street art

Entrevista: juliana lima

matilha

Conversámos com Ricardo Romero, 34 anos, artista autodidata e idealizador do Projecto Matilha, que integra arte urbana e uma causa social em que acreditamos e a qual apoiamos. Não percas esta entrevista exclusiva e descobre tudo sobre este projeto que tem como objetivo central consciencializar a comunidade/sociedade para questões relacionadas com os direitos dos animais e dos humanos.

1) MELANCIA: Antes de falarmos do Projecto Matilha, gostaríamos de saber mais de ti. Quem é o Ricardo Romero?
RICARDO: 
Sou, sobretudo, uma pessoa de paixões e convicções... Sou um apaixonado por tudo o que sejam intervenções em espaço público, por música, por animais, pela natureza, pelo mar e, de uma maneira geral, por pessoas (algumas)... Sou convicto do que quero e do que pode ser o meu contributo para um amanhã diferente...

2) M: De onde és, onde estás e para onde vais?
R: Eu nasci e cresci em Évora, vivo em Leiria há cerca de oito anos. Gosto bastante da cidade e é o local ideal para a minha filha Mariana, que tem 4 anos, crescer. Para onde vou?! Não sei muito bem, mas vir a morar à beira mar é algo que me agrada muito..!

3) M: Além de pintar, o que mais fazes? 

R: Sou pai, passo imenso tempo com a minha filha, dedico bastante tempo ao projeto “UIVO” (quer na coordenação quer na produção) e tenho um outro projeto “Walls”, em que faço a cada dois meses a curadoria de exposições com jovens artistas/projetos no distrito de Leiria.

4) M: Como e quando é que o teu gosto pela arte começou? 

R: Muito cedo! A pintura foi sempre algo que me fascinou e acompanhou. Com 5 anos pintei um muro na escolinha e foi algo que me marcou bastante. A partir daí, tudo me servia de desculpa para desenhar.

5) M: Fala-nos um pouco desse muro e das tuas experiências iniciais com a arte urbana.

R: O primeiro muro que pintei foi, como já disse, aos 5 anos. Mais tarde, quando tinha 13 e depois de muitos cadernos riscar, fiz o meu primeiro graffiti! Foi nessa altura que tive também a minha primeira crew no graffiti (NMR), um grupo de bons amigos! Deve ter durado uns dois anos. Mais tarde, por volta de 98, já com o meu tag Ship, pertenci a uma outra crew do graffiti: a Bishop Crew! Era de Évora, cidade pequena mas, naquela altura, com uma significativa atividade no graffiti. Mais tarde, entro para a One Art Crew, à qual ainda pertenço, através do meu grande amigo Smile que é, talvez, o responsável por eu nunca ter deixado de pintar..! As minhas raízes estão profundamente ligadas ao mundo do graffiti, do hip hop. O conceito de grupo e de união está muito presente em mim!

6) M: No que consiste o Projecto Matilha?

R: É um projeto artístico de arte urbana que pretende consciencializar a comunidade/sociedade para questões relacionadas com os direitos dos animais e direitos humanos. Através do Projeto Matilha procuro combater este enorme flagelo que é o abandono e os maus tratos a animais de companhia, bem como combater a exclusão social/humana. Basicamente, é tentar dar voz a quem não pode falar ou ser ouvido!

7) M: Fala-nos sobre as obras do projecto e sobre o processo criativo. Como escolhes as personagens e as mensagens que decides passar em cada trabalho?

R: As personagens do Projecto Matilha são reais. As histórias que contam encontram-se à nossa volta... Infelizmente, existem bem mais casos do que os desejados, e todos juntos representam uma realidade: a minha realidade, e é com base nela que decido quem vai aparecer de seguida. O ponto de partida é sempre de uma fotografia que é desconstruída em linhas e curvas, para voltar a ser construída!!! A mensagem, depende sempre do momento ou do local onde será a intervenção.

8) M: Elege o trabalho feito para o Projecto Matilha que mais te marcou e diz-nos porquê.

R: Não existe um, existe uma “Matilha”!

9) M: Quais são as tuas referências e inspirações?

R: As minhas maiores referências sempre vieram de outras áreas que não a pintura: a música e o vídeo sempre foram as minhas maiores influências. Todas as pessoas que conseguem fazer algo por um amanhã melhor sempre me inspiraram e, felizmente, são algumas! No fundo, a minha inspiração vem de tudo aquilo que me rodeia.

10) M: Sabemos que o “UIVO” é um “complemento” do Projecto Matilha e que tem uma enorme preocupação com a inclusão social. Do que se trata e como surgiu esta extensão? 

R: No sentido de desenvolver a vertente mais educativa, lançámos no final do ano passado (2015) a iniciativa/projeto “UIVO – ecos de arte com animais e gente dentro”. O UIVO pretende ser uma intervenção concertada para a promoção da coesão, inclusão social e cidadania ativa, utilizando as práticas artísticas como instrumento facilitador das relações interpessoais, e fomentando a corresponsabilização e empatia, através da sensibilização e consciencialização da comunidade em relação aos animais. No âmbito do UIVO, iremos desenvolver, ao longo de três anos, bibliotecas itinerantes, intervenções em espaço público (físico e visual), oficinas de arte, uma orquestra, uma curta-metragem, um documentário, exposições, várias ações de sensibilização e muito, muito mais! Com esta iniciativa, conseguimos de uma forma pacífica ter outros artistas a colaborar nesta causa, sem hipotecar aquilo que é o meu trabalho. De um lado, temos o Projecto Matilha, arte urbana desenvolvida por mim, e depois um complemento “UIVO”, uma iniciativa do Projecto Matilha mas que é de todos os participantes, onde, a nível artístico, vamos ter o meu trabalho mas também a importante colaboração de vários artistas/criadores tais como na ilustração, Lisa Teles (Escaravelho editora) Diogo Monteiro (Tenório); escultura/pintura, Fábio Colaço; Ana Prates no design de produto; Andreia Marques no design; o Bruno Carnide através de uma curta que será produzida para o UIVO, como diretor musical; Mário Marques que terá a companhia do David Santos (Noiserv) para musicar a nossa orquestra, e a fotógrafa Elke Vogelsang, que participa através do seu próprio projeto/trabalho, ajudando-nos a dar cara a alguns dos participantes do enredo!

11) M: Que objetivos gostarias de alcançar no futuro? 

R: O poder dedicar-me a 100% ao Projecto Matilha é algo que ambiciono. Pintar coisas que não me dizem absolutamente nada, é cada vez mais estranho.

12) M: Qual é o teu lema de vida? 

R: Fazer e deixar fazer... nas calmas!!!

13) M: Onde encontramos o Ricardo quando não está a pintar? 

R: A passear com a Mariana e com o Gaspar. O local habitual é à beira-rio em Leiria ou à beira-mar na praia da Polvoeira. Gosto de correr. Grande parte do tempo é também passado em pesquisas. Depois existem reuniões, muitas, demasiadas aqui e ali... 

14) M: Deixa uma mensagem à MELANCIA mag e a todos os seus leitores.

R: À MELANCIA mag, espero que continuem a dar voz a todos os criativos. Para os leitores, estejam atentos ao que acontece mesmo debaixo dos vossos narizes… por vezes, estamos todos tão preocupados em ver ao longe que ignoramos por completo o maravilhoso mundo novo onde nos movimentamos, no nosso próprio bairro, na nossa terra. Há muito boa gente boa no que faz muito perto de nós. É só, olhar, ver e reparar!

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