STREET ART

Entrevista: MAFALDA JESUS

TAMARA

ALVES

Street artist, ilustradora, tatuadora, apaixonada pela pintura e pelo desenho. Apresentamos-te a Tamara Alves, 32 anos, uma artista algarvia que está a conquistar o público de dia para dia com as suas pinturas de grandes dimensões. Com uma linguagem plástica muito própria e expressiva, vai deixando a sua marca de norte a sul do país, expondo também em galerias. Fica a conhecer o trabalho desta artista multifacetada e apaixona-te!

1) MELANCIA: O teu trabalho apresenta imensos detalhes e pormenores. Como surgiu esta paixão pelo desenho?
TAMARA: 
Desde que me lembro que o faço, tenho alguns desenhos bastante figurativos e tinha só 2 anos quando os fiz. Desde sempre que desenhar era tudo o que eu fazia quando não tinha outras actividades. E foi o que sempre o meu objectivo.

2) M: Como descobriste que a Street Art era o caminho a seguir?
T: Não fazia ideia, sabia, sim, que tinha de agarrar qualquer oportunidade que aparecesse para fazer o meu trabalho, ir para a rua ou para escalas maiores do que a folha de papel ou a tela. Sempre que tinha uma parede que podia pintar, fosse dentro de uma galeria, fosse escondida... Até que o fenómeno cresceu e eu vi-me dentro desse meio.

3) M: Explica-nos como funciona o teu processo criativo e que materiais utilizas.

T: Depois de pesquisar, de ler, me inspirar e pensar o que quero representar e porquê, faço uns esboços em papel. Normalmente só eu é que consigo saber o que está lá desenhado, porque não se percebe nada. Depois tento pesquisar fotografias que me ajudem a compor a minha imagem ou peço a amigos que sirvam de modelos. A partir daí é desenhar e pintar. Se a imagem for para a parede, normalmente, copio o que tenho no papel, apenas uso outra técnica.

4) M: Os animais são um tema recorrente no teu trabalho. Porquê?

T: Sempre fiz retrato, é a minha paixão, no entanto, percebi que a minha mensagem ficava mais forte e era mais compreendida se usasse animais em vez de pessoas. Há uma razão também mais pessoal, houve uma altura na minha vida que estava mais em baixo, sem rumo, coração partido, são fases como as outras, especialmente, para trabalhar. Comecei em busca de força, comecei a copiar os animais das tatuagens chinesas (tigre, dragão e a carpa) pela simbologia. Comecei a sentir o grito do tigre, daí ele ser tão frequente nos meus desenhos hoje em dia. Como diz Buckowski “What matters most is how well you walk through the fire”.

5) M: Fala-nos das tuas inspirações.

T: Inspiro-me facilmente. Música (Fka Twigs, M.I.A, Patti Smith, etc.), literatura (os malditos Allen Ginsberg, Buckowski, Jack Kerouac, Al Berto, Herberto Helder, etc), Arte (muitooos) e o barulho da cidade, a noite, a luz, as pessoas, as paredes descascadas, as ruas, o ser animal, os animais, os meus amigos, as conversas, as viagens, etc.

6) M: O reconhecimento e a aceitação desta arte tem vindo a aumentar ao longo do tempo. Na tua opinião, quais as mais valias destas intervenções?

T: Enquanto artista, a gratificação pelo espaço público que nos é concedido, é sinal de que o nosso trabalho é valorizado e temos uma galeria efémera ou permanente (há trabalhos que vão ficar durante alguns anos) pelo país. Quanto maior a parede, maior o desafio e a conquista.

7) M: Há um número superior de homens a desenvolver este tipo de trabalho. Sentes que há algum tipo de descriminação?

T: Acho que é uma questão de oportunidade, há imensas mulheres talentosas que não arriscam a escala por medo ou por acharem que não vão conseguir, ou simplesmente porque não lhes interessa. Acho que hoje em dia ser mulher na Street Art é uma mais-valia porque somos poucas e precisamos de diversidade. 

8) M: Destaca um trabalho que te tenha marcado e diz-nos porquê.

T: Todas as paredes têm uma história, no entanto, a parede da Covilhã para o “Festival Wool” é, sem dúvida, um dos trabalhos mais importantes que já fiz. Pelo contexto, pela residência, passei duas semanas com pessoas incríveis e fui privilegiada com uma das paredes mais bem localizadas de sempre, com uma vista incrível. Fiz o melhor possível para dar à cidade da Covilhã a minha interpretação mais intensa e honesta de sempre.

9) M: Qual é o teu lema de vida?

T: Ser animal, não me esquecer dos meus instintos e ser livre.

10) M: E o teu maior sonho?

T: Poder espalhar o meu trabalho pelo mundo.

11) M: Deixa um recado à MELANCIA mag e a todos os seus leitores.

T: “Dress up, leave a false name, be legendary”

www.tamaraalves.com

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