ILUSTRAÇÃO

Entrevista: juliana lima

maria

imaginário

Maria Imaginário, 30 anos, dividiu connosco o seu mundo colorido. Falou-nos sobre a sua dedicação e sobre o seu longo processo criativo. Conhece um pouco mais sobre esta artista que nos encanta com o seu universo pessoal, com cores vivas e traços divertidos, e cheio de personagens que remetem para um cenário (quase) infantil.

1) MELANCIA: Sabemos que há cerca de 10 anos deixaste de ser Edna para assumir o teu nome artístico. Porquê? 
MARIA: 
Não foi bem há 10 anos, na verdade, foi há mais tempo, quando eu tinha os meus 16 ou 17 anos. Foi uma coisa natural, na altura eu queria ter um nome que se destacasse, que tivesse piada e foi por ai.

2) M: Qual a tua formação e como começou o teu gosto pela Ilustração?
M: Estudei Ilustração porque era aquilo que eu queria, mas depois acabei por me distanciar um pouco disso.

3) M: Começaste a pintar nos muros, principalmente em prédios abandonados. Porquê? Qual era o teu objetivo?

M: Eu comecei a pintar nos muros porque na altura grande parte dos meus amigos pintavam grafite na rua e faziam tags pela cidade, e sobretudo o que eles pintavam eram letras, faziam bombs e pintavam comboios e eu pensava “por que eles só fazem isso?” e queria fazer outra coisa, mais gira e que comunicasse mais com as pessoas que passam na rua em vez de servir só para as pessoas que fazem o grafite. E foi por aí, quando tinha uns 19 anos, que eu comecei a pintar os muros.

4) M: Há quanto tempo fazes parte da Underdogs? Como aconteceu o convite e como te sentiste por estar na mesma galeria de artistas portuguesas renomados e conhecidos internacionalmente como o VIHLS e outros?

M: Comecei a trabalhar com a Underdogs há um ano e meio. Foi um convite bastante normal e eu fiquei bastante feliz. Surgiu a partir de uma série de trabalhos que fomos fazendo, não foi assim algo do dia para noite, nem inesperado. Foi bastante gradual.

5) M: Sabemos que o teu trabalho sempre está para além das telas. As intervenções e instalações são posteriores. Como funciona o teu processo criativo? Que materiais utilizas?

M: O meu processo criativo é longo, como quase todos os processo criativos. Leva algum tempo para amadurecer o que eu quero fazer e o que eu não quero. E, também é fruto de tudo o que eu fiz anteriormente. O meu processo criativo trata-se de sentar-me, trabalhar e focar-me nisso, tentar achar soluções, materiais que funcionem e fazer com que as coisas aconteçam e não ficar a espera que me venha uma inspiração ou algo assim do género. É trabalhar! Não é muito aquela ideia romântica de que os artistas ou os pintores têm uma inspiração e fazem! Não, é um trabalho constante.

6) M: Fala-nos sobre as tuas instalações.

M: O quadro é quase sempre a base principal para eu fazer a instalação. A instalação é um bocado um apêndice dos quadros, serve para criar um ambiente a volta do sítio onde eu estou, convidativo, acolhedor. Gosto que as pessoas que estão na sala da exposição sintam que estão num espaço a parte, que estão envolvidas em alguma coisa.

7) M: Quando falas sobre o teu trabalho, referes a tua dedicação ao sonho de mostrar ao mundo o que está na tua mente. Como te sentes com isso?

M: Isto está inerente à minha pessoa e ao meu trabalho, querer passar isso às pessoas. E gosto de fazê-lo de forma a que entendam bem, gosto de comunicar com elas, que elas percebam as minhas ideias e que sintam alguma coisa e que não seja só algo que está ali, decorativo.

8) M: Na exposição “A Mind of its Own Lisboa”, transformaste a galeria Underdogs, na capital portuguesa, num espaço onírico cheio de pensamentos à solta. Tudo ali tem um quê de autobiográfico, certo?

M: Eu acho que o meu trabalho acaba por ser biográfico porque eu inspiro-me sempre em mim e nas minhas vivências para pintar. Ou seja, aquilo é tudo tão meu que eu acho que não há outra opção de não ser, de certa forma, biográfico. Não é que conte uma história minha, mas vem tudo de mim. É como eu interpreto as minhas influências.

9) M: O teu trabalho pode ser confundido com arte-infantil, em função dos traços inocentes e dos tons que normalmente usas nas tuas obras. Porém, aborda temas adultos como os sentimentos, o amor, a mente humana. Fala-nos um pouco sobre este facto.

M: Não sei muito bem explicar porque o meu traço é tão infantil, eu não sei, é simplesmente o meu traço. E não pretendo comunicar para crianças. Quer dizer, eu comunico para toda a gente, mas o meu traço acaba por ser um bocado infantil e só acaba por não ser quando é observado ao pormenor.

10) M: Além de Portugal, já tiveste o teu trabalho em exposições coletivas em muitos países durante a tua carreira artística. Pela Europa passaste por Itália, Inglaterra, França, Alemanha, e também foste aos EUA. Como é a tua experiência internacional?

M: Eu não estive lá, concretamente, os meus trabalhos é que viajaram. Eu participei em muitas exposições coletivas, enviei os meus trabalhos por correio. Eu não me preocupo tanto com isso, mas sim em fazer boas exposições, e tenho vontade de fazer mais e é isso que eu quero fazer na minha vida, Agora, sinceramente, se é cá ou lá fora, é indiferente, desde que eu vá fazendo, com galerias que goste e boas, que tenham a ver comigo e respeitem o meu trabalho, para mim, isso é o que interessa.

11) M: Destaca um trabalho que te tenha marcado. 

M: Isso é muito difícil, é como perguntar a uma mãe qual é o filho preferido. Eu gosto de todos os meus trabalhos. Depois eu analiso sempre e s encontro sempre coisas que eu poderia melhorar, mas é complicado escolher só um. Acho que eu gosto da MONALISA, porque é diferente daquilo que estou acostumada a pintar.

12) M: Qual é o teu lema de vida? 

M: O meu lema de vida é muito na paz e no amor, sinceramente. E dar importância à pessoas que estão à nossa volta.

13) M: E o teu maior sonho? 

M: Eu tenho vários. Eu gostava de um dia, não agora, mas um dia, ter uma quinta com animais, para quando eu for velhinha ter um monte de cães, gatos, galos e porquinhos.

13) M: Deixa um recado à MELANCIA mag e a todos os seus leitores 

M: Nós devemos focar-nos nas pessoas à nossa volta e tentar sempre ser positivos, e mais do que isso, investir naquilo que queremos. Não adiantar ser positivo se não nos empenharmos para que as coisas aconteçam.

www.mariaimaginario.pt

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