MÚSICA

Entrevista: JULIANA LIMA

jimmy p

Abril marca o lançamento de “Essência, o terceiro álbum de Jimmy P. Aproveitámos as boas energias e as emoções da véspera para conversarmos com este músico que nasceu no Barreiro, mudou-se para Paris aos 8 anos e durante a sua vivência na cidade luz começou a descobrir o rap. Só alguns anos depois é que Jimmy P viria realmente a interessar-se pelo rap, e tornar-se uma figura central da nova geração da música urbana actual portuguesa, combinando o Rap e o R&B.

1) MELANCIA: Quem é o Jimmy P?
JIMMY P: O meu verdadeiro nome é Joel Plácido, nasci no Barreiro, sou filho de pais angolanos. Vivi em Paris dos 8 aos 15 anos, foi lá que descobri o HipHop. Mudei-me para o Porto nessa altura, cidade onde decidi ficar até hoje.

2) M: Soubemos que sempre tiveste o teu pai Jorge Plácido, como referência e quase seguiste a carreira dele, de futebolista. Entretanto decidiste seguir outros caminhos. Conta-nos como começou o teu gosto pela música e o que te fez mudar o teu percurso?
J:
O meu pai é uma pessoa apaixonada por música. Muitas das primeiras coisas que ouvi enquanto criança foi por intermédio dele (samba, salsa, reggae, Semba, e inúmeros outros estilos). Foi com ele que aprendi a ouvir e a descobrir a música antes sequer de ter o meu gosto pessoal definido. Apesar de gostar de jogar futebol, de ter um pai como exemplo, percebi cedo que a música ocupava um espaço e uma importância muito maior na minha vida.

3) M: Como te sentes em relação à tua decisão de seguir a carreira musical? E como é que o teu pai encara este facto? 

J: Não foi uma decisão que tomei de ânimo leve porque nessa altura já tinha uma profissão, uma formação, portanto trata-se de algo que ponderei com algum cuidado. No fundo, abdiquei de tudo que estava a fazer para tentar a minha sorte na música pois sabia que devia isso a mim mesmo: tentar! Quanto ao meu pai, ele é o meu maior fã. Sempre me apoiou em tudo, e foi seguramente das pessoas que se manteve firme ao meu lado quando eu decidi correr este risco.

4) M: Como classificas a tua música? 

J: Revigorante, fresca, saudável.

5) M: No cenário global, quais os artistas dentro de teu estilo que mais admiras? 

J: The Fugees, e a Lauryn Hill.

6) M: E no cenário nacional, quais as tuas influências? 

J: Chullage, Boss AC, Valete, Sam The Kid. Esses são os artistas que cresci a ouvir.

7) M: O teu trabalho é bastante conhecido pela qualidade, pelas letras originais e pelas rimas. Fala-nos do teu processo criativo e das tuas inspirações. 

J: Não tenho uma regra. As coisas acontecem de forma natural, vão acontecendo. Pode partir duma melodia de refrão que eu tenha em mente, pode ser a parte instrumental da música a sugerir uma direcção. Por outro lado, eu não escrevo nem me inclino sobre assuntos que não me digam respeito ou que não tenha vivido. Dificilmente consigo criar música partindo de algo que não me diga respeito.

8) M: Já cantaste com outros grandes músicos como Agir e Valete. O que parcerias como estas agregam para o teu trabalho? 

J: É enriquecedor. Poder criar e estar em estúdio com artistas que têm uma visão e uma abordagem diferente da nossa é extremamente salutar. É um processo em que todos temos a ganhar pois permite-nos unir os nossos públicos e fazer a nossa música chegar a outros circuitos. Por outro lado, creio que a música é isso mesmo: a partilha.

9) M: Elege a música que mais te orgulha e explica-nos o porquê.

J: CORAGEM DE VIVER. Foi um tema que escrevi num dos momentos mais delicados da minha vida.

10) M: Acreditamos que o ano passado foi um ano muito importante para ti. Com apenas 2 álbuns lançados ganhaste prémios importantes como de Artista Revelação 2015, Prémio Melhor Performance ao Vivo 2015, Melhor Artista Nacional 2015. Fala-nos sobre estas tuas conquistas.

J: 2015 foi o melhor ano da minha carreira a todos os níveis: atuações, prémios, exposição. Contudo, não vejo esses prêmios com um objetivo de carreira. São boas consequências boas que resultam do trabalho que desenvolvemos, mas não são um objetivo.

11) M: Agora, prestes a lançar oficialmente o teu terceiro álbum, fala-nos das tuas expectativas. Como te sentes? 

J: Ansioso por perceber a reação das pessoas a este novo trabalho. Tenho noção de que é um risco tendo em conta a estética e a sonoridade do álbum mas estou confiante que as pessoas vão gostar mais deste álbum do que dos outros.

12) M: O que podemos esperar de “Essência”? 

J: É um álbum mais melódico, mais harmonioso, mais minimal até. Houve outras preocupações que não tive nos outros álbuns como fazer canções, e revestir os Raps e os refrões com melodia de forma a torná-los mais agradáveis. É um álbum para pessoas gostam de HipHop e RnB.

13) M: Qual é o teu lema de vida?

J: Um dia de cada vez.

14) M: E o teu maior sonho?

J: Ser pai. E sobretudo ser um bom pai.

15) M: Deixa um recado à MELANCIA mag e aos nossos leitores.

J: Obrigado a todos os que apoiam a música nacional!

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