ILUSTRAÇÃO

Entrevista: JULIANA LIMA

JOÃO

SARAMAGO

João Saramago vive no centro de Lisboa há três anos. Durante este tempo, vem ganhando espaço e reconhecimento como artista independente. Em entrevista exclusiva, este jovem artista português de 30 anos, que é reconhecido pelas suas pinturas com canetas esferográficas, conta-nos um pouco sobre seu trajeto processo criativo. Inspirem-se!

1) MELANCIA: Antes de falarmos do teu trabalho, gostaríamos de saber quem é o João Saramago.
JOÃO: 
Nasci em Agosto de 85, vivo e trabalho no centro de Lisboa há três anos. Estudei design gráfico e mais tarde fui para a faculdade que decidi não terminar. Sou um tipo pacato, que gosta de coisas simples e práticas.

2) M: Antes de seguir a carreira de artista independente, tiveste algum outro emprego? Conta-nos as tuas experiências e o teu percurso profissional.
J: Tive outros empregos que conciliava com a faculdade, ficando sem tempo mental para criar. Quando decidi abandonar a faculdade, então voltei a dedicar-me inteiramente a esta carreira.

3) M: Como e quando tiveste a certeza de que seguirias uma carreira de artista independente?

J: Acho que sempre soube. Em pequeno desenhava bastante, era assim que me entretinha.

4) M: Que fatores te encaminharam para o mundo das artes?

J: Não houve nenhum facto concreto. Acho que é um “acontecer”.

5) M: Como encontraste o teu estilo de arte? E como descreverias o teu trabalho?

J: Quando comecei a estudar, senti uma grande conexão com o surrealismo e o movimento dada [O Dadaísmo foi um movimento cultural, artístico e filosófico de grande abrangência, envolveu a literatura, o cinema, o teatro, a fotografia, a pintura e a escultura.]. A partir daí comecei a desenhar os meus sonhos e a criar histórias baseadas nesse universo. Isto foi há 12 anos atrás. Hoje não consigo definir o que é o meu estilo e não sei se o quero fazê-lo, sei que quero criar. Contudo, atraem-me alguns conceitos que vejo acontecerem no meu trabalho, a repetição é um deles por exemplo.

6) M: Temos acompanhado o teu trabalho, e percebemos que cada vez mais participas em exposições e eventos. Como te sentes em relação a isto e a toda a repercussão e reconhecimento do teu trabalho?

J: Existe uma entrega muito grande, sinto que me dedico inteiramente aquele projeto, vivo nele naquele período. Depois tento retirar o máximo dele e divertir-me.

7) M: Sabemos que para o artista, toda a obra tem a sua importância, entretanto gostaríamos de saber se consegues destacar o teu projeto preferido, aquele que te deu mais prazer desenvolver? Conta-nos porquê.

J: Do meu trabalho pessoal, não, porque não o sinto como fechado no sentido de ser só uma representação de uma coisa, é antes algo em constante expansão que possibilita direções. Dos projetos externos, destaco o “Trampolim Gerador”, a segunda edição. Pintei o interior de um palacete localizado no Príncipe Real, em Lisboa. Foram quatro dias, cerca de 38 horas a pintar bonecos de nariz grande a voar pela divisão do palácio e, foi fantástico, não tinha ainda tido uma experiência do género, nunca tinha feito murais nem nada em semelhante escala e deu-me um prazer imenso ver o resultado final e a interação com os visitantes.

8) M: Também gostaríamos de saber sobre as dificuldades e desafios que encontras neste teu percurso de artista independente em Portugal.

J: Há momentos e dias menos fáceis e frustrantes. O que importa realmente é a ação. É não parar de produzir. Saber dosear o pensamento crítico, a distância do trabalho e a sua execução.

9) M: E a tua forma de trabalhar, como é? Tens um ateliê? Trabalhas com alguma metodologia? Gostaríamos de saber mais sobre o teu processo criativo.

J: De momento, não tenho um ateliê, trabalho em casa. Tenho algum espaço que me permite criar livremente e, acredito por experiência própria que o espaço influência no processo e método criativo. Atualmente, estou interessado em criar peças de grande escala e a solução que encontrei para o fazer é começar por pequenos formatos e expandir a partir daí. A criação acaba por ser de certa maneira um jogo e, começo a perceber de que preciso de um espaço maior. Sobre o processo criativo por norma, não parto de um conceito mas sim da emoção. Começo pelo desenho e algo acontece e surgem direções. Quando estou a fazer ilustração o processo não é muito diferente, o que muda é a intenção, há uma ideia, fazem-se os esboços e depois a execução.

10) M: Em todas as áreas criativas é preciso uma constante busca. Quais são as tuas referências / inspirações?

J: A música.

11) M: E os teus próximos passos? Costumas planear? Se puderes contar, gostaríamos de saber quais os projetos do João Saramago que vêm aí.

J: Estou focado em criar corpo de trabalho. Estou a executar peças de grandes dimensões de ideias que nasceram em 2012 e recentes. Tenho o plano de dar corpo a estas duas coleções: “microforms” 2012 e “meditação” 2015.

12) M: Deixa uma mensagem à MELANCIA mag e aos seus leitores. 

J: Muito sucesso com foco e dedicação e até breve.

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