ilustração & street art

Entrevista: MAFALDA JESUS

mariana a

miserável

Mariana Ramos dos Santos, mais conhecida como “Mariana, a miserável”, nasceu em 1986 em Leiria. Quando era pequena, sonhava ser florista mas acabou por se render ao design gráfico, onde desenvolveu uma grande paixão, a ilustração. Conta já com várias exposições individuais e coletivas, onde nos apresenta ilustrações originais, com as quais qualquer pessoa se identifica, devido à proximidade dos temas. O seu traço é inconfundível, destacando-se pelos traços rudes e pelos corpos desproporcionais. Entrega-te ao mundo da Mariana, um mundo repleto de desenhos e frases que celebram a ironia da vida e nos fazem rir do azar e das expectativas frustradas. 

1) MELANCIA: Quem é a Mariana, a Miserável e o que a difere da Mariana Ramos dos Santos?
MARIANA: 
É só uma desculpa para poder chorar em público.

2) M: Qual é o teu lema de vida?
M: Nunca pensei nisso. A minha avó Mila, rainha dos provérbios e das palavras bonitas para escrever em forma de dedicatórias nos livros, costuma dizer “Amanhã é outro dia” e eu acho que é uma frase muito reconfortante porque amanhã há sempre oportunidade de recomeçar.

3) M: Tudo começou com um blog, fala-nos desse projeto.

M: Fazer desenhos não começou com o blog, foi exactamente o oposto. O blog nasceu da necessidade que tinha de partilhar os meus desenhos com as 10 pessoas que o visitavam, na altura não sabia fazer sites e não existia o facebook em Portugal. 

4) M: Como chegaste à ilustração? Que fatores te encaminharam para o mundo das artes?

M: Acho que foi involuntário, por obra do demo, mas se houver um momento que possa assinalar foi um dia em que o meu pai me levou a Lisboa para ver uma exposição colectiva de Ilustração Portuguesa, em 2002, com ilustradores que via no jornal Público que ele comprava na altura e que ainda hoje são grandes referências para mim.

5) M: Tens uma forma muito própria de desenhar. Como descreverias o teu trabalho?

M: Despreocupado e miseravelmente feliz.

6) M: O amor é um tema frequente no teu trabalho, assim como a representação de lágrimas. Fala-nos sobre isso e de que forma essas emoções se interligam.

M: Vou citar a Adília Lopes: “Gosto das cebolas e das pessoas. Mas as pessoas são como as cebolas fazem chorar.”

7) M: Que projeto te deu mais prazer desenvolver? Porquê?

M: Eu não consigo escolher um favorito mas tenho um muito especial, a Lonely Hearts, a minha exposição com o Júlio Dolbeth na Mundano aqui no Porto. As exposições dão sempre gozo fazer, porque há uma liberdade total, quer na escolha do tema, quer na quantidade das peças, quer nas técnicas, nos tamanhos, no ambiente, na música e no modo de divulgação. Para desenvolver a Lonely Hearts foi feito todo um trabalho de investigação como solitários infiltrados no tinder, em eventos de speed dating, no mundo das tristezas do coração onde se pode comer gelado da directamente da embalagem com colheres de sopa. Fizemos também um teaser lindíssimo com o meu amigo talentoso Fred Gomes( https://vimeo.com/140729481) . É a segunda exposição que faço em conjunto com o Júlio e desta vez estamos mais sábios e mais crescidos.  

8) M: Conta-nos como funciona um dia de trabalho da Mariana. É previamente organizado ou acontece por instinto?

M: Por muito que tente, ainda não consegui instituir uma rotina, tendo em conta que o meu trabalho não é sempre o mesmo. Numa semana faço um desenho A5 sentada à minha secretária e na semana seguinte posso estar a pintar um prédio ou a pesquisar referências fora de casa para outra coisa totalmente diferente. Mas tento acordar cedo, começar pelas coisas mais simples como resolver lides domésticas, responder a emails, beber café e comer, para depois com mais calma me sentar a desenhar enquanto oiço tv ou rádio. Às vezes preciso de estar enclausurada para ter ideias e trabalhar, outras vezes sinto-me melhor se for trabalhar para um café. Às vezes estou mais produtiva de manhã, outras vezes prefiro desenhar pela noite fora. É muito inconstante mas é bom porque tenho liberdade para trabalhar onde e a que horas me apetecer.

9) M: Em todas as áreas criativas é preciso uma constante busca. Quais são as tuas referências / inspirações?

M: Durante estes 6 anos fui armazenando no facebook muitas pessoas e páginas ligadas às artes visuais que lá partilham o seu trabalho, tenho amigos que me aconselham muito sabiamente filmes e séries para consumir, sigo gente incrível no pinterest e vivo numa cidade extremamente estimulante.

10) M: Que projetos vêm aí?

M: Até ao final do ano: um cartaz para um acontecimento fixe em breve no pavilhão do conhecimento, um desenho para um novo mapa da cidade do Porto, o meu terceiro Little Miserable Book, um workshop na Experimenta Design, um workshop na We Came From Space, a exposição colectiva de natal na ó! Galeria e talvez uma primeira experiência com cerâmica.

11) M: Qual é o teu maior sonho?

M: Ter conforto suficiente para desenhar sem ter de pensar em pagar contas e claro, deixar um contributo importante na minha área.

12) M: Deixa uma mensagem à MELANCIA mag e aos seus leitores : )

M: À MELANCIA mag: Continuem o vosso excelente trabalho e obrigada por este convite. Aos leitores: Se tiveres interesse, visita o meu site: www.marianaamiseravel.com, se fores milionário opta por este link www.marianaamiseravel.com/shop, se preferires desabafar podes escrever para o hello@marianaamiseravel.com.

marianaamiseravel.com

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