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Entrevista: MAFALDA JESUS

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Filipa Vargas, 25 anos, vem de Ponta Delgada, Açores. Tatua há apenas 2 anos e especializou-se em dotwork. Acabou por criar um estilo muito seu, apresentando um trabalho tão minucioso mesmo com pouco tempo de experiência. Nesta entrevista, Filipa confessou-nos que passou muito tempo sem saber o que queria fazer “quando crescesse” mas quando descobriu o seu talento para a tatuagem tudo passou a fazer sentido. Para ela, e para toda gente que admira o seu trabalho, como nós! Conhece as referências e inspirações desta artista que faz quase magia aos pontos.

1) MELANCIA: Quem é a Filipa?
FILIPA: 
«kinky little woman with crazy hair, big brown eyes, and a faraway stare.»

2) M: Há quanto tempo tatuas e como tudo começou?
F: Tatuo há 2 anos e faço dotwork há 1. Estive muito tempo sem saber o que queria ser “quando fosse grande”. No dia em que descobri que queria ser tatuadora tudo passou a fazer sentido. Levei um ano a conhecer os trabalhos de tatuadores conceituados, a voltar a focar-me no desenho e a procurar alguém que quisesse ensinar-me esta arte. Eventualmente encontrei uma loja que me aceitou como aprendiz em Ponta Delgada. A partir daí, muita aprendizagem, muitos medos, muitas frustrações e encruzilhadas, mas ainda mais alegrias e concretizações.

3) M: Tens um estilo de pontilhismo muito próprio. Como o descreverias? 

F: Dotwork realista é provavelmente o termo que sinto que melhor descreve o que faço. Sempre fui apaixonada por realismo e agora, com o dot, tento ser ainda o mais realista possível mas com toda a expressividade única que o dot me permite ter.

4) M: Todos os artistas têm as suas referências, fala-nos um pouco das tuas. Quais são os tatuadores ou ilustradores que mais admiras e que de alguma forma inspiram o teu trabalho? 

F: No meu primeiro ano a tatuar as minhas referências não passavam pelo dot. Fui encorajada a explorar dotwork, mas só fiquei realmente convencida depois de ver o trabalho da Sarah Herzdame. Ainda assim só me apaixonei realmente pelo estilo depois de desenhar o meu primeiro retrato realista. A partir daí comecei a pesquisar mais artistas dentro do estilo e agora posso destacar Ed Zlotin, Mxm, Kelly Violet, DŻO LAMA, Fredão Oliveira, Kamil Czapiga e Róbert A Borbás.

5) M: Fala-nos do teu processo criativo. Gostaríamos de saber como fazes a gestão de tudo desde a marcação, os desafios de criar a ilustração e responder às vontades do cliente, até realizar e finalizar a tatuagem em si.

F: Peço sempre para me enviarem mensagem para a minha página profissional (Filipa Vargas Tattoos) no Facebook e que especifiquem o que querem, em que zona do corpo e que me enviem referências de outros trabalhos que tenham gostado, para eu perceber a linha de pensamento que preciso de seguir. Se são trabalhos complexos peço para virem ter comigo para que haja o mínimo possível de falhas de comunicação e aí fazemos a marcação. Na semana agendada volto a falar com a pessoa e normalmente mostro que referências fotográficas vou usar e peço luz verde para avançar a ilustração. Preciso de estar sempre de acordo com o cliente porque desenhar em dot é um processo tão demorado que fica fora de questão redesenhá-lo na integra. Mas há sempre excepções: há casos em que me basta a referência fotográfica antes da tatuagem e “traduzo” para dot directamente na pele.

6) M: Se conhecesses a Filipa, no início do seu percurso no mundo da tatuagem, que conselho lhe darias? 

F: Ria-me um bocado e dizia “oh miúda, soubesses tu o que ainda vais ter que lutar escondias-te num buraquinho! Mas mantém-te forte!”

7) M: Destaca um trabalho teu e diz-nos porquê. 

F: A primeira Frida Kahlo que fiz, numa vencedora de um dos meus concursos. Estive muito ligada na escolha da referência e super excitada por fazer aquele retrato em particular. Não querendo de todo diminur as outras tatuagens que fiz, mas esta deu-me um gozo especial. Levei o meu tempo e fui avançando sem pressas, sabendo que queria oferecer uma tatuagem brutal a esta pessoa. Foi uma excelente experiência.

8) M: Qual é o maior desafio profissional nesta indústria? 

F: Sobressair numa cidade grande, carregada de artistas fantásticos. E tentar não desmoralizar nas épocas de menor trabalho.

9) M: Qual é o teu lema de vida? 

F: Não tenho nenhum específico, vou-me adaptando às situações e acabo por arranjar mantras que me fazem avançar. Às vezes são pedaços de músicas, outras vezes frases muito simples... Desde que naquele momento funcione...

10) M: Onde encontramos a Filipa quando não está a tatuar? 

F: Em casa, a dar mimo ao gato e ao namorado. A beber cafés por lisboa fora com os amigos e a comer bons pitéus. E quando o trabalho permite, até ponho o pé fora de casa para umas cervejinhas.

11) M: Com quem gostavas de conversar? 

F: Com todos os tatuadores que já referenciei e com mais uns mil. E uma última palavra com pessoas que já não estão cá.

12) M: Deixa um recado à MELANCIA mag e aos leitores.

D: Continuem a apoiar esta fantástica iniciativa! E já agora, dêem uma olhada nos meus pontinhos!

www.facebook.com/filipavargastattoos

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