ILUSTRAÇÃO

Entrevista: MAFALDA JESUS

EDUARDO SABIO

Eduardo Sabio, 25 anos, natural de Badajoz, rendeu-se ao encanto português durante um ano. Formado em Engenharia Industrial e mestre em Design Gráfico, conta-nos, nesta entrevista, como esses dois caminhos se cruzaram e como começou a aventura no mundo da ilustração. Influenciado por uma das suas paixões, a música, começou a desenhar os seus ídolos, adicionando muita cor e algum sentido de humor às ilustrações. Lê esta entrevista e vê se reconheces alguma destas caricaturas!

1) MELANCIA: Quem é o Eduardo?
EDUARDO: 
Boa pergunta...

2) M: És formado em Engenharia Industrial. Como é que a Ilustração e o Design entraram na tua vida?
E: Depois de me licenciar aceitei uns trabalhos como engenheiro. Enquanto trabalhava, dei conta de que me sentia incompleto. E os trabalhos eram remunerados, mas ser engenheiro não me satisfazia. O problema é que sempre tive algumas inquietudes artísticas e, de repente, senti uma grande necessidade de me expressar a nível criativo. Escolhi a ilustração para fazê-lo e, bom, também a escrita.

3) M: Fala-nos das tuas inspirações e destaca um artista que admires.

E: Em primeiro lugar, adoro música. Não consigo viver sem ela. Herdei uma enorme colecção de CD do meu tio e pude fazer uma viagem pelas seis décadas da história do rock. Desde então já passou bastante tempo mas, foi graças a esses CD, que descobri os cartazes psicadélicos das décadas de 60 e 70, pelos quais me apaixonei. Queria criar algo parecido e, portanto, comecei a desenhar músicos. Sempre me senti atraído pelo retrato, pela possibilidade de representar alguém através de poucas linhas... e há algo melhor do que desenhar pessoas que admiramos? Tento fazê-lo sempre com um pouco de sentido de humor. Por outro lado, a simetria que têm muitos dos meus desenhos vem do descobrimento - paralelo aos meus outros descobrimentos musicais - das Mandalas da pintura Tibetana, através de um autor contemporâneo: Romio Shrestha (ainda que, ultimamente, tente dar mais importância às curvas e ao movimento do que à simetria). Por último, tenho como referências mais directas dois ilustradores actuais: James Jean, pela qualidade mística que dá a tudo o que faz, e Jeremy Fish, porque adoro os seus animais.

4) M: Que materiais utilizas? Preferes meios digitais ou manuais?

E: Como sou autodidata, faltam-me conhecimentos técnicos e acabo por limitar os materiais que uso. Honestamente: eu sei desenhar, não sei pintar. Adoro desenhar à mão, sem utilizar tablets nem computadores, porque sinto-me mais próximo daquilo que estou a fazer; adoro sujar as mãos com tinta. Mas aplicar a cor já é outra história. Como o tenho menos interiorizado, prefiro usar softwares gráficos para poder fazer correcções contínuas e descobertas novas até chegar ao resultado que quero - ou algo parecido - sem “borrar” demasiado a obra. Funciono assim: esboço e contorno: à mão; cor: de forma digital.

5) M: Tens uma página em que partilhas as tuas ilustrações. Por que escolheste o nome “Rockoso”?

E: Bom, foi algo bastante casual, não quis dar muitas voltas à cabeça por causa do nome. Às vezes o espontâneo é muito melhor. “Rock”, pelo meu interesse pela música e “oso” (osso em português) porque gostei de como soava no final do nome. Então desenhei um osso e agora uso-o como imagem.

6) M: De que ilustração te orgulhas mais? Porquê?

E: Talvez do projecto “Movember”. Propus-me a realizar uma ilustração por dia durante todo o mês de Novembro e postá-la nas redes sociais e a verdade é que me sinto bastante orgulhoso de ter sido constante e de ter conseguido. Também há uma ilustração pela qual tenho especial carinho: o retrato de Atahualpa Yupanqui. Atahualpa foi um músico e folclorista argentino mas, sobretudo, um poeta. É muito gratificante desenhar um poeta.

7) M: Estive em Barcelona recentemente e fiquei deslumbrada. Como descreverias a cidade a quem nunca aí esteve?

E: Pensa em qualquer coisa que possas encontrar no mundo. Boa. Pois eu aposto uma cerveja em como, de certeza, podes encontrá-la em Barcelona. Barcelona é possibilidade. E está sempre muito bom tempo...

8) M: Sabemos que viveste em Portugal um ano. Fala-nos da tua experiência.

E: Foi fantástica, vivi em Espinho durante seis meses e costumava ir ao Porto. O Porto tem algo mágico, estou desejoso de voltar. Se tivesse de resumir toda a experiência com poucas recordações, as que me vêm agora mesmo à cabeça são: boa comida e cerveja Super Bock muito fria, as ondas da praia de Espinho e surfar até que o sol se pusesse, a Ribeira e as suas casas coloridas e uma noite que passei na fundação de Serralves.

9) M: Surgiram projetos, ideias ou inspirações da tua estadia em Portugal? Se sim, quais?

E: Sim, desenhei a cidade do Porto. E escrevi um livro - “El Becario” - quando estava lá a trabalhar como engenheiro.

10) M: Qual é o teu lema de vida?

E: Não tenho nenhum em concreto, vou mudando conforme sopre o vento. Tento ser prático com os meus lemas. Neste momento, talvez seja: “És os teus pensamentos”.

11) M: E o teu maior sonho?

E: Continuar a sonhar.

12) M: Deixa um recado à MELANCIA mag e aos nossos leitores.

E: Muito obrigado à MELANCIA por me conceder esta entrevista. E aos leitores, que espero não ter aborrecido. Ah, sim, e que descubram o que os motiva verdadeiramente e que tentem fazê-lo, que a vida é curta. Paz.

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