Entrevista: MAFALDA JESUS

CONCEITO: HUGO SUISSAS

HUGO

SUISSAS

Um visionário do instagram e um talento criativo, assim se pode resumir Hugo Suissas, de 26 anos, diretor de arte na agência “excentricGrey”. Descobriu a paixão pela fotografia sensivelmente há dois anos e desde aí fotografa com o seu iPhone tudo o que lhe aparece à frente. Um dia acordou e viu Lisboa como se tudo fosse simétrico e assim surgiu o “Symetric Lisbon”, um projeto que foi muito falado e que chegou mesmo ao National Geographic. Fica a conhecer o trabalho deste jovem talento, que luta diariamente para surpreender os seus seguidores com clicks inesperados.

1) MELANCIA: Quem é o Hugo Suissas?
HUGO: 
Na realidade acho que nunca vou saber quem sou realmente, porque todos os dias descubro coisas novas acerca de mim. Todos os dias tento ultrapassar as minhas expectativas. Nunca vos aconteceu “Mas fui eu que fiz isto?!”. Até agora posso confirmar que me chamam por Suissas e que descobri o mundo da fotografia há cerca de dois anos e, desde então, não quero outra coisa se não andar por aí a tirar fotos a tudo o que me aparece à frente.

2) M: Quando soubeste que o design e a criatividade eram o caminho?
H: Desde miúdo que sabia o que queria mas, não sei exatamente o dia e a hora em que percebi que era o mundo das Artes e do design o meu caminho. Sei que quando pegava num lápis ou algo que envolvesse imagens, o meu coração ficava a mil à hora e isso mostrava que o meu destino estava traçado.

3) M: O que distingue as pessoas criativas das outras?

H: Penso que todos nós somos criativos até um certo ponto e existem diferentes níveis de criatividade. Para esta resposta gostava de dar um exemplo: Imaginem a escalada, há uns que ficam logo no início, outros que ficam a meio e outros que chegam ao topo. E tal como na escalada, que é preciso treinar para chegar ao cume da parede rochosa, o mesmo se aplica à criatividade, é preciso estimular o pensamento para atingir as melhores ideias. Eu acho que, neste momento, vou a um terço da parede rochosa.

4) M: As tuas fotografias são um sucesso nas redes sociais. Qual é a diferença entre instagrammer e fotógrafo?

H: Sucesso? Nunca me pediram um autógrafo na rua...! Há uma grande diferença entre instagrammer e um fotógrafo profissional. Ambos são fotógrafos mas diferentes a nível técnico. Quer isto dizer que um profissional tem noções e conhecimento técnico da máquina que está a utilizar e tem de preocupar-se com muitos detalhes, desde as luzes, sombras, perspetivas, entre outras. Se me derem uma Máquina Fotográfica para a mão sou capaz de nem sequer saber ligar a máquina. Um instagrammer apenas tem de executar um movimento muito simples - clicar no botão de fotografar. Claro que existem instagrammers que são fotógrafos de profissão e aproveitam o Instagram para mostrar o seu trabalho - eu não concordo muito com isso. O conceito e essência do Instagram para mim são o instantâneo, o simples movimento de sacar o telemóvel do bolso e captar algo de muito especial que acabou de acontecer (tal como um cowboy e a sua pistola). Há momentos preciosos que acontecem muito rápido, e os telemóveis de hoje (aproveito aqui para fazer publicidade ao iPhone da Apple) oferecem uma capacidade de resposta e qualidade muito acima da média.

5) M: De onde vêm as ideias? Como funciona o processo criativo?

H: Não faço a mínima ideia de onde vêm as ideias. É melhor não saber ou perdia a graça toda, prefiro ter uma nova todos os dias. O processo criativo no meu caso é um pouco obsessivo. Tenho a mania da perfeição e tem de ser assim nem que repita a fotografia 100 vezes e nem que volte lá amanhã para ficar ainda melhor. Todos os dias tento tirar uma fotografia melhor do que a de ontem, todos os dias quero uma fotografia especial (mas tenho dias maus… como toda a gente). Quando caminho pela rua, a minha cabeça não pára um segundo a olhar para cima e para baixo e para os lados. Pode passar o Cristiano Ronaldo ao meu lado que eu não vou olhar para ele. Adoro fotografar cenários com figuras humanas e tentar dar-lhes outro sentido. Por vezes, as ideias escasseiam e passo quatro, cinco dias sem colocar fotografias no Instagram. Quando isso acontece, tento relaxar e olhar para quem passa ao meu lado na rua (pode ser que apareça o CR7). Hoje em dia existem muitas restrições e aproveito a fotografia como liberdade de expressão, quase como um “desabafo visual”. Quando fotografo, sinto-me uma pessoa melhor e capaz de tornar possível o impossível. Para mim, não existe o impossível.

6) M: Como surgiu o projeto “Symmetric Lisbon”?

H: O “Symmetric Lisbon” espero que não seja daquelas coisas que só acontecem uma vez na vida. É o meu primeiro projeto a sério e espero continuar a ter mais como este durante os próximos anos. Um dia como outro qualquer, acordei e quando saí à rua vi Lisboa como se tudo fosse simétrico. Criei o projeto no verão passado e, na verdade, tudo começou um pouco por acaso, comecei a fotografar os monumentos de Lisboa com uma aplicação de telemóvel que tinha instalado há pouco tempo e gerava efeitos simétricos, criando objectos simétricos a flutuar como se fossem etéreos. Para minha surpresa, o projecto começou a ser falado em vários meios de comunicação social, sites de arte e fotografia, chegando mesmo ao National Geographic.

7) M: O que te inspira?

H: Eu sou uma pessoa feliz e a minha própria felicidade é o que me inspira mais. Mas claro que também vem dos instagrammers que sigo, vem dos erros, vem de objetos que estão nas prateleiras, vem dos amigos, vem das viagens, vem dos meus pais e do meu irmão, vem da namorada, vem daquilo que respiro, cheiro, oiço e vejo todos os dias. NOTA: Sejam felizes.

8) M: Destaca uma foto da tua autoria e fala-nos dela.

H: A foto do Super-Homem tem uma história engraçada e comprova como eu sou bastante perfeccionista e obsessivo. Tudo surgiu depois de ter almoçado por volta das 13.30h, quando ia a caminhar pela rua para o trabalho e deparei-me com uma rua muito estreita e escura que tinha uma parede gigante. Entrei nessa rua escuríssima e, de repente, surge uma luz que ia aumentando de intensidade. E descobri que o sol iluminava essa rua todos os dias a partir das 14:00h até às 14:15 mais ou menos, cerca de 15 minutos. No dia a seguir, reparei que um colega meu do trabalho, por acaso, estava vestido de vermelho e azul, e lembrei-me logo do Super-Homem. Levei-o para essa rua e pedi-lhe para se deitar na tal parede gigante e posicionar-se como o SH. Isto eram 13:58, esperei que a luz entrasse na rua e fosse subindo de intensidade até desenhar a capa em sombra, obtida através do braço esticado. Com isto passaram uns 15 minutos e a rua voltou a ser escura e ignorada por toda a gente. Como aquela rua não tinha nome, passei a chamar-lhe a Rua dos 15 minutos.

9) M: Duas cabeças pensam melhor que uma. Fala-nos da tua parceria com o Tiago Silva.

H: Eu acho que o Tiago Silva é meu irmão mas ainda não sei. Nós trabalhamos em dupla, profissionalmente, numa agência de comunicação e estamos juntos todos os dias desde as 10 h da manhã até às tantas da noite, penso que isso explica muita coisa. Foi através do Tiago que ganhei o interesse do Instagram e quando fotografamos juntos existe uma química e uma magia que não consigo descrever. Somos capazes de saltar a linha do comboio, fugir dos seguranças, esfolar as pernas, rasgar a camisola e esperar uma hora pelo comboio para tirar aquela fotografia que tínhamos na cabeça.

10) M: Deixa um recado à MELANCIA mag e a todos os nossos leitores.

H: Tal como o vermelho e o verde da melancia, espero que continuem a representar as cores de Portugal como têm feito até agora. Mantenham-se frescos e com energia para continuarem a mostrar não só o valor dos outros como também o vosso. Para os caros leitores, acompanhem a MELANCIA mag porque realmente deixa água na boca.

www.instagram.com/suissas

espreita o artigo na revista

CONTACTos

  • ig
  • fb
  • yt

MELANCIA MAG 2018 © ALL RIGHTS RESERVED

Melancia_Icon.png