ENTREVISTA: JULIANA LIMA

Fotografias: vários

NAZARETH COLLECTION

Quando algo assim acontece, percebemos que, aos poucos, vamos alcançando os nossos objetivos. Estamos em constante atualização, sempre em busca de novidades e projetos que enchem os olhos, mas é delicioso quando eles chegam até nós por si só. Foi assim com a nazareth collection. Recebemos um email com a apresentação deste projeto genuíno e belo, de moda e fotografia, contemporâneo e de autor, que correspondia a tudo aquilo em que acreditamos! E por tudo isso, e com muito gosto fomos entrevistar a Márcia, a criadora desta marca que nos fez brilhar os olhos.

Ter um sonho e ter a coragem de o realizar. Márcia Nazareth teve tudo isso. A criadora da nazareth collection, uma marca que une moda e fotografia, deu-nos esta entrevista exclusiva e contou-nos como decidiu começar a estampar o seu belo olhar em peças de roupa. Conheçam o seu percurso, a sua força de vontade e o seu olhar contemporâneo sobre o mundo. 

 

1) MELANCIA: Sabemos que a Márcia estudou na Faculdade de Belas Artes do Porto, tendo seguido depois a carreira de Designer de Comunicação. Entretanto, 10 anos depois, deixou a diretoria da sua agência para lançar a própria marca de moda. Conte-nos um pouco sobre este seu percurso e como foi tomar esta decisão. 
MÁRCIA: Terminando o curso de design de comunicação na FBAUP, trabalhei em algumas agências de design e comunicação. Alguns anos depois percebi que evoluiria mais como pessoa e profissional estando à frente do meu próprio negócio e em 2003 abri a minha agência de comunicação. 10 anos passados, já casada e duas filhas depois, aproveitei a má conjuntura económica e decidi não adiar mais o sonho que tinha: aliar a fotografia à moda.

2) M: Como surgiu o seu gosto por moda? 
M: O gosto pela moda não surgiu do nada; sempre existiu. Tive a sorte de ter duas avós ligadas à roupa e à moda. A avó Luz trabalhou com saias plissadas e a avó Aurora era mestre de guarda-roupa no teatro experimental do Porto. Cresci portanto no meio de figurinos, roupas do sec. XVII e com o cheiro do rolo de tafetá. A fotografia sempre me apaixonou, principalmente pelo professor que tive nas Belas Artes. E a moda também. Combinar os dois foi mais que um desejo ou uma vontade, foi um desafio.

3) M: E a nazareth collection? Explique-nos de forma breve este conceito único da marca,  que une moda e fotografia, e o porquê do nome. 

M: Vestir fotografias é a minha proposta, é a proposta da nazareth collection. Uma marca que apresenta coleções temáticas enquanto objetos de arte e design que dizem muito de quem as veste. A impressão têxtil de fotografias temáticas permitiu a criação de uma linguagem própria, altamente visual e cultural no mundo da moda, aplicando padrões fotográficos em têxteis de alta qualidade e com fittings certos. Cosi a minha visão fotográfica com a talentosa equipa de produção, que só após vários estudos técnicos preliminares, provou ser possível a ideia da marca: aplicar fotografias únicas a 100% de cada peça de roupa. O nome Nazareth é o meu nome de família e utilizo-o como marca porque encaro-o como uma forma de responsabilização pelo trabalho que desenvolvo. Collection porque todas as propostas da marca são apresentadas como coleções dedicadas a um tema, como o Porto, o Fado, Lisboa, Green e a recente Air Collection. Apenas seleciono temas que me interessem explorar, seja pela sua variedade ou originalidade fotográfica. Todas as fotografias são originais, captadas por mim, e depois selecionadas de acordo com as que melhor funcionam nos enquadramentos pretendidos  para cada peça.

4) M: Desde quando existe a nazareth collection? Gostaríamos de saber como surgiu a ideia e quanto tempo demorou para se concretizar o projecto?

M: A nazareth collection existe desde meados de 2013. A Ideia sempre foi amadurecendo comigo. No início não sabia que a tinha, mas explorei-a vezes sem conta, como por exemplo, fazendo várias aplicações de padrões originais em diferentes peças de mobiliário. Continuei a explorar a ideia até dar por mim a aplicar fotografias em peças de roupa. Mas demorou um ano a desenhar e a aprimorar apenas a ideia. Depois foi outro ano a encontrar o fornecedor certo, a matéria prima ideal para combinar a visibilidade fotográfica com o conforto que uma peça de roupa tem de ter.

5) M: Quem considera o público-alvo dos produtos nazareth?

M: Costumo dizer que o público-alvo da nazareth collection são pessoas bem resolvidas consigo mesmas, com orgulho de quem são e que, por isso, apreciam serem o zoom. Numa linguagem de marketing, este está definido dos 16 aos 46, urbano de ambos os sexos, com gosto pela arte, cultura e design de autor. Mas claro, existem sempre extensões a este foco, como as crianças, com as propostas kids da Green Collection, ou algumas avós como a Iris Apfel, uma senhora amorosa, cheia de estilo e já com 90 anos... Adorava vê-la vestida com nazareth collection!

6) M: Como e onde faz toda a criação, confeção e produção das peças?

M: Esse foi o caminho mais difícil. Mas felizmente sou uma portuguesa a viver no Porto, onde existe uma grande tradição e conhecimento têxteis. É com bastante dificuldade que tenho encontrado os fornecedores que pretendo para a nazareth collection, que respeitem os critérios de qualidade, acabamento, prazos de entrega... entre tantos outros, claro. 

7) M: Gostaríamos de saber como idealiza as peças? Desenha os modelos?

M: A nazareth collection está realmente muito centrada em mim, do início ao fim de cada proposta. Sou eu que escolho os temas de cada coleção, quem fotografa e seleciona os best of. Ocupo-me também do desenho de moda e de todo o processo de produção. É extenuante, mas por enquanto é só assim que consigo levar ao mercado, que felizmente está a crescer, as propostas como as quero.

8) M: Pensa a peça mediante as imagens ou as imagens adaptam-se aos modelos depois? Fale-nos um pouco sobre o processo criativo. 

M: Acima de tudo adoro perder-me a fotografar. E à medida que me divirto com esse prazer, de registar determinado tema conforme o vejo, natural e intuitivamente, o molde respetivo vai aparecendo. Quase que é a foto a pedir a peça de roupa... Durante esse processo começo a imaginar que parte da fotografia ficará na frente ou nas costas. Mas às vezes acontece o inverso... O meu processo criativo começa com a definição de um tema. No fundo, inspiro-me no mundo. Sou uma pessoa que olha e absorve muito do que me rodeia, como viagens, blogues, conversas, pessoas. A Nazareth Collection resulta por ser uma conjugação de todas estas coisas. Em seguida vem o demorado trabalho de seleção e de enquadramentos. E daí em diante é uma exploração contínua e cada vez mais técnica de cada produto final.

9) M: Como escolhe os temas das coleções? E quantas coleções são planeadas / lançadas por ano?

M: Ás vezes sou eu a escolher os temas, outras, é o tema que me escolhe a mim. Basta sentir o «click». Faço duas coleções por ano, lançadas em Fevereiro e Setembro.

10) M: Das 6 coleções já lançadas, qual foi a sua preferida e a que teve mais satisfação em criar? Conte-nos o porquê.

M: É difícil dizer de que filho mais gostamos, mas tentando não fugir à pergunta, diria que a coleção que mais me satisfez criar foi a última:  a air collection! Acho que sempre quis fazer algo do género e como diz  Almodóvar: “somos mais autênticas quanto mais próximas estamos com o sonho que temos de nós mesmas.”

11) M: Para além do site, onde podemos encontrar os produtos nazareth?

M: Felizmente os pontos de venda da nazareth collection estão a crescer de forma contínua, embora exista sempre a necessidade de escolher os locais certos para encontrar o público da marca. No Porto: Loja do Museu de Serralves, Lojas nos Barcos Douro Azul, Casa da Música, Workshops Pop Up. Em Lisboa: Loja Portfólio no Aeroporto de Lisboa, Loja do Museu do Fado, Apaixonarte – S. Bento, Voo da Andorinha – Alfama. Online: portugalinbox.com, lusamater.pt, ilovetextile.com, smallisamazing.com, minty.pt.

12) M: Gostaríamos de perceber as suas inspirações e influências criativas. Indique-nos projetos, artistas, fotógrafos, estilistas, ou outros que são, de alguma forma, referências para o seu trabalho.

M: Fotógrafos: Miles Aldridge, Annie Leibovitz, Sebastião Salgado. Estilistas: Katy Xiomara e Mary Katrantzou. Artistas: tantos... Mas o último que perdemos: Paulo Cunha e Silva.

13) M: Como se sente com a sua marca? Conte-nos quais foram as principais mudanças na sua vida depois de lançar a nazareth.

M: Acima de tudo, sinto-me realizada. Não só pela sensação de estar bem, ao fazer propostas que estão a ser bem recebidas pelo público e que eram o interesse de várias pessoas, como da MELANCIA mag, mas também porque me sinto a crescer com a marca. Estou a amadurecer e a aperfeiçoar cada vez mais, tanto a nível profissional, como pessoal. Mas sei que tenho um longo caminho pela frente. Quanto a mudanças, bem... são imensas. Desde logo, o tempo. Tenho muito menos tempo disponível porque decidi estar mais disponível para a marca, mas como esta é uma extensão pessoal, no fundo estou também mais disponível para mim. Por outro lado, sinto que os meus dias são mais diversificados, ocupando-os com várias coisas que me interessam. Principalmente, com o meu nome no mercado, sinto maior responsabilidade e consciência em tudo o que faço.

 

14) M: Quais foram os principais desafios que enfrentou ao criar e fazer a gestão de uma marca de moda.

M: Os desafios foram principalmente interiores. De superação, de persistência, de acreditar em mim. Tem sido um crescimento incrível, que continua a existir e quero muito que continue, porque evoluímos muito a gerir todos os nãos e todas as barreiras. A gestão de uma marca, neste caso de moda, tem desafios muito concretos, diferentes e crescentes da fase de nascimento e durante as várias etapas do crescimento. Da identidade à comunicação, da correspondente personalidade da marca no produto proposto e serviço que o acompanha, na seleção e procura dos pontos de venda. Todos são pontos de contacto determinantes para os objetivos a atingir, e que por isso merecem uma atenta gestão de marca.

15) M: Ficamos muito lisonjeadas com o contacto e interesse em rechear a nossa revista com o seu trabalho. Agora é a sua vez de deixar cá um recadinho para a MELANCIA mag e aos nossos leitores.

M: Antes de mais, é para mim um privilégio estar na MELANCIA. Desde logo, pelo elevado nível de design editorial da revista, porque só assim é possível oferecer, com tanta elegância e noção contemporânea, os vários conteúdos de referência escolhidos. A fotografia, a ilustração ou o lifestyle de pessoas que valem a pena conhecer, todos juntos mostram como a liberdade no trabalho que desempenhamos é essencial para resultados genuínos. A MELANCIA é fresca e rejuvenesce a cada número. Quem gosta de estar por dentro das boas histórias de vida que existem por aí, lê a MELANCIA. Come-se com os olhos!!

www.nazarethcollection.com

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