minha primeira vez no festival Memorie Urbane em Itália, marcou uma nova fase na minha vida artística.

6) M: Na tua opinião qual é o papel da street art na comunidade? 

D: A meu ver tem vários papeis, mas penso que principalmente é o de tentar quebrar a quarta parede, entregando livremente diversas manifestações artísticas a qualquer tipo de pessoa.

7) M: Que noção é que um artista nunca deve perder? 

D: Noção da realidade. Podemos e devemos por vezes andar nos nossos mundos mas convém estarmos atentos aos outros e ao que nos rodeia.

8) M: Já fizeste várias exposições nacionais e internacionais. Quais são os próximos objectivos? 

D: O objectivo é sempre o mesmo, continuar a trabalhar e a puxar por mim para conseguir crescer tanto a nível pessoal como profissional / artístico.

9) M: Qual é o teu lema de vida? 

D: Não tenho um lema, mas gosto de ir seguindo o vento, para não estagnar nem andar sempre a pisar os mesmos caminhos.

10) M: Onde encontramos o Daniel quando não está a pintar? 

D: Em casa, com as minhas duas senhoras.

11) M: Deixa um recado à MELANCIA mag e aos seus leitores. 

D: Primeiro, obrigado Melancia pelo convite e de um modo geral, aproveitem as oportunidades que vos surgem e não se deixem acomodar.

www.danieleime.com

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