Entrevista: MAFALDA JESUS

Fotografias: VÁRIOS

NERVE

Considera-se pessimista, afinal, o seu segundo disco de originais chama-se “Trabalho & Conhaque ou A Vida Não Presta & Ninguém Merece a Tua Confiança”, mas, na realidade, defende que, perante as adversidades, devemos “pôr mãos à obra”. Tem 27 anos, é rapper, diz que faz música à sua maneira e, no que diz respeito aos seus álbuns, responsabiliza-se por letras, produção e instrumentais. Apesar de gostar de conversar consigo mesmo, aceitou dar uma entrevista à MELANCIA mag.

1) MELANCIA: Quem é o Tiago?
NERVE: Um tipo aí, que faz música.

2) M: Porquê Nerve?
N:
Vem da expressão “Struck a nerve”, que é título de uma música de Machine Head. Tinha 15 anos quando escolhi o nome. Acabou por ganhar algum sentido, mas hoje escolheria outro. Qualquer coisa em português, se calhar.

3) M: Como começou esta aventura no mundo da música? 

N: Foi gradual, sem grandes pretensões. Desde muito cedo encontrei na actividade criativa diversos veículos confortáveis para me expressar e a música tornou-se um desses veículos. Desde que saiu o novo álbum estou numa boa fase que ando a tentar manter. No fim do dia, alguns altos e baixos bem fundos, mas tem sido uma boa aventura.

4) M: “A vida não presta & ninguém merece a tua confiança”. És mesmo assim tão pessimista?

N: Sem dúvida. Mas bem vista a coisa, considero-me um realista. Ainda assim, a mensagem inerente ao disco não pretende encorajar a lamuria derrotista. Pelo contrário, é meio uma mensagem de força ou de orgulho individualista em situações mais adversas. Numa de “as coisas são o que são, agora mãos à obra”. Além disso, convém não ignorar a ironia toda que envolve o álbum. Ninguém está aqui de corda ao pescoço, para já.

5) M: O que difere a tua música? 

N: Não sei bem o que responder, não estou a inventar a pólvora com a minha música. Posso dizer-te que a minha preocupação é antes de mais com a escrita. Se na maioria da música que prolifera por aí a prioridade for outra, pode ser que seja por aí que me diferencio, não sei. De resto, o que diferencia a minha é o mesmo que diferencia as outras. É música feita por mim à minha maneira. Somos todos super especiais.

6) M: E o que verdadeiramente te enerva? 

N: Não me canso de dizer isto: As pessoas no geral, durante as horas de ponta.

7) M: Os teus concertos são muito intimistas e as tuas letras apoderam-se do público, gerando momentos de introspeção. Qual é a sensação de saber que aquelas pessoas estão ali para te ver?

N: Como a maioria dos gigs que tenho dado são em noites em que só eu vou actuar, nesse registo mais intimista, um dos aspectos positivos tem sido exactamente o facto de eu saber que aquelas pessoas estão ali especificamente para me ver. E isso quer dizer qualquer coisa. Antes do álbum sair, estive parado muito tempo e a única visão que tinha acerca dos meus seguidores era através das redes sociais, então tem sido bom perceber que a malta que me tem seguido não contribui só com “likes” e que de facto é capaz de comprar um disco ou de sair de casa para ir a um gig. Acaba por ser irónico, considerando que é malta que pelos vistos gosta de ouvir música sobre viver fechado num quarto.

8) M: Fala-nos das tuas referências e inspirações. 

N: Umas mãos cheias de rappers norte-americanos que lançaram material pela Def Jux, Anticon ou RhymeSayers na primeira metade da década passada. Em Portugal, referência directa? Matozoo e pouco mais. Além da música, tenho fortes referências em comediantes como Greg Giraldo, Bill Burr, Mitch Hedberg, Anthony Jeselnik, por aí.

9) M: E o teu processo criativo? Como é que tudo isto surge? 

N: São ideias soltas, acumuladas ao longo do dia, que tento organizar e polir quando chego a casa depois do trabalho. Muitas das faixas do novo álbum são compostas por dezenas dessas ideias soltas, enquadradas dentro de uma temática abrangente. Com o passar do tempo, acredito que já criei um universo grande o suficiente para puder abraçar várias temáticas distintas e manter o meu registo, e parte da piada de escrever enquanto NERVE é expandir esse universo. Acrescentar camadas à personagem, que acaba por ser uma mistura de retalhos de referências com traços da minha personalidade.

10) M: Com quem gostavas de conversar? 

N: Comigo, há duas décadas.

11) M: Que objectivos pretendes cumprir com a música? 

N: O meu objectivo é só expressar as minhas ideias de forma criativa. No processo, deixar alguma espécie de marca para a posterioridade seria impecável. Além disso e como já referi, um dos objectivos imediatos é manter o momentum que ganhei com o novo álbum. Dar mais espectáculos, continuar a escrever, produzir instrumentais, lançar um ou dois EP’s o quanto antes, por aí.

12) M: Qual é o teu lema de vida? 

N: Nenhum em particular. Uma qualquer lei de Murphy deverá funcionar.

13) M: Deixa um recado à MELANCIA mag e aos nossos leitores.

J: Obrigado à MELANCIA pelo convite e a quem leu pela paciência. Qualquer novidade será anunciada em facebook.com/avidanaopresta. E é isso. Sejam realistas, é OK.

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