ILUSTRAÇÃO

Entrevista: juliana lima

FRANCISCO

MARTINS

Francisco Martins tem 32 anos e um percurso profissional incrível, mais ainda sim diz ser o mesmo garoto do Interior do Brasil. Nasceu e viveu boa parte da sua vida em Mariana, uma cidade histórica de Minas Gerais. Designer de formação e um ilustrador muito talentoso, foi o responsável pela capa da MELANCIA mag deste mês. Nesta entrevista, Francisco contou-nos um pouco sobre a sua carreira e o seu processo criativo, as suas inquietações e as suas conquistas. A não perder, as respostas são inspiradoras e têm um sabor especial, afinal, trata-se de uma conversa entre amigos. Sou fã do Chico e orgulho-me de ter trabalhado com este artista e tê-lo guardado para a vida, como um grande amigo.

1) MELANCIA: Quem é o Francisco Martins?
FRANCISCO: 
É difícil falarmos sobre nós porque paira sempre a necessidade de afirmar o que gostaríamos de ser ou como gostaríamos de ser reconhecidos. Mas acredito que continuo a ser o mesmo garoto do Interior do Brasil, filho mais velho e ciumento de duas irmãs, que ama cachorros e vento no rosto.

2) M: Qual a tua formação? E as tuas especialidades?
F: Tenho um bacharelado em Design Gráfico com uma pós-graduação em Empreendedorismo em andamento. Acredito que minhas especialidades estejam principalmente no interesse pelo desenho e na curiosidade pelo processo criativo. O processo é muito importante para mim e por isso não me prendo a nenhuma técnica. Gosto de experimentar colagens, impressão, desenho de letras... E o resultado pode ser uma mistura.

3) M: Como chegaste à ilustração? Que fatores te encaminharam para o mundo das artes?

F: Posso dizer que foi um caminho natural a partir da minha formação como designer e meu histórico com o desenho. Eu poderia ter escolhido packaging design ou motiongraphics, mas a ilustração deixou-me mais à vontade. O mundo das artes é um cenário opaco, nebuloso e não acredito que eu esteja inserido nele, principalmente, com meu trabalho comercial. Eu nem me considero um artista, mas alguém com habilidades artísticas.

4) M: Sabemos que deixou Belo Horizonte, Minas Gerais para ir viver em São Paulo?

F: Na verdade sou de Mariana, cidade histórica e a primeira capital de Minas Gerais. Morei lá os primeiros 19 anos e fui procurando lugares onde poderia acomodar-me menos. Belo Horizonte deu-me formação profissional e pôs-me no mercado. São Paulo é onde se constrói uma carreira, principalmente se trabalharmos em comunicação e publicidade. Afinal, no Brasil, é a cidade onde as grandes marcas estão.

5) M: Já fizeste muitas viagens para fora do Brasil. Entretanto destacamos uma em especial, em que fizeste um curso de ilustração com gente de todo o mundo. Fala-nos desta tua experiência. 

F: Era um curso de Design na verdade, um workshop imersivo de quatro semanas, numa das mais famosas escolas: The Basel School of Design, em Basileia, na Suíça.) Foi uma experiência incrível pois pude aprender um pouco da metodologia dessa escola, o famoso modelo suíço de se fazer Design. Mas também pelo contato com pessoas do mundo todo e com os seus trabalhos incríveis. Era minha primeira vez na Europa, tudo era muito emocionante!

6) M: Trabalhaste como designer em alguns escritórios de renome. Entretanto, atualmente, tens o teu próprio estúdio. Conta-nos um pouco sobre o teu percurso e sobre a decisão de ser autónomo.

F: Escritórios renomados são importantes para ganhar ritmo de trabalho, fortalecer o portefólio e ampliar a sua rede de contactos e trabalho. Todos foram importantíssimos para mim e agradeço-lhes muito. Mas comecei a perceber que todos os dias levantava-me da cama e caminhava para realizar o sonho do meu patrão na altura. Então obriguei-me a escolher entre continuar assim ou começar o processo de realizar os meus próprios sonhos. Era uma decisão simples, na verdade.

7) M: Que projeto te deu mais prazer desenvolver? Porquê?

F: Acho que não consigo escolher apenas um projeto, mas reconheço que alguns foram mais empolgantes do que outros. Por exemplo, o projeto de identidade para a Beauty Drinks durante o meu tempo na Interbrand foi um trabalho muito desafiador e tivemos uma grande sinergia de equipa, resultando em algo reconhecidamente especial. Como ilustrador, acredito que pintar a fachada da loja El Cabriton foi um dos pontos altos de 2015, pela escala do trabalho e por não saber como seria o resultado final.

8) M: Conta-nos é um dia típico de trabalho teu.

F: Acordo às 6h30 e pedalo até as 9h. Banho. Café. 10h30, começa a rotina no computador, geralmente continuando algo do dia anterior ou da entrega do dia. 11h30, emails e vaguear um pouco pela internet. Almoço. Café. Desenho durante 1h para projetos pessoais. Faço alguns telefonemas para clientes ou fornecedores e volto para trabalhos comerciais durante três horas. Mais café. Emails e um pouco mais de internet. Volto aos trabalhos comerciais. Planeamento para o próximo dia. Um pouco mais de projetos pessoais. Saio do estúdio às 20h.

9) M: Em todas as áreas criativas é preciso uma constante busca. Quais são as tuas referências e inspirações?

F: A internet cresceu a ponto de se tornar a detentora de todos os assuntos, sons, textos e imagens e no fim acaba por ser muito prática, realmente. Vasculho bastante a internet mas faço o possível para encontrar referências em exposições de arte e cursos livres. As inspirações também vêm do dia-a-dia, das conversas com minha mulher, dos filmes, de outras pessoas...

10) M: És designer e ilustrador com um viés bastante artístico.  Participaste em alguma exposição coletiva ou fizeste alguma mostra individual?

F: Participei em algumas mostras coletivas como a “Bienal de Tipografia Tipos Latinos” e outras de menores, nada muito relevante. Tenho muito interesse em montar uma exposição individual, principalmente, com a nova série de desenhos em que estou a trabalhar. De momento, estou a contactar as galerias locais e espero concretizar alguma parceria em breve. Quem sabe se Portugal será o próximo destino?!

11) M: Qual é o teu lema de vida?

F: Roubei-o da minha mulher, mas também o assumi como meu: A vida só melhora!

12) M: E o teu maior sonho?

F: Ter um sonho maior.

13) M: E, para fechar, pedimos para deixar uma mensagem à MELANCIA mag e aos seus leitores.

F: A vida é como andar de bicicleta. Para manter o equilíbrio, é preciso mantermo-nos em movimento.

www.franciscomartins.com

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